Por Érika Reis
A Polícia Civil de Laguna já iniciou a organização de um grupo reflexivo para homens autores de violência doméstica e familiar contra a mulher. A informação foi confirmada ao Portal AHora com exclusividade pela delegada regional de Laguna, Vivian Garcia Selig. A iniciativa atende às diretrizes estabelecidas pela Lei Estadual nº 19.788, sancionada em abril deste ano, e deve ter a primeira reunião em breve.
Segundo a delegada, a psicóloga da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) já está recepcionando homens que possuem medidas protetivas e organizando os participantes para a formação do grupo.
“Em Laguna, a Polícia Civil já está confirmada que terá esse grupo de homens. Em breve teremos a primeira reunião. A psicóloga da DPCAMI já está recepcionando os homens que têm medida protetiva, montando o grupo, para que muito em breve tenhamos uma reunião”, afirmou Vivian.
A proposta dos grupos reflexivos é trabalhar a responsabilização dos autores de violência e a mudança de comportamentos que contribuem para a manutenção do ciclo de agressões.
Imbituba também vai ter grupo
A iniciativa deve ser ampliada para outros municípios da região. Conforme a delegada, a Polícia Civil pretende iniciar a articulação para implantação de um grupo reflexivo em Imbituba após o retorno das férias do delegado.
“Em Imbituba, no retorno das férias do delegado, nós já articularemos também nesse sentido a implementação do grupo reflexivo em Imbituba”, explicou a delegada.
A medida segue uma política estadual que busca atuar não apenas na punição dos autores, mas também na prevenção de novos episódios de violência.
Grupos terão caráter reflexivo e socioeducativo
A Lei nº 19.788, de 1º de abril de 2026, estabelece princípios e diretrizes para a criação de programas reflexivos e de responsabilização destinados a homens autores de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Os grupos têm caráter pedagógico e socioeducativo. Entre os objetivos estão o reconhecimento das diferentes formas de violência, a responsabilização pelos atos praticados e a reflexão sobre comportamentos baseados em controle, dominação e desigualdade.
A legislação determina duração mínima de seis meses e pelo menos 12 encontros, conduzidos por uma equipe multidisciplinar capacitada.
Os grupos não são considerados tratamento psicológico ou atendimento clínico. Quando necessário, o participante pode ser encaminhado para acompanhamento psicológico, terapêutico ou jurídico individual.
Garopaba terá sala lilás
Além dos grupos destinados aos autores de violência, a Polícia Civil também trabalha em uma iniciativa voltada diretamente ao acolhimento das vítimas.
De acordo com Vivian Selig, Garopaba está preparando uma Sala Lilás, espaço destinado a oferecer um atendimento mais adequado e acolhedor às mulheres vítimas de violência.
“Em Garopaba estamos montando a Sala Lilás para melhor acolher as mulheres vítimas de violência”, afirmou.
A estrutura busca oferecer um ambiente mais reservado para o atendimento de mulheres em situação de violência, contribuindo para reduzir a exposição e proporcionar maior acolhimento durante o registro e o encaminhamento das ocorrências.
Nova política busca romper ciclo da violência
A implementação dos grupos reflexivos em Laguna e a articulação para levar a iniciativa a Imbituba fazem parte de uma estratégia que busca combinar proteção às vítimas, responsabilização dos autores e prevenção de novos casos.
A proposta é que os homens encaminhados sejam levados a reconhecer a gravidade dos próprios atos e a refletir sobre comportamentos violentos, em vez de tratar a agressão como um episódio isolado ou justificável por ciúmes, conflitos familiares, uso de álcool ou outras circunstâncias.











