O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento para apurar as condições estruturais da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna. A investigação ocorre após a identificação de danos em cabos da estrutura em mais de um mês depois da primeira interdição total da ponte.
O objetivo é esclarecer as causas dos problemas e acompanhar as providências adotadas para garantir a segurança dos motoristas que utilizam a BR-101. Atualmente, o tráfego ocorre de forma parcial, com uma faixa liberada em cada sentido e velocidade máxima permitida de 50 km/h.
Cabos rompidos foram identificados em vão central
Conforme informações apresentadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela concessionária ViaCosteira ao MPF, inspeções técnicas identificaram o rompimento parcial dos cabos 4E e 4D, localizados no Pilar 35, entre as aduelas AD.6 e AD.7 do vão central da ponte.

Após a identificação dos danos, a concessionária colocou em prática um plano de correção emergencial elaborado por uma empresa especializada. Também foram realizadas intervenções para reforçar a estrutura.
Ponte está interditada desde julho
O episódio que levou às atuais restrições começou em 9 de julho, quando a Ponte Anita Garibaldi foi totalmente interditada após uma inspeção apontar filamentos rompidos em uma cordoalha.
O bloqueio completo permaneceu por dez dias. Em 19 de julho, a circulação foi retomada parcialmente, com uma faixa disponível para os veículos em cada sentido da BR-101.
Na época, a concessionária informou que a operação poderia permanecer dessa forma por um período de 30 a 60 dias, enquanto seriam realizados novos estudos, inspeções e eventuais intervenções na estrutura.

Monitoramento continua
Desde a retomada parcial do tráfego, a ponte permanece sob acompanhamento técnico. Entre os procedimentos realizados estão o monitoramento do tabuleiro, a instalação de sensores, levantamentos topográficos e análises do comportamento da estrutura.
Segundo a ViaCosteira, os resultados obtidos até agora apontam que o tabuleiro apresenta comportamento adequado e dentro dos parâmetros esperados pelos especialistas.
A concessionária também afirma que a ponte permanece íntegra e apta à circulação de veículos, desde que sejam respeitadas as condições atualmente estabelecidas. As intervenções realizadas, segundo a empresa, têm caráter preventivo e planejado.
Cargas especiais seguem com restrições
Além da redução das faixas e do limite de velocidade, continuam proibidas algumas operações envolvendo cargas excedentes.
Veículos com mais de 10 toneladas por eixo e largura superior a quatro metros precisam seguir procedimentos específicos para solicitar e obter autorização de passagem.
A orientação aos motoristas é respeitar a sinalização instalada no trecho e o limite de 50 km/h enquanto as avaliações e os trabalhos na ponte continuam.
Estrutura já teve problemas em 2022
A Ponte Anita Garibaldi também passou por uma intervenção emergencial em 2022, quando foram identificados problemas no mesmo pilar.
Naquele período, houve rompimento de barras de ligação da laje inferior, o que levou à adoção de medidas para preservar a estabilidade da estrutura. Como parte das providências, foram realizados reforços e, temporariamente, veículos pesados precisaram utilizar a Ponte das Laranjeiras, em Cabeçuda.
Em março de 2023, testes de carga apontaram o restabelecimento da rigidez da ponte após as intervenções.
ANTT investiga possível vício de construção
Diante do histórico de ocorrências, a ANTT informou ao MPF que abriu um processo administrativo para verificar se as falhas recorrentes podem estar relacionadas a eventuais vícios ocultos de construção.
A Ponte Anita Garibaldi foi construída sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e passou a fazer parte do contrato de concessão da BR-101 em agosto de 2020.
Ainda de acordo com a agência reguladora, o recebimento definitivo da obra pelo Dnit depende de uma decisão judicial relacionada ao empreendimento.
Informações: ND Mais











