Uma moradora de Imbituba iniciou uma campanha para arrecadar dinheiro e conseguir trazer de volta o filho Luciano, de 25 anos, que está detido no Sudeste Asiático. Segundo a família, o jovem deixou o Brasil após receber uma proposta de trabalho na Tailândia e, posteriormente, teria sido submetido a condições de exploração, ameaças e agressões.
A mãe, que é uruguaia e vive há 23 anos no bairro Alto Arroio, conta que Luciano chegou a Imbituba quando tinha 2 anos. Ele cresceu e estudou na cidade, onde mantém amigos e parte da família.
Segundo ela, antes de viajar, Luciano trabalhava no Porto e recebeu uma proposta para atuar como corretor em uma multinacional na Tailândia. Inicialmente, ele teria recusado, mas mudou de ideia após a empresa oferecer um salário maior, além de passagem e hospedagem.
“Ele acabou indo em busca dos seus sonhos, de poder juntar um dinheiro para depois poder retornar”, contou.
Da Tailândia para outros países
A viagem aconteceu há cerca de um ano e meio, segundo a mãe. Após chegar à Tailândia, Luciano teria passado também por Camboja, Vietnã, China e Laos.
A situação mudou em 11 de julho, quando a mãe afirma ter perdido contato com o filho. Ela começou então a procurar representações diplomáticas em busca de informações.
Segundo o relato, posteriormente ela foi informada de que Luciano estava detido junto a um grupo de brasileiros por suposto trabalho irregular. Por ter cidadania uruguaia, o retorno dele teria que ser feito ao Uruguai.
A família afirma ainda que precisa arcar com multa, passagem aérea e outras despesas relacionadas à saída do jovem do país. Conforme a mãe, o valor informado para a multa foi de US$ 3,5 mil.
Mãe relata ameaças e agressões
A mãe afirma que, após conseguir conversar novamente com Luciano, ouviu relatos de que ele queria deixar o trabalho, mas estaria sendo impedido.
Segundo ela, o filho contou que trabalhadores eram submetidos a jornadas prolongadas e ameaças. Ela também relata que Luciano disse ter presenciado ou sofrido agressões e que os documentos dos trabalhadores teriam sido retidos.
“Ele queria vir para casa e não conseguia, não deixavam ele vir. Ali eram ameaçados, obrigavam a trabalhar várias horas a mais”, relatou.
Ela afirma ainda que o filho contou sobre choques elétricos, agressões físicas e ameaças envolvendo retirada de órgãos.
As acusações são relatos apresentados pela família e não foram verificadas de forma independente.
Família diz que brasileiros conseguiram voltar
Segundo a mãe, parte dos brasileiros que estava na mesma situação conseguiu deixar o local após familiares reunirem dinheiro para as despesas necessárias.
Ela afirma que Luciano permaneceu detido por ser uruguaio e que outros brasileiros ainda estariam no local.
A mãe também relata condições precárias no espaço onde o filho está. Segundo ela, Luciano contou que dorme no chão de concreto, sem colchão ou cobertor, recebe alimentação duas vezes ao dia e permanece em um ambiente com pouca iluminação e mofo.
Ainda conforme o relato, recentemente o jovem apresentou febre de cerca de 40°C e precisou de atendimento médico.
Campanha busca trazer Luciano de volta
Sem condições de arcar sozinha com os custos, a mãe iniciou uma campanha para arrecadar o dinheiro necessário para que Luciano possa deixar o país e viajar ao Uruguai, onde possui familiares que poderão recebê-lo.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela agradeceu as doações e compartilhamentos feitos por moradores e antigos amigos do filho.
“Se ponham no meu lugar como mãe. Eu sou uma pessoa de baixos recursos. Se tivesse esse dinheiro, não estaria fazendo isso”, disse.
“Me ajudem a juntar esse dinheiro para ele sair quanto antes desse lugar”, completou.
A expectativa da família é que, após retornar ao Uruguai, Luciano consiga refazer os documentos e iniciar uma nova etapa da vida.











