Search
Close this search box.
Search
Close this search box.
Slide Heading
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.
Click Here
Previous slide
Next slide
Previous slide
Next slide

“Não é algo tão simples”: Delegada Regional, Vivian Selig, fala em Imbituba sobre violência contra a mulher

Compartilhe esta notícia:

Previous slide
Next slide

Por Érika Reis

A violência contra a mulher foi tema de uma roda de conversa realizada na última quinta-feira (13), no Centro de Referência da Mulher (Cerem) de Imbituba, com a participação da delegada regional de Polícia Civil da região de Laguna, Vivian Garcia Selig. O encontro promoveu um espaço de informação, prevenção e acolhimento em meio aos recentes casos de feminicídio e de violência contra a mulher que têm mobilizado Imbituba e região.

Durante a conversa, a delegada abordou temas relacionados à trajetória de mulheres na carreira na Polícia Civil, aos 20 anos da Lei Maria da Penha e à influência de questões históricas, culturais e hierárquicas na violência contra a mulher. A experiente policial civil também falou sobre os principais fatores que podem dificultar ou até impedir que uma vítima denuncie o agressor.

Participantes da Roda de Conversa. Foto: Érika Reis

Ao todo, 20 mulheres participaram do encontro. Entre elas estavam a idealizadora do bate-papo, Grasiane Oliveira, líder do “Movimento Unidas pela Dança”; Érica Santos, representante da Rede de Cuidado de Itapirubá; Barbara Seibel, diretora do CEREM; Claudia Veronese, assistente social do Centro de Referência; e Andrea Carolina, do Centro Odontológico do município.

Participaram também do evento mulheres moradoras de Imbituba envolvidas em diferentes espaços da sociedade e que atuam na defesa dos direitos das mulheres.

Vivian: “O medo é o guarda-chuva da mulher”

Com quase 20 anos de atuação na Polícia Civil e formada em Direito, especialista em Ciências Criminais, Gestão Pública e Direitos das Mulheres, a delegada Vivian Selig destacou que diversos fatores podem dificultar a decisão de uma mulher de denunciar uma situação de violência. Entre eles estão a insegurança, a dependência financeira, a preocupação com os filhos, a pressão da família e da sociedade e o receio em relação à própria imagem.

“Todos esses fatores estão dentro de um guarda-chuva: o medo”, destaca a Delegada.

Delegada Vivian Selig durante o encontr. Foto: Érika Reis

Segundo Vivian, conhecer a Lei Maria da Penha é importante, mas também é necessário compreender as estratégias para romper o ciclo da violência e buscar proteção de forma segura. A Lei criou regras para prevenir, punir e tentar acabar com a violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Sancionada em um dos governos do presidente Lula, ela garante medidas de proteção urgentes para as vítimas e define que a agressão contra a mulher é crime de ação pública.

Durante a roda de conversa, a delegada compartilhou o caso de uma mulher que atendeu recentemente. Médica e financeiramente independente, ela sofria violência havia muito tempo e buscava orientação para se separar do companheiro, mas ainda se sentia insegura sobre como proceder.

“Saímos um pouco daquela lógica de entender que é uma mulher vulnerável, ou codependente financeiramente do companheiro. Não. Nós tínhamos ali o exemplo de uma mulher independente financeiramente e que sofre violência”, relatou.

Participantes da roda de conversa. Foto: Érika Reis

Segundo a delegada, naquele caso não havia agressões físicas, mas diferentes formas de violência, como a psicológica, moral e ameaças. O incentivo de uma amiga foi fundamental para que a vítima buscasse ajuda, evidenciando também a importância da rede de apoio.

O comportamento do agressor, de acordo com Vivian, também contribuía para manter a vítima em uma situação de violência e desvalorização. “O perfil do agressor era muito violento, usuário de bebida alcoólica, extremamente narcisista no sentido de achar que ela, sem ele, não é um ser de valor. Então, tudo que ela é, é por conta dele”, relatou.

A orientação dada pela delegada foi para que a mulher planejasse a saída do relacionamento de maneira segura, contando com a rede de apoio, acompanhamento psicológico e orientação jurídica. Entre as possibilidades, estaria a solicitação de uma medida protetiva antes de deixar a residência, evitando uma exposição desnecessária ao agressor.

Naturalização da violência

Para Vivian, a dificuldade de reconhecer e denunciar situações de violência também está relacionada à forma como comportamentos abusivos são naturalizados socialmente. “Nós somos ensinadas e aprendemos a naturalizar a violência masculina. E elas acontecem de diversas maneiras. Então, assim, não é algo tão simples”, afirmou.

A delegada destacou que esse processo de reconhecimento não acontece de forma imediata e envolve mudanças culturais e sociais. Nesse sentido, segundo Vivian, a própria Lei Maria da Penha contribui para ampliar a consciência sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.

A legislação, que completa 20 anos em 2026, também foi abordada durante o encontro. Vivian comparou a trajetória da lei ao desenvolvimento de uma pessoa: criada em 2006, inicialmente “engatinhava”, passou a dar os primeiros passos ao longo dos anos e, atualmente, estaria mais fortalecida.

A delegada também apontou avanços ocorridos desde sua entrada na Polícia Civil, em 2006, como mecanismos de proteção que não existiam anteriormente para mulheres vítimas de violência.

Prevenção antes do feminicídio

Durante o relato sobre a mulher que buscava orientação para deixar o relacionamento, Vivian reforçou que o objetivo da rede de proteção é agir antes que a violência chegue a situações extremas.

“Porque nós não queremos que cheguemos no feminicídio, na tentativa de feminicídio”, afirmou.

Para a delegada, a rede de apoio, formada por amigos, familiares, profissionais e serviços especializados, pode ser fundamental para que a vítima consiga reconhecer a situação e encontrar caminhos para buscar proteção.

A história compartilhada durante a roda também reforçou que a violência doméstica não está restrita a mulheres em situação de vulnerabilidade financeira ou social. Ela pode atingir mulheres independentes, com formação profissional e autonomia financeira, que ainda assim podem encontrar dificuldades para reconhecer a violência e romper com o relacionamento.

Grasiane, líder do Unidas oela Dança, presenteando Vivian. Reprodução: Érika dos Reis

Violência não escolhe classe social

Em relato ao à reportagem do AHora, que acompanhou o evento no local, a motorista Daniela Vargas, de 42 anos, que participou da roda de conversa, destacou os principais aprendizados que levou do encontro.

“A importância de procurar uma delegacia e denunciar. Que o abuso e a violência vêm de várias formas, às vezes até bem enrustidas e sutis, como se fosse apenas uma ‘preocupação’. Que juntas somos mais fortes, que devemos apoiar e ajudar as mulheres à nossa volta e, principalmente, que a violência doméstica não escolhe classe social e grau de instrução.”

Entre as participantes também estava Edna, de 72 anos, que foi casada por 40 anos e está separada há uma década. Vítima de um relacionamento abusivo, ela contou que levou tempo para reconhecer a violência que vivia, já que cresceu em uma família na qual presenciava a própria mãe se submeter a diferentes situações.

“Eu fui aprendendo aos poucos que eu vivia um casamento abusivo e não sabia, por conta até de ter nascido numa família com a mãe que era passiva a tudo. Então, eu nasci vendo tudo aquilo e acabei aprendendo que a mulher ideal seria aquela que faz tudo”.

Segundo Edna, o processo de reconhecer o relacionamento abusivo e mudar sua própria postura aconteceu gradualmente, a partir de conversas com profissionais, amigas e outras mulheres, além do contato com informações sobre o tema.

“Com essas conversas, como a de hoje, que a gente teve com a delegada e com outras que a gente teve com a psicóloga, vendo muita coisa na TV, muitos conselhos de amigas, tudo eu mudei. Eu era o capacho, desde a família dele a ele. Eu dei a volta por cima.

O relato de Edna reforça uma das questões levantadas durante a roda de conversa: a dificuldade de reconhecer situações de violência quando comportamentos abusivos são naturalizados desde a infância e passam a ser vistos como parte do cotidiano ou até mesmo como características esperadas dentro de um relacionamento.

Dança encerra encontro

Depois de mais de duas horas de conversa sobre violência, medo e os desafios enfrentados pelas mulheres na busca por proteção, o encontro terminou com uma aula de zumba. A atividade, promovida pelo grupo Unidas pela Dança, trouxe leveza ao encerramento e reforçou a proposta de criar espaços de convivência, acolhimento e fortalecimento entre as participantes.

https://chat.whatsapp.com/Ko6tmdGiCiFLPj6WSCikAi

Fale conosco

Preencha o formulário abaixo que em breve entraremos em contato

Inbox no Facebook

Rua Rui Barbosa, 111 – Vila Nova, Imbituba – SC Brasil