O sonho que começou nos fundos da casa da avó, em Nova Brasília, ganhou um dos capítulos mais importantes na noite desta quarta-feira (9). A imbitubense Júlia Souza de Oliveira, de 15 anos, fez sua estreia com a camisa da Seleção Brasileira Sub-15 durante o torneio internacional disputado no Paraguai.
Vestindo a camisa 6 do Brasil, Júlia entrou aos 41 minutos da partida contra o Equador, substituindo Nicoly de Almeida. O confronto terminou empatado em 0 a 0 e marcou oficialmente a primeira participação da jovem atleta em uma competição internacional defendendo a Seleção.
A competição acontece no Centro de Alto Rendimento de Futebol Feminino (CARFEM), em Ypané, no Paraguai, e reúne a equipe brasileira em uma sequência de partidas ao longo do mês de setembro.
Para a família, a estreia representa a concretização de um objetivo que Júlia havia colocado entre suas principais metas para 2026.
Da frustração à camisa da Seleção
A convocação para o Brasil ganhou ainda mais significado depois de uma frustração vivida pela atleta no início do ano.
Segundo o pai, Jardel de Oliveira, Júlia havia criado no fim de 2025 uma lista de objetivos para 2026. Entre eles estava justamente a convocação para a Seleção Brasileira.
Quando uma convocação aconteceu no início deste ano e o nome da jovem não apareceu, a expectativa deu lugar à frustração.
“A Júlia chorou, ficou muito triste. Ela tinha uma expectativa muito grande e naquele momento precisou lidar com uma frustração enorme. Mas aquilo não fez ela desistir”, conta o pai.
Meses depois, a oportunidade finalmente chegou.
Júlia foi convocada pela primeira vez para a Seleção Brasileira Sub-15 após se destacar nas categorias de base do Sport Club Internacional, onde atua como lateral-esquerda e zagueira.
A escolha aconteceu em meio a uma geração formada por atletas de diferentes clubes importantes do futebol feminino brasileiro.
“Saber que a Júlia foi escolhida dentro desse universo é motivo de um orgulho enorme. Mas, principalmente, porque a Seleção Brasileira sempre foi o maior objetivo dela neste momento da vida”, afirma Jardel.
Estreia aconteceu contra o Equador
A primeira oportunidade de Júlia em campo com a camisa a amarelinha aconteceu diante do Equador.
A partida terminou sem gols, mas marcou uma nova etapa na carreira da imbitubense. A jovem entrou aos 41 minutos, no lugar de Nicoly de Almeida.
A Seleção Brasileira voltou a campo pela segunda rodada e conquistou uma vitória por 4 a 2 sobre a Colômbia. Os gols brasileiros foram marcados por Marcela Bontorim, Nina de Deus e Mavi.
Com a sequência da competição, Júlia e a equipe brasileira ainda têm compromissos pela frente.
Brasil enfrenta Peru e Venezuela
O próximo compromisso da Seleção Brasileira está marcado para a tarde deste domingo (13), contra o Peru, às 15h40.
Depois, o Brasil enfrenta a Venezuela, na terça-feira (15), também às 15h40.
As finais estão previstas para o dia 19 de setembro.

Agenda de jogos do Brasil
- 13/09 – 15h40: Peru x Brasil
- 15/09 – 15h40: Venezuela x Brasil
- 19/09: Finais
Uma trajetória que começou em Imbituba
Antes de chegar ao Internacional e à Seleção Brasileira, Júlia era uma criança que encontrava no futebol uma brincadeira compartilhada com a família.
Foi em Imbituba, nos fundos da casa da avó Dorza, no bairro Nova Brasília, que surgiu uma das primeiras relações da jovem com a bola. Ela costumava jogar com o tio Pedro Henrique.
A brincadeira ganhou novos contornos quando Júlia começou a treinar de maneira mais estruturada, ainda criança.
Aos sete anos, já morando em Itajaí, passou a frequentar escolinhas e inicialmente treinava ao lado dos meninos. Mais tarde, entre os 10 e 11 anos, começou a treinar com meninas na Escolinha Fair Play, em Florianópolis.
O desempenho chamou atenção e levou a atleta a integrar o processo de monitoramento da Ferroviária, de Araraquara (SP).
Depois de aproximadamente um ano de avaliações e viagens para treinamentos, surgiu a oportunidade de fazer uma avaliação no Internacional.
Júlia foi aprovada.
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Mudança para Porto Alegre marcou nova fase
A entrada no Internacional também significou uma grande mudança na vida da atleta.
Para seguir a carreira no futebol, Júlia precisou deixar a convivência diária com os pais e passar a morar em Porto Alegre com a avó paterna, Dóris.
A jovem está prestes a completar dois anos vivendo na capital gaúcha. Nesse período, a rotina passou a ser dividida entre treinamentos, preparação física, jogos, competições e estudos.
O pai conta que a filha encara a rotina como uma profissão.
“Eu nunca vi a Júlia reclamar de cansaço para não ir a um treino. Nunca vi ela dizer que não queria treinar. Nunca vi ela procurar uma desculpa para não cumprir a rotina”, relata.
A dedicação também fez com que a atleta passasse a atuar em categorias acima de sua idade. Mesmo pertencendo ao Sub-15, Júlia também ganhou oportunidades no Sub-17 do Internacional.
Títulos ajudaram a abrir caminho para a Seleção
O momento vivido pela jovem no Internacional também é marcado por conquistas.
Recentemente, Júlia e as companheiras do Sub-15 conquistaram o Campeonato Gaúcho, superando o Grêmio na decisão.
No Sub-17, a atleta também disputou a decisão do Campeonato Brasileiro da categoria, ampliando a experiência competitiva em uma das principais categorias de base do futebol feminino nacional.
Para a família, o desempenho acumulado ao longo dos últimos anos ajudou a colocar Júlia no radar da Seleção.
Uma camisa que representa anos de dedicação
Para Jardel, ver a filha entrar em campo pelo Brasil é especialmente emocionante porque a imagem da atleta com a camisa da Seleção contrasta com as lembranças de quando tudo ainda era apenas uma brincadeira.
“A gente lembra daquela menina pequena jogando no quintal da avó em Imbituba e olha para ela hoje representando o Brasil em uma competição internacional. É emocionante demais”, afirma.
O pai também destaca que a convocação não pode ser vista apenas como resultado de talento.
Segundo ele, a trajetória foi construída por meio de treinos, viagens, mudanças, renúncias e pela capacidade da filha de superar momentos de frustração.
“Ela teve uma frustração no começo do ano. Chorou. Ficou triste. Poderia ter pensado que não era o momento dela. Mas ela continuou. E alguns meses depois, a convocação aconteceu”, conta.
Imbituba representada no futebol feminino brasileiro
A estreia de Júlia pela Seleção Brasileira coloca novamente o nome de Imbituba em evidência no cenário esportivo nacional.
A jovem que começou a jogar bola na infância, em Nova Brasília, hoje integra uma das principais categorias de formação do futebol feminino brasileiro e vive a experiência de representar o país em uma competição internacional.
Ainda há partidas pela frente no Paraguai. Mas, independentemente dos próximos resultados, a entrada em campo contra o Equador já representa um marco na trajetória da atleta.
A camisa 6 que Júlia veste agora carrega também parte da história construída longe dos grandes centros: a bola no quintal da avó, os primeiros treinamentos, a mudança para Porto Alegre, os títulos pelo Internacional e a persistência depois das primeiras frustrações.











