Imbituba e Garopaba estão entre os municípios da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) com mais casos de violência contra a mulher registrados no primeiro semestre de 2026. Dados apurados pelo Portal AHora junto ao Observatório da Violência contra a Mulher de Santa Catarina mostram que Imbituba contabilizou 406 ocorrências, ficando atrás apenas de Tubarão. Garopaba registrou 119 casos e ocupa a quarta posição entre as cidades da região com mais casos.

Ao todo, os 18 municípios que integram a Amurel registraram 2.261 ocorrências de violência contra a mulher entre janeiro e junho deste ano. Tubarão lidera o levantamento, com 634 casos, seguida por Imbituba, com 406, Laguna, com 329, e Garopaba, com 119.
Os registros incluem ameaças, calúnia, difamação e outras formas de violência. A idade média das vítimas é de 38 anos e, segundo o Observatório, 37,8% dos casos acontecem durante os fins de semana.

Os números reforçam a importância do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. Além de incentivar as denúncias e divulgar os direitos garantidos pela Lei Maria da Penha, a iniciativa também abre espaço para discutir formas de prevenção e segurança.
Como surgiu a data em Santa Catarina
O Agosto Lilás surgiu em 2022 como uma campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher em Santa Catarina. A iniciativa foi instituída pela Lei Estadual nº 18.299/2022 e tem como objetivo ampliar o debate sobre a violência de gênero, fortalecer a rede de proteção às vítimas e incentivar a denúncia de casos de agressão, especialmente durante o mês de agosto.
A campanha também faz referência aos 19 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, considerada um dos principais marcos legais no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Ao longo do mês, órgãos públicos, entidades e instituições promovem ações educativas, palestras e mobilizações para informar a população sobre os direitos das mulheres, os canais de denúncia e a importância da prevenção da violência.
Como identificar sinais de violência
De acordo com o Ministério das Mulheres, a violência contra a mulher nem sempre deixa marcas físicas e pode se manifestar por meio de ameaças, humilhações, xingamentos, controle excessivo, isolamento de familiares e amigos, perseguição, destruição de objetos pessoais, retenção de documentos ou controle do dinheiro e da rotina da vítima. Essas condutas são reconhecidas pela Lei Maria da Penha como formas de violência doméstica e familiar.
O órgão orienta que lesões frequentes sem explicação convincente, mudanças bruscas de comportamento, medo constante do companheiro, baixa autoestima, ansiedade, depressão e isolamento social também podem ser sinais de que a mulher está vivendo uma situação de violência. Em muitos casos, o agressor exerce controle sobre a rotina da vítima, impedindo que ela trabalhe, estude ou mantenha contato com familiares e amigos.
Segundo o Ministério das Mulheres, é importante que familiares, amigos e vizinhos estejam atentos a esses sinais, já que a violência costuma ocorrer de forma gradual e pode se agravar com o tempo, aumentando o risco de agressões mais severas e até de feminicídio. Diante de qualquer suspeita, a orientação é procurar a rede de proteção e denunciar o caso às autoridades competentes.
Denuncie
A violência contra a mulher pode se manifestar de diferentes formas, como agressões físicas, violência psicológica, sexual, patrimonial e moral. Em Santa Catarina, as vítimas podem buscar atendimento especializado por meio das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMIs), responsáveis pelo registro das ocorrências, instauração de inquéritos e solicitação de medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.
Além da atuação policial, a rede de proteção conta com o apoio do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que acompanha os processos criminais e fiscaliza a garantia dos direitos das vítimas, e do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), responsável pela análise e concessão de medidas protetivas, além do julgamento dos casos de violência doméstica e familiar.
As mulheres também podem procurar os Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e as Secretarias Municipais de Assistência Social, que oferecem acolhimento, orientação jurídica, acompanhamento psicossocial e encaminhamentos para serviços de saúde, assistência e proteção social.
Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível registrar denúncias por meio da Central de Atendimento à Mulher, no Ligue 180, canal gratuito e disponível em todo o país para orientações, denúncias e encaminhamento aos serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência.











