A safra da tainha continua rendendo bons resultados para os pescadores de Garopaba, Imbituba, Laguna e demais municípios do Litoral Sul de Santa Catarina. Dados atualizados pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) mostram que mais de 60% da cota extra liberada para a região já foi capturada.
Segundo o painel de monitoramento divulgado nesta quarta-feira (24), os pescadores do Sul catarinense retiraram 125,5 toneladas das 200 toneladas adicionais autorizadas pelo governo federal. O volume representa cerca de 63% da cota extraordinária destinada à modalidade de arrasto de praia.
Com isso, ainda restam aproximadamente 74,4 toneladas disponíveis para captura antes do encerramento da autorização especial.
Região concentra algumas das principais comunidades pesqueiras do estado
A ampliação da cota beneficia diretamente municípios tradicionalmente ligados à pesca artesanal da tainha, entre eles Garopaba, Imbituba e Laguna, além de Jaguaruna, Balneário Rincão, Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Passo de Torres.
A atividade tem grande importância econômica e cultural para o litoral sul catarinense, movimentando pescadores, comerciantes e comunidades inteiras durante a temporada de migração dos cardumes.
Em diversas praias da região, a safra deste ano foi marcada por lances históricos e redes cheias, cenário que reforçou a expectativa dos pescadores por uma ampliação dos limites de captura.
Cota extra foi liberada após pressão do setor
A autorização para a pesca adicional ocorreu após o encerramento antecipado da safra determinado pelo governo federal, quando o limite inicialmente estabelecido atingiu cerca de 90% de utilização.
A decisão gerou insatisfação entre pescadores catarinenses, especialmente porque a temporada vinha registrando resultados considerados acima da média em várias comunidades do litoral.
Diante da mobilização do setor pesqueiro, o Ministério da Pesca autorizou uma ampliação das cotas para permitir a continuidade da atividade em determinadas regiões.
Litoral Sul avança mais rápido que o Norte
Os números divulgados pelo MPA mostram que o ritmo de captura no Sul catarinense tem sido superior ao registrado no Norte do estado.
Enquanto os municípios do Litoral Sul já utilizaram 63% da cota adicional, o Litoral Norte consumiu cerca de 37% do volume extra liberado para a região.
No Norte, foram pescadas 84,2 toneladas das 230 toneladas disponibilizadas, restando ainda 145,7 toneladas para captura.
Entenda por que existem cotas para a pesca da tainha
Desde 2018, o governo federal adota um sistema de cotas para a captura da tainha em Santa Catarina. A medida busca equilibrar a atividade econômica com a preservação da espécie.
A partir de 2025, o controle também passou a valer para a modalidade de arrasto de praia, tradicionalmente utilizada por comunidades pesqueiras catarinenses.
Segundo o Ministério da Pesca, os limites são definidos com base em estudos científicos, avaliações dos estoques pesqueiros, registros de captura e debates com pescadores, pesquisadores, governos e representantes do setor.
Safra coincide com migração reprodutiva
A pesca da tainha ocorre durante o período de migração reprodutiva da espécie, quando grandes cardumes percorrem a costa brasileira e se aproximam das praias do Sul do país.
Esse comportamento torna os peixes mais acessíveis à pesca artesanal, uma tradição centenária que continua sendo uma das marcas culturais mais fortes de cidades como Garopaba, Imbituba e Laguna.
De acordo com o governo federal, o estabelecimento de cotas é considerado essencial para evitar a sobrepesca e garantir que os estoques da espécie permaneçam saudáveis para as próximas gerações de pescadores.
Com informações do Ministério da Pesca e Aquicultura e Portal Engeplus











