O talento que começou a ser tecido ainda na juventude hoje atravessa fronteiras e coloca Imbituba no circuito nacional do artesanato. Professora, educadora e artesã, Ana Futema vem conquistando espaço nas maiores feiras de artesanato do Brasil com projetos que unem criatividade, sustentabilidade, cultura, solidariedade e geração de renda.
Paulistana de nascimento, Ana escolheu Imbituba para viver com a família há cinco anos. Foi na cidade que encontrou novas inspirações e, principalmente, uma conexão especial com a cultura e a comunidade local. Uma história que ganhou um capítulo importante em 2023, quando conheceu a Casa Açoriana de Vila Nova.
O encontro foi daqueles que mudam caminhos. Ana se apaixonou pela cultura açoriana e pela comunidade e, desde então, passou a colaborar na coordenação da área de artesanato da entidade, trabalhando lado a lado com artesãos e ajudando a desenvolver projetos que valorizam o saber fazer manual e fortalecem a economia criativa local.

De projeto em projeto, uma trajetória que ganhou o Brasil
Um dos primeiros movimentos dessa caminhada foi o Amor ao Quadrado, projeto que continua reunindo mulheres de diferentes idades na Casa Açoriana para multiplicar quadrados de crochê que posteriormente são transformados em mantas destinadas à doação para pessoas que necessitam de apoio em Imbituba.
“Primeiro veio o projeto ‘Amor ao Quadrado’, no qual, até hoje, mulheres de várias idades se reúnem na Casa Açoriana para multiplicar quadrados de crochê em mantas para doação aos que mais precisam em Imbituba”, conta Ana.

Em 2025, a artesã deu mais um passo importante ao participar do projeto Experiência Franca: Tradição, Inovação e Empreendedorismo, realizado no Lab Lugar. A iniciativa buscou fortalecer a confiança de empreendedoras e artesãs locais e fomentar a economia criativa na região de Imbituba.
Para Ana, a experiência foi decisiva. A capacitação ajudou a dar vida a coleções autorais com identidade cultural e abriu caminho para uma nova fase de sua trajetória.
Pouco depois, com capacitação recebida pelo Sebrae, nasceu a Do Mar, iniciativa que encontrou na sustentabilidade uma das suas principais matérias-primas: redes de pesca descartadas e resíduos têxteis provenientes da indústria de confecção de Santa Catarina passaram a ser transformados em bolsas e acessórios de moda sustentável.
E o que poderia ser simplesmente descarte ganhou uma nova vida pelas mãos dos artesãos.

Do Mar e Nós do Mar chegam às maiores vitrines do artesanato brasileiro
O trabalho ganhou projeção nacional e, em julho deste ano, os produtos da Do Mar foram apresentados na Fenearte, em Olinda, Pernambuco, considerada a maior feira nacional de artesanato.
A participação no evento abriu ainda mais portas e mostrou que iniciativas nascidas a partir da criatividade e do trabalho coletivo em Imbituba podem alcançar públicos de todo o país. E o resultado foi além da própria coleção.
Na esteira do sucesso da Do Mar, nasceu o Nós do Mar, um grupo de mulheres criado com o propósito de gerar renda por meio do artesanato e ampliar o alcance do trabalho desenvolvido.

Agora, apenas dois meses depois da experiência em Pernambuco, a coleção ganhou novamente as estradas e chegou a outro dos grandes eventos do segmento no país: o Fenacce – Festival Nacional de Artesanato e Cultura do Ceará, em Fortaleza.
Até o dia 13 de setembro, Ana Futema, seu esposo Wilson Futema, que ela carinhosamente chama de seu “parceirão para tudo”, além de outros artesãos catarinenses e representantes de diversas regiões do Brasil, apresentam seus trabalhos ao público cearense.
E a receptividade tem sido motivo de orgulho para quem acompanha a trajetória.
Em meio a tantos expositores, técnicas, cores, materiais e histórias vindas de diferentes partes do Brasil, os trabalhos desenvolvidos pelo coletivo Nós do Mar vêm chamando a atenção do público, levando para Fortaleza um pouco da criatividade e da identidade construída em Imbituba.

Arte, sustentabilidade e solidariedade
Mais do que produzir peças bonitas e comercialmente atrativas, os projetos coordenados por Ana carregam uma mensagem.
No Amor ao Quadrado, o artesanato se transforma em solidariedade. Na Do Mar, resíduos que seriam descartados ganham novas possibilidades. E no Nós do Mar, o trabalho artesanal passa a ser também uma ferramenta de autonomia e geração de renda para mulheres.
É a economia criativa funcionando na prática, com raízes fincadas na comunidade.

E boa parte dessa história acontece dentro da própria Casa Açoriana de Vila Nova, espaço que Ana considera fundamental para a realização das iniciativas.
Segundo ela, atualmente os projetos Amor ao Quadrado e Nós do Mar são desenvolvidos na Casa Açoriana com o apoio do presidente João Batista Dias, do diretor Ronaldo Augusto Pires, dos associados, alunos e demais dirigentes da entidade.

Assim, a trajetória que começou há décadas, quando Ana ainda era uma jovem apaixonada pelo artesanato, hoje ganha uma dimensão que ultrapassa as fronteiras de Imbituba.
É uma história sobre pessoas, criatividade e pertencimento. Sobre transformar materiais, ideias e oportunidades em algo novo. E, principalmente, sobre mostrar que o artesanato produzido a partir de uma comunidade pode chegar muito longe. De Vila Nova para Olinda. De Olinda para Fortaleza. E de Imbituba para o Brasil.

Quer fazer parte?
Mulheres interessadas em participar dos projetos Amor ao Quadrado e Nós do Mar podem procurar a professora Ana Futema na Casa Açoriana ou entrar em contato pelo telefone/WhatsApp (11) 99861-0269.
A proposta é simples, mas poderosa: reunir pessoas, compartilhar conhecimentos, valorizar o trabalho manual e transformar criatividade em solidariedade, sustentabilidade e oportunidade.










