A Polícia Civil de Imbituba revelou que investiga o caso de furto de medidores de energia de um depósito da CELESC, a atuação de investigados na venda irregular de terrenos e o possível envolvimento de um servidor público municipal no esquema criminoso.
Os delegados Nicola Patel e Susana Seibel destacaram que a investigação visou identificar suspeitos que cometiam estelionato. Segundo a operação, os investigados falsificavam documentos. “Com isso, eles logravam terceiros de boa fé, vendendo esses imóveis, que depois não conseguiam regularizar porque pertenciam a terceiros”, conta a delegada.
As informações foram reveladas durante a coletiva de imprensa realizada na Prefeitura de Imbituba, com a presença do prefeito Michell Nunes e do secretário de Segurança Pública, Trânsito e Fiscalização, Adriano dos Passos, que se pronunciaram em relação ao servidor municipal que foi prontamente exonerado pelo prefeito.
“O servidor público foi exonerado já no início da tarde. O caso vai ser investigado. Ele foi afastado por 180 dias. E a investigação vai dar o procedimento e esclarecer todos os fatos”, destacou o prefeito.
Origem dos medidores é alvo de apuração
Durante a coletiva, questionamentos da imprensa abordaram a origem dos medidores de energia utilizados no esquema. O delegado Nicola Patel explicou que novos elementos de prova foram coletados ao longo das investigações, incluindo a identificação do local onde os equipamentos estavam armazenados.
“Hoje foram realizadas coletas de outros elementos de prova. Nós identificamos o almoxarifado onde eles estavam. Em razão do tempo entre a subtração dos medidores e o início das investigações, houve perda de imagens e até de possíveis testemunhas”, afirmou.
Segundo o delegado, há indícios do crime, com registro de peculato, independentemente de eventual vínculo dos envolvidos com o serviço público. Ele destacou ainda que os equipamentos não foram subtraídos em Imbituba.
“Esse local não fica no município. Trata-se de um depósito central da CELESC”, completou.
A Polícia Civil informou que segue em cooperação com a prefeitura e a companhia de energia para aprofundar as investigações e identificar todos os envolvidos.

Investigados atuavam na venda irregular de imóveis
Questionada durante a coletiva sobre o perfil dos alvos das prisões e buscas, a delegada Susana Seibel Kloeckner afirmou que os investigados atuavam na comercialização de imóveis irregulares. Segundo ela, tratam-se de pessoas que exerciam uma espécie de intermediação, semelhante à atividade de corretores, porém sem necessariamente possuir registro profissional. Ainda conforme a delegada, todos os investigados são homens.
Prefeitura nega envolvimento e destaca exoneração
Durante a coletiva, a Prefeitura de Imbituba reforçou que não possui envolvimento institucional com o caso. O prefeito Michell Nunes afirmou que a gestão não vai tolerar irregularidades. “De maneira alguma, no nosso governo, nem no início, nem no meio, nem no final, vai ter alguma situação que a gente vai passar pano”, destaca.

Segundo ele, o servidor citado na investigação era comissionado, mas não havia contato direto com o mesmo.
O secretário de Segurança Pública, Trânsito e Fiscalização, Adriano dos Passos, destacou que o funcionário exonerado não tem nenhum vínculo com a secretaria. “Ele é um ex-funcionário, lotado na SEGED (Secretaria de Gestão e Desburocratização), não na Segurança Pública”.
A administração informou que, ao tomar conhecimento dos fatos, realizou a exoneração do funcionário, com publicação no Diário Oficial no início da tarde de terça-feira. O servidor também foi afastado por 180 dias.

Polícia Civil reforça independência
Os delegados de Imbituba destacaram que a investigação ocorre de forma independente e pode avançar conforme a análise dos materiais apreendidos. “A gente vai investigar quem tiver que investigar”, afirmaram. A corporação também ressaltou que o envolvimento do servidor público foi identificado a partir dos desdobramentos das apurações.
Relembre o caso
Na manhã desta terça-feira (8), a Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou duas operações simultâneas em Imbituba. As ações resultaram no cumprimento de quatro mandados de prisão e dez mandados de busca e apreensão.
As investigações começaram após a identificação de um esquema de furto e comercialização clandestina de medidores de energia, utilizados para abastecer áreas ocupadas irregularmente, algumas delas em Áreas de Preservação Permanente (APP).
O que é grilagem de terras e furto de energia elétrica
A grilagem de terras é quando alguém ocupa ou vende um terreno que não é seu, muitas vezes de forma ilegal, como em casos de invasão ou venda de imóveis sem documentação válida. Esse tipo de prática pode envolver também áreas protegidas, o que agrava a situação.
Já o furto de energia elétrica acontece quando há uso de energia sem autorização da concessionária, como em ligações clandestinas ou uso irregular de equipamentos.
Esses crimes podem gerar consequências sérias. No caso da grilagem, os envolvidos podem responder por invasão de terreno, fraude na venda de imóveis e até participação em grupo criminoso. Já no furto de energia, a prática é considerada crime e pode levar à prisão, além da obrigação de pagar pelo consumo irregular.











