O engenheiro imbitubense José Pedro Francisconi Junior, mestre e servidor do Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina (LabTrans/UFSC), está à frente de um dos mais importantes projetos já desenvolvidos no país para a segurança da aviação civil. Liderando a cooperação entre a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), do Ministério de Portos e Aeroportos, e a UFSC, Francisconi comandou o grandioso Projeto Risco de Fauna, iniciativa inédita que promete reduzir colisões entre aves e aeronaves em aeroportos brasileiros.
A entrega oficial do projeto ocorreu nesta terça-feira (28), marcando um avanço histórico para a aviação nacional. A iniciativa cria uma base científica inédita no Brasil para identificação de espécies de aves envolvidas em colisões com aeronaves, permitindo ações muito mais eficazes de prevenção e mitigação dos chamados “riscos de fauna”, principalmente durante pousos e decolagens.
O trabalho liderado pelo engenheiro imbitubense enfrentou um problema histórico do setor aéreo brasileiro: mais da metade das colisões registradas no país não possuíam identificação da espécie envolvida, dificultando medidas preventivas e elevando os riscos operacionais.
Para mudar essa realidade, o projeto passou a utilizar análises genéticas de DNA na identificação das aves, especialmente nos casos em que os vestígios encontrados eram insuficientes para métodos tradicionais. A tecnologia permitiu ampliar significativamente a precisão das informações, identificar padrões migratórios próximos aos aeroportos e orientar estratégias mais eficientes para evitar acidentes.
“O Brasil passa a contar com uma base sólida, construída com ciência e cooperação, que muda a forma de enfrentar o risco de fauna na aviação. É uma entrega estruturante, que melhora a segurança agora e orienta decisões pelos próximos anos”, destacou o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo.
Confira a apresentação do projeto
Projeto teve alcance nacional e investimento milionário
Sob liderança técnica de José Pedro Francisconi Junior, o projeto operou como uma verdadeira rede nacional de monitoramento, envolvendo 42 aeroportos brasileiros e o apoio de pelo menos três universidades nas análises laboratoriais.
Ao todo, o Governo Federal investiu mais de R$ 11 milhões no custeio das análises genéticas e na estruturação do sistema. Durante a execução do projeto, foram analisadas 584 amostras, permitindo a identificação de 84 espécies diferentes de aves envolvidas em colisões e ocorrências aeronáuticas.
Todo o processo foi integrado pelo sistema SAC Fauna ID, ferramenta que acompanha cada etapa da análise, desde a coleta das amostras até a emissão dos laudos técnicos e publicação dos dados para monitoramento.
Além das identificações genéticas, o projeto disponibilizou uma série de ferramentas inéditas para operadores aeroportuários e órgãos públicos, entre elas:
- Boletim Informativo Mensal com resultados das análises genéticas
- Monitor do Risco de Fauna com atualização constante dos cenários
- Conjuntura do Risco de Fauna para análise de tendências
- Guia de Espécies com informações sobre comportamento e mitigação
- Sistema de Medidas de Mitigação com mais de 5 mil ações cadastradas para 122 espécies e 216 grupos faunísticos
Segurança aérea e redução de custos
As colisões entre aves e aeronaves representam um dos problemas mais recorrentes da aviação mundial e podem causar danos graves às aeronaves, interrupções de voos e até acidentes fatais.
Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) apontam que, entre 2011 e 2020, o Brasil registrou mais de 20 mil colisões entre animais e aeronaves, com média superior a 2 mil ocorrências por ano.
Além dos riscos à vida humana, os impactos financeiros também são gigantescos. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), cada colisão gera custo médio de cerca de US$ 66 mil em manutenção, podendo ultrapassar US$ 200 mil em casos mais graves.
Somente em 2025, aproximadamente 35 mil passageiros tiveram voos impactados devido à necessidade de manutenção causada por colisões com aves.

Engenheiro Francisconi: Trajetória técnica consolidada
Com ampla experiência em infraestrutura, gestão ambiental e gerenciamento de riscos socioambientais, José Pedro Francisconi Junior construiu uma carreira marcada pela atuação em grandes projetos nacionais.
O engenheiro possui experiência na estruturação e gerenciamento de contratos ambientais e técnicos, elaboração e supervisão de projetos de infraestrutura, licenciamento ambiental, gestão de emissões de gases de efeito estufa e adaptação da infraestrutura às mudanças climáticas.
Ao longo da carreira, atuou na assessoria técnica ambiental de cerca de 60 obras de infraestrutura e participou da gestão de aproximadamente 100 processos de licenciamento ambiental, além de acompanhar dezenas de estudos e projetos em diferentes modais de transporte, incluindo rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e aeroportos.
Também possui experiência em projetos financiados por organismos internacionais como BID, CAF, BNDES e Banco do Brasil, além de atuação em sistemas informatizados de gerenciamento ambiental e coordenação de audiências públicas.
Agora, o nome do engenheiro imbitubense passa a ficar ligado a um projeto considerado estratégico para o futuro da aviação brasileira, unindo ciência, tecnologia, preservação ambiental e segurança operacional em escala nacional.










