Garopaba deu nesta sexta-feira (21) um novo passo histórico no planejamento da saúde municipal com a apresentação do projeto para implantação de um Hospital Municipal de Garopaba. O anúncio ocorreu durante o evento Garopaba +Saúde, promovido pela Prefeitura e pela Secretaria Municipal de Saúde, e foi apresentado como uma das principais iniciativas para ampliar a estrutura de atendimento no município.
O projeto prevê um modelo de parceria entre o poder público e a iniciativa privada, com a destinação de 60% da capacidade para atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 40% para pacientes de convênios e atendimento particular.
A proposta ainda passará por etapas administrativas e técnicas antes da definição da empresa responsável. Segundo o prefeito Júnior de Abreu, a expectativa é que o hospital seja entregue até julho de 2028, caso o cronograma previsto avance conforme planejado.
Hospital é apresentado como resposta ao aumento das transferências
Durante a apresentação, o secretário municipal de Saúde, Fabrício, destacou que a construção de uma estrutura hospitalar própria passou a ser discutida a partir da análise dos dados de atendimento e das transferências de pacientes de Garopaba para outras cidades.

Segundo os dados apresentados pela Secretaria de Saúde, o número de internações de moradores do município passou de 1.602 em 2022 para 2.429 em 2025, crescimento de aproximadamente 50% no período.
A equipe técnica também projetou cerca de 6 mil transferências de pacientes para hospitais de outros municípios entre junho de 2026 e o final de 2030, considerando o histórico e a evolução da demanda.
Segundo a secretaria, os números indicam que a necessidade de uma estrutura hospitalar não está relacionada apenas ao crescimento futuro de Garopaba, mas à demanda existente atualmente.
A proposta apresentada prevê inicialmente entre 31 e 40 leitos hospitalares, além de uma estrutura com seis a dez leitos de UTI adulto, dois centros cirúrgicos, atendimento para internações clínicas e cirúrgicas e um equipamento de tomografia.
A definição final da estrutura, no entanto, dependerá do desenvolvimento do projeto e da proposta que será apresentada pela empresa responsável pelo futuro empreendimento.
Menos transferências e mais segurança para os pacientes
Um dos principais argumentos apresentados durante o evento foi a necessidade de reduzir deslocamentos de pacientes para outras cidades.
Atualmente, segundo os números apresentados pela Secretaria de Saúde, Garopaba possui zero leitos hospitalares próprios e depende da rede regional para internações e procedimentos de maior complexidade.
Fabrício destacou que a distância e as condições das estradas, especialmente em deslocamentos pela região, podem representar um fator adicional de risco e demora para pacientes que precisam de atendimento hospitalar.
A situação ganha ainda mais relevância em casos graves, quando o paciente precisa ser transportado utilizando equipamentos de suporte à vida.
Para a equipe técnica, a implantação do hospital poderá representar não apenas uma redução nos deslocamentos, mas também menor tempo de resposta, mais segurança e continuidade do atendimento dentro do próprio município.
O secretário citou ainda que o transporte de saúde já representa uma operação significativa para o município. Até o fim do primeiro semestre de 2026, mais de 21 mil pessoas haviam sido transportadas para atendimento fora de Garopaba, segundo os dados apresentados.
No mesmo período, a frota percorreu aproximadamente 450 mil quilômetros, distância comparada durante a apresentação a cerca de 11 voltas ao redor da Terra.
Modelo prevê 60% dos atendimentos pelo SUS
O prefeito Júnior de Abreu explicou que a alternativa de uma parceria público-privada foi estudada diante dos custos envolvidos na implantação e manutenção de uma estrutura hospitalar.
Segundo ele, o município não teria condições de assumir sozinho todos os custos necessários para manter um hospital, motivo pelo qual a administração passou a trabalhar com um modelo que combine atendimento público e privado.
A proposta prevê 60% da estrutura destinada ao SUS e 40% para convênios e atendimento particular.
Na avaliação apresentada pela administração, a presença da rede privada também poderia ampliar a sustentabilidade do empreendimento, sem retirar a prioridade prevista para o atendimento público.
O prefeito destacou que moradores que possuem planos de saúde e atualmente precisam procurar atendimento hospitalar em outras cidades também poderiam ser atendidos no futuro hospital de Garopaba.
Prefeitura prevê cessão de terreno e investimento de até R$ 5 milhões
De acordo com Júnior de Abreu, o modelo em estudo prevê que o município disponibilize um terreno localizado em frente ao GPA para a implantação da estrutura.
A proposta apresentada prevê a cessão do terreno por 30 anos, com possibilidade de renovação por igual período, conforme as condições que serão estabelecidas no processo.
Além do terreno, o município prevê um investimento de até R$ 5 milhões, com os pagamentos vinculados à execução da obra.
O prefeito explicou que a administração pretende lançar um edital para receber propostas de empresas interessadas. Após o período previsto para apresentação das propostas, uma equipe técnica deverá analisar os projetos e definir a alternativa considerada mais adequada.
Somente depois dessa etapa é que a proposta deverá seguir para a Câmara de Vereadores, onde os parlamentares terão de analisar a autorização necessária para a cessão do imóvel e a continuidade do projeto.
Segundo o cronograma apresentado, a expectativa é que a obra tenha prazo de aproximadamente 18 meses e seja concluída até julho de 2028.
Projeto ainda depende de etapas administrativas
Durante a apresentação, Júnior ressaltou que o anúncio não significa que a obra começará imediatamente.
A administração pretende primeiro verificar a existência de empresas interessadas e analisar a viabilidade das propostas. Caso o processo não tenha interessados ou seja considerado inviável, a Prefeitura poderá buscar outra alternativa para viabilizar o hospital.
A estratégia, segundo o prefeito, é evitar a cessão antecipada do patrimônio público antes de existir uma proposta concreta para a construção e manutenção da estrutura.
A proposta também deverá passar pelo Legislativo municipal antes da formalização das etapas seguintes.
Médica destaca mudança no atendimento da população
A médica efetiva do município, Evelyn, que participou da elaboração técnica do projeto, destacou durante o evento que a proposta nasceu a partir da análise do perfil dos pacientes atendidos e das transferências realizadas pelo município.
Segundo ela, os dados históricos mostram não apenas o aumento do número de transferências, mas também uma mudança na complexidade dos casos encaminhados para hospitais de outras cidades.
A profissional explicou que o estudo buscou identificar quais tipos de atendimento e internação poderiam ser absorvidos por uma estrutura hospitalar em Garopaba.
A proposta inicial contempla principalmente internações clínicas e cirúrgicas, cirurgias de baixa e média complexidade e uma estrutura de UTI adulto.
Entre os procedimentos citados durante a apresentação estão cirurgias gerais, atendimentos relacionados a fraturas simples e procedimentos urológicos de menor complexidade.
A médica também ressaltou que casos de alta complexidade continuariam dependendo da rede estadual e regional de referência.
“A gente está criando mais um dispositivo de saúde para atender melhor a população.”
Tomografia e centro cirúrgico também estão previstos
Além dos leitos e da UTI, o projeto prevê dois centros cirúrgicos e um equipamento de tomografia.
A inclusão da tomografia foi apresentada como parte da estrutura necessária para dar suporte ao funcionamento do hospital e da própria UTI.
Atualmente, pacientes de Garopaba que necessitam desse tipo de exame podem precisar se deslocar para outros municípios.
Com a nova estrutura, a intenção é ampliar a capacidade de atendimento dentro da própria cidade.
A equipe também destacou que o projeto foi pensado com possibilidade de expansão futura, permitindo que novos serviços e especialidades sejam incorporados posteriormente.
Entre as possibilidades mencionadas durante o evento estão a ampliação da capacidade cirúrgica e, futuramente, a implantação de outros serviços de maior complexidade.
Garopaba +Saúde também apresentou avanços na rede municipal
O anúncio do hospital ocorreu dentro de uma apresentação mais ampla sobre os investimentos e mudanças realizados na saúde de Garopaba.
Antes de apresentar o projeto hospitalar, o secretário Fabrício apresentou números relacionados à atenção básica, pronto atendimento, farmácia municipal, saúde mental, transporte de pacientes, exames e especialidades.
Segundo os dados apresentados, foram registrados 178.340 atendimentos na atenção básica e no pronto atendimento em quatro meses, enquanto a farmácia municipal contabilizou mais de 46 mil atendimentos no primeiro semestre de 2026.
A administração também destacou a ampliação da oferta de medicamentos, exames e consultas especializadas.
Outro projeto apresentado durante o evento foi o Centro Especializado em Reabilitação (CER), que deverá reunir serviços de especialidades e terapias em um mesmo espaço.
CER deve ampliar atendimento especializado
A médica Evelyn explicou que o futuro centro de reabilitação deverá concentrar diferentes profissionais e serviços, incluindo áreas como fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, assistência social e especialidades médicas.
A estrutura também deverá atender pacientes que necessitam de reabilitação após fraturas e outros procedimentos, além de ampliar o atendimento destinado a pessoas com deficiência intelectual e transtorno do espectro autista.
A expectativa apresentada durante o evento é de que o novo espaço possa começar a funcionar em janeiro, caso o cronograma avance conforme previsto.
Um projeto anunciado como marco para a saúde de Garopaba
Para o prefeito Júnior de Abreu, a proposta do hospital representa uma mudança estrutural na saúde do município.
Durante o discurso, o prefeito classificou o projeto como ousado, mas ressaltou que a iniciativa foi construída a partir de estudos técnicos e da análise das necessidades atuais da população.
A administração também relacionou a proposta à redução dos deslocamentos, à segurança dos pacientes e à ampliação da capacidade de atendimento.
A construção do hospital, contudo, ainda depende das próximas etapas do processo: lançamento do edital, recebimento e análise das propostas, elaboração dos documentos necessários e posterior avaliação pela Câmara de Vereadores.
Se o cronograma apresentado pela Prefeitura for mantido, a expectativa é que Garopaba deixe de ter zero leitos hospitalares próprios e passe a contar com uma estrutura de até 40 leitos, UTI adulto e capacidade cirúrgica até 2028.
A proposta agora entra em uma nova fase, na qual a participação das empresas interessadas, a análise técnica e a tramitação no Legislativo deverão definir os próximos passos para que o projeto saia do papel.











