Um ex-morador de Imbituba decidiu deixar o Brasil e se voluntariar para lutar na guerra da Ucrânia. Johnatan Claudino, de 30 anos, que usa o codinome “Catarina”, afirma que o conflito despertou seu interesse em 2023, ao acompanhar relatos de violência contra a população ucraniana, e que embarcou em 2024 por um sonho de infância de seguir a carreira militar e “buscar experiências militantes”.
Sem poder revelar onde está atualmente, ele descreve uma rotina marcada por alerta constante, mudanças rápidas no cenário e sono prejudicado. “Quando você está em missão, tende a ser uma rotina muito estressante. Você nunca sabe o que te espera e o que irá acontecer; tudo muda muito rápido”, contou.
“A guerra é como um filho no CTI”
Segundo Johnatan, comunicar a decisão à família foi um dos momentos mais difíceis. Ele diz que, no início, os parentes não aceitaram a ideia de vê-lo partir para um conflito em outro país, com risco real de não retornar.
“A guerra é como um filho no CTI: você não sabe como vai voltar e se vai voltar”, afirmou.
Medo que vira rotina, mas nunca some

Ele relata que o medo aparece com força nas primeiras experiências, sirenes, correria para abrigos e ataques próximos, mas que, com o tempo, a mente “se acostuma” porque a tensão passa a fazer parte do dia a dia.
“Hoje já me acostumei com tudo isso, porém o medo de cada missão sempre irá existir. Ali você executa a missão ordenada e não sabe se volta”, disse.
A cena que ele diz não esquecer
Questionado sobre o episódio mais duro desde que chegou ao país, Johnatan menciona a morte de um colega que estava com ele desde o começo. “A imagem de um colega morto de forma muito brutal, caído ao solo”, relatou.
Entre as coisas que mais o surpreenderam, ele cita o acolhimento do povo ucraniano, mesmo em meio ao conflito. “O povo é acolhedor, educado e grato… por estarmos ali ajudando e combatendo lado a lado”, afirmou.
Ao mesmo tempo, diz que o cenário visto nas ruas é mais devastador do que o que costumava acompanhar à distância: “Cidades destruídas, pessoas vivendo em alojamentos sem seus lares, cidades inteiras dizimadas”.
Frio extremo e saudade de casa
Quando pensa em Imbituba, Johnatan diz que o que mais sente falta é da família e de pequenas rotinas: “Do almoço de domingo, da comida caseira da mãe, do calor do nosso verão”. Segundo ele, a saudade aumenta diante das condições climáticas no período em que fala: “Estamos em um inverno tenebroso, com -20°C”.
Ele afirma que a experiência mudou sua forma de enxergar o cotidiano. “Foi na guerra que aprendi o valor da vida”, disse, ao citar o que passou a valorizar mais: família, amigos e fé.
“Respeitem a decisão dos voluntários”
Ao final, Johnatan pede que as pessoas evitem julgamentos sobre quem decide se voluntariar no conflito. “A guerra é sofrimento para todas as idades… Viemos aqui com propósito e princípios. As pessoas deveriam respeitar a decisão dos combatentes que vêm ajudar”, concluiu.











