Imbituba pode até parecer pequena no mapa, mas foi dali que Ana, hoje com 21 anos, construiu um caminho que ultrapassou fronteiras digitais. Nascida e criada no município, ela deixou uma trajetória acadêmica tradicional para apostar em um sonho antigo e transformou a paixão por aprender e ensinar inglês em um projeto de vida que hoje alcança mais de 400 mil pessoas nas redes sociais.
Conhecida por vídeos dinâmicos, didáticos e cheios de energia, Ana chama a atenção pela forma leve com que aborda o aprendizado do idioma. Fora das telas, no entanto, ela se descreve como alguém mais introspectivo, que valoriza o silêncio, os livros e uma boa xícara de chá para recarregar as energias. Segundo ela, esse equilíbrio é essencial para manter a criatividade e a conexão com quem a acompanha.
Mudança de rota sem arrependimentos
Os planos iniciais eram outros. Ana chegou a iniciar o curso de Direito, mas, paralelamente, já produzia vídeos para o YouTube, onde mostrava sua rotina de estudos e compartilhava dicas para aprender inglês. O idioma sempre fez parte da sua vida e começou a ser estudado de forma autodidata ainda aos 11 anos.
Com o crescimento do público, os seguidores passaram a pedir algo além dos vídeos gratuitos. Queriam aprender diretamente com ela. Foi nesse momento que Ana percebeu que o projeto poderia se tornar uma profissão. Sem hesitar, mudou de área, ingressou no curso de Letras em Inglês, e decidiu seguir o caminho da docência.

Empreender longe dos grandes centros
Construir uma carreira digital a partir de uma cidade pequena nunca foi visto por Ana como um impedimento definitivo. Para ela, viver em Imbituba é também um privilégio. Depois de horas dedicadas ao planejamento de aulas, gravações e edição de conteúdos, é na tranquilidade da cidade e no contato com a natureza que ela encontra equilíbrio.
Ainda assim, ela reconhece desafios. A distância dos grandes centros limita convites presenciais, eventos e algumas oportunidades ligadas à publicidade. Mesmo assim, Ana reforça que, quando o propósito é ensinar, a localização deixa de ser um obstáculo. A internet, segundo ela, encurta distâncias e permite que o trabalho alcance pessoas em qualquer lugar.
Uma nova geração conectada
Ana se vê como parte de uma geração que cresceu conectada. Começou a criar conteúdo aos 16 anos, inicialmente sem grandes pretensões, apenas mostrando como estudava inglês sozinha em casa. Com o tempo, o projeto ganhou forma, identidade e público fiel.
Essa familiaridade com o ambiente digital, segundo ela, tornou sua geração mais adaptável e multifuncional. Além de ensinar, foi preciso aprender a lidar com produção de conteúdo, estratégia, comunicação e gestão do próprio negócio.

Persistência além dos números
Apesar do crescimento expressivo nas redes, o caminho não foi rápido. Ana conta que levou anos até ver retorno financeiro. No início, subestimou a complexidade do trabalho digital e precisou aprender sozinha a roteirizar, gravar, editar, publicar e administrar todas as etapas do projeto.
Pensar em desistir fez parte do processo. A constância exigida pelas redes sociais e a comparação com histórias de sucesso imediato pesaram em alguns momentos. O que a manteve no caminho, segundo ela, foram as mensagens de pessoas que começaram a estudar inglês por sua causa. Esse impacto real deu sentido ao esforço diário.
Planos para o futuro
Os próximos passos envolvem crescimento e aprofundamento. Ana quer se tornar uma professora cada vez melhor e ampliar o acesso ao inglês, idioma ainda restrito a uma parcela pequena dos brasileiros. Para isso, aposta em formação contínua e no desenvolvimento de novos formatos de ensino.
Entre os projetos futuros está a criação de uma mentoria, voltada para alunos que buscam acompanhamento mais próximo, orientação personalizada e organização nos estudos. A ideia é ir além das aulas tradicionais e ajudar pessoas a criarem constância e confiança no aprendizado do idioma.
Por enquanto, os planos não incluem deixar Imbituba. A proximidade com a família pesa na decisão. Ainda assim, Ana segue expandindo seu trabalho a partir da cidade, provando que não é o tamanho do lugar que define o alcance de um sonho.












