Há histórias que não terminam quando alguém desaparece. Elas permanecem na espera, nas perguntas sem resposta e na esperança de que, a qualquer momento, uma mensagem, uma ligação ou um novo avistamento possa mudar tudo.
É assim que Fabiana vive há quase seis meses. Desde 5 de março de 2026, quando Bunga, seu cão de estimação, desapareceu em Garopaba, ela mantém uma busca que já passou por ruas, bairros, áreas de mata, redes sociais, cartazes, panfletos, madrugadas e diferentes tentativas de localizar o animal.
Mais do que encontrar Bunga, Fabiana busca encerrar uma espera que se tornou parte da rotina. Ela quer saber onde o cão está e, principalmente, ter novamente ao seu lado o animal que faz parte de sua família há cerca de uma década.
Bunga não é apenas um cachorro para Fabiana
A história entre os dois começou há cerca de dez anos, quando Fabiana ainda construía a própria casa e decidiu adotar um cachorro.
Naquele período, ela ainda não tinha condições de levá-lo para sua nova residência. Mesmo assim, decidiu que aquele cão faria parte de sua vida. Com o passar dos anos, o vínculo entre os dois se tornou cada vez mais forte.
O nome também nasceu dentro da família. Segundo Fabiana, os sobrinhos escolheram Bunga por causa da aparência do cachorro, que lembrava um personagem de desenho animado de mesmo nome.
Anos depois, Fabiana se mudou para os Estados Unidos, onde construiu uma nova vida e formou sua família. Mesmo à distância, porém, Bunga continuou presente.
Ela conta que conversava com ele por telefone e recebia fotos e vídeos enviados pela família. Quando voltava ao Brasil, segundo Fabiana, Bunga a reconhecia e corria ao seu encontro.
O plano sempre foi levá-lo para morar com ela nos Estados Unidos.

O reencontro que estava sendo planejado
Durante anos, Fabiana trabalhou para viabilizar a viagem de Bunga para os Estados Unidos. O processo envolvia documentação, exames, exigências sanitárias e outros procedimentos necessários para o transporte internacional.
A ideia era que, finalmente, o cão pudesse voltar a morar com ela.
Enquanto Bunga realizava os exames necessários para que a viagem fosse possível, porém, ele desapareceu.
A partir daquele momento, começou uma corrida contra o tempo.
Fabiana voltou às pressas ao Brasil e fez tudo o que podia para encontrar Bunga. Uma busca movida pelo amor por um companheiro que fazia parte de sua vida havia dez anos.
Cartazes, redes sociais e diferentes estratégias foram utilizados na tentativa de encontrar alguma pista.

Uma busca que mobilizou diferentes estratégias
Desde o desaparecimento, a família e pessoas que se mobilizaram para ajudar passaram a procurar por Bunga em diferentes pontos de Garopaba.
Foram distribuídos panfletos, colocados cartazes e divulgadas informações nas redes sociais.
Fabiana também recorreu a carro de som, rádio, impulsionamento de publicações, buscas a pé e de carro, armadilhas e cão farejador.
A família procurou ainda conversar com moradores, comerciantes, garis e outras pessoas que circulam diariamente pelas ruas e poderiam ter visto o animal.
Fabiana conta que chegou a passar noites praticamente sem dormir, acompanhando possíveis pistas e avistamentos.
Durante o período em que esteve no Brasil, ela participou diretamente das buscas por aproximadamente duas semanas, antes de precisar retornar aos Estados Unidos.
Mesmo de volta ao país onde mora atualmente, continuou acompanhando cada informação recebida e procurando novas formas de ampliar a divulgação.
Entre pistas, esperança e frustração
Durante os meses de procura, Fabiana recebeu diferentes informações sobre possíveis avistamentos.
Algumas levaram a novos deslocamentos e buscas. Outras acabaram não sendo confirmadas.
Cada nova mensagem, segundo ela, traz uma mistura de sentimentos.
A esperança de finalmente encontrar Bunga vem acompanhada pela ansiedade e pelo medo de que a pista não leve ao reencontro.
É justamente essa incerteza que Fabiana afirma ser uma das partes mais difíceis de suportar.
Por isso, a família continua pedindo que qualquer informação seja comunicada, mesmo quando houver dúvida sobre a identificação do animal.
Recompensa de R$ 10 mil
Depois de meses de buscas, Fabiana decidiu aumentar o valor oferecido para quem fornecer uma informação que efetivamente leve ao reencontro de Bunga.
Atualmente, a recompensa é de R$ 10 mil.
Para ela, porém, o valor financeiro não representa o que Bunga significa.
A pergunta que resume esse sentimento é simples:
“Qual é o valor de uma vida?”
Fabiana afirma que o dinheiro pode ser recuperado, mas o tempo perdido e a ausência de Bunga, não.
“Nenhum cachorro substitui o outro”
Durante todo esse período, Fabiana também recebeu manifestações de carinho de pessoas que tentavam ajudá-la de outra maneira, inclusive oferecendo outros cães para adoção.
Ela agradece a intenção, mas explica que nenhum animal poderia ocupar o lugar de Bunga.
“Nenhum cachorro vai substituir ele, porque nenhuma alma, nenhum ser substitui outro ser.”
A relação construída ao longo de aproximadamente dez anos é, para ela, única.
Bunga foi seu primeiro cachorro escolhido por ela e permaneceu parte da família mesmo durante os anos em que Fabiana passou a viver nos Estados Unidos.
Uma família que ainda espera por ele
Na Gamboa, os pais de Fabiana e o irmão dela conviveram diariamente com Bunga.
Fabiana conta que o irmão ainda pergunta se o cão foi encontrado.
O animal também estava identificado. Ele usava uma coleira azul com identificação e números de telefone da família.
Bunga é descrito como um cão macho, de aproximadamente 11 anos, porte pequeno (PP), castrado e com pelagem preta e branca.
As costas são predominantemente pretas. O peito, a barriga e as patas são brancos, com pintinhas pretas. O rabo é preto com a ponta branca. O cão também não possui alguns dentes.
Fabiana considera a possibilidade de alguém ter encontrado Bunga e não saber que existe uma família que continua procurando por ele.
Por isso, segundo ela, manter a história circulando continua sendo fundamental mesmo depois de tantos meses.
“Eu só quero ter ele de volta”
Uma das principais mensagens de Fabiana é direcionada a qualquer pessoa que possa ter encontrado Bunga ou tenha alguma informação sobre seu paradeiro.
Ela pede apenas que entre em contato.
O objetivo, segundo a tutora, é descobrir onde o cão está e possibilitar que ele volte para casa.
Fabiana também afirma que prefere receber uma informação difícil a continuar sem saber o que aconteceu.
Se Bunga estiver sendo cuidado por outra família, ela quer saber. Se alguém o encontrou em algum momento, também quer saber.
O que ela busca é uma resposta.
“Eu só quero acabar com essa incerteza. Mesmo que alguém tenha uma notícia que não seja a notícia que eu gostaria de receber, eu só quero saber o que aconteceu.”
Quase seis meses depois, a esperança continua
Quase seis meses depois do desaparecimento, Fabiana ainda mantém a esperança de reencontrar Bunga.
A intensidade das buscas mudou ao longo do tempo, mas a procura nunca terminou.
Agora, a intenção é ampliar novamente a corrente de informações, especialmente em Garopaba, nas cidades da região e também em locais mais distantes.
Um avistamento pode acontecer em qualquer lugar. Alguém pode reconhecer Bunga em uma rua, em uma casa, em uma propriedade, acompanhado de alguém ou até mesmo em outra cidade ou estado.
Por isso, Fabiana pede que as pessoas não descartem uma possível pista.
Para ela, Bunga não é definido pela idade, pelo tamanho ou pela aparência.
É o cachorro que ela escolheu quando ainda construía a própria casa.
É o animal que permaneceu junto da família enquanto ela construía uma vida longe do Brasil.
É o cachorro que ela estava preparando para finalmente trazer para morar com ela.
Enquanto não houver uma resposta, Fabiana diz que continuará procurando.
Porque, para ela, Bunga não é apenas um cachorro. É família.

Informações sobre Bunga
- Local: Garopaba, Santa Catarina
- Desaparecido desde: 5 de março de 2026
- Sexo: macho
- Idade: aproximadamente 11 anos
- Porte: pequeno (PP)
- Castrado: sim
- Pelagem: preta e branca
- Recompensa: R$ 10 mil para informações que levem ao reencontro
- Contato: Mari – (48) 99955-8245
- Instagram: @encontrebunga
A família pede que qualquer pessoa que tenha uma informação, mesmo sem certeza de que o cachorro visto seja Bunga, entre em contato. Uma única informação pode ser a peça que falta para que ele finalmente volte para casa.











