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Bono cão surfista

Dia Mundial do Cachorro: Cão que começou a surfar na Praia do Rosa virou pentacampeão mundial

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A história de Bono, o cão surfista que conquistou cinco títulos mundiais, passa também pelo Litoral Sul de Santa Catarina. Foi na Praia do Rosa, em Imbituba, que o labrador teve um dos primeiros contatos com as ondas ao lado do tutor, Ivan Quintães de Castro Moreira. Quase 16 anos depois, o cachorro vive a fase idosa e precisou adaptar a rotina para continuar aproveitando os momentos ao lado da família. As informações e o relato sobre a trajetória de Bono foram publicados originalmente pelo Portal Cães & Gatos.

Hoje, aos 16 anos, o labrador que chegou à família ainda filhote enfrenta uma realidade diferente daquela vivida durante os anos de competições. A mobilidade diminuiu, o ritmo precisou ser reduzido e a rotina ganhou adaptações. O amor, porém, permanece o mesmo.

A história ganha ainda mais significado neste Dia Mundial do Cachorro, celebrado em 26 de agosto. Depois de quase 16 anos ao lado de Ivan Quintães de Castro Moreira, Bono mostra que envelhecer não significa deixar de viver experiências  mas encontrar novas maneiras de aproveitá-las.

De um filhote pequeno às primeiras aventuras

Bono chegou à vida de Ivan em setembro de 2010, com apenas 50 dias de idade. Tão pequeno que, segundo o tutor, cabia praticamente no tamanho de um tênis.

Na época, Ivan não imaginava que aquele filhote se tornaria seu companheiro de viagens, esportes e aventuras. Muito menos que os dois construiriam uma relação que ele descreve como semelhante à de pai e filho.

“Nem nos meus melhores sonhos imaginaria que teríamos a relação que temos, uma relação de pai e filho com um amor difícil de mensurar”, conta Ivan.

Educador físico e surfista desde a infância, Ivan já tinha uma relação próxima com o mar. A aproximação de Bono com os esportes aquáticos aconteceu quando ele comprou uma prancha de stand up paddle.

Durante uma viagem a Búzios, no Rio de Janeiro, Ivan saiu para remar em uma praia sem ondas. Bono não demorou para acompanhar o tutor.

O cão nadou até a prancha, subiu e encontrou ali uma nova diversão.

“Eu remei assim uns 50 metros para frente, ele foi nadando, me encontrou e subiu em cima da prancha. A partir dali, lembro como se fosse hoje: ele começou a abanar o rabinho e a latir feliz em cima da prancha”, relembra.

A experiência passou a fazer parte da rotina. Aos poucos, Ivan percebeu que Bono tinha facilidade para permanecer sobre a prancha e começou a desenvolver maneiras de equilibrá-lo durante os passeios.

Foi então que surgiu a possibilidade de experimentar algo diferente: levar o cão para as ondas.

Praia do Rosa foi cenário do primeiro contato com o surfe

Alguns meses depois, a dupla chegou ao Litoral Sul de Santa Catarina.

Foi na Praia do Rosa, em Imbituba, que Bono teve seu primeiro contato com as ondas.

Ivan começou com pequenas ondulações, observando como o cão reagia ao movimento do mar. Conforme percebeu que Bono conseguia acompanhar a prancha, avançou um pouco mais.

“Eu consegui pegar várias ondinhas pequenininhas e fui um pouquinho mais para o meio da praia, onde as ondas estavam um pouquinho maiores”, recorda.

A experiência na Praia do Rosa abriu caminho para uma nova fase na relação entre os dois. O que começou como uma brincadeira durante viagens passou a ser encarado como uma atividade que poderia render novos desafios.

A partir dali, Bono deixou de ser apenas um cachorro que acompanhava o tutor na praia e passou a ser também um parceiro sobre a prancha.

Cinco títulos mundiais e dois recordes

A descoberta de uma competição internacional mudou o tamanho da história.

Ivan encontrou na internet informações sobre o campeonato mundial de Surf Dog, realizado em Huntington Beach, na Califórnia, nos Estados Unidos. O evento reunia cães e tutores de diferentes países.

Com a ajuda de uma amiga, os dois conseguiram viajar para a competição e participaram da categoria em que cão e humano dividem a mesma prancha.

Bono venceu.

A conquista trouxe uma repercussão que ultrapassou o universo do surfe. O labrador passou por programas de televisão e reportagens em atrações como Fátima Bernardes, Esporte Espetacular e Globo Esporte.

No ano seguinte, a dupla retornou à competição acompanhada por uma equipe de televisão e protagonizou uma reportagem exibida pelo Fantástico.

Ao longo da trajetória, Bono conquistou cinco títulos mundiais de Surf Dog e dois recordes no Guinness World Records.

Um dos recordes foi registrado durante uma experiência na pororoca do Maranhão. O outro aconteceu em meio à floresta Amazônica, onde Bono e Ivan permaneceram durante 33 minutos e 40 segundos na mesma onda.

A história também ganhou uma produção própria, intitulada Bono, o Cão Surfista.

Mas o tempo passou. E, depois de anos de competições, viagens e ondas, o cão precisou mudar o ritmo.

Aos 16 anos, rotina ganhou novas adaptações

Os primeiros sinais mais evidentes do envelhecimento apareceram por volta dos 13 anos, segundo Ivan.

Bono começou a caminhar mais devagar e demonstrou menor disposição para trilhas e atividades prolongadas. A família passou então a reduzir os percursos e adaptar os passeios.

O surfe também chegou ao fim pouco depois dessa idade. Próximo dos 14 anos, Ivan percebeu que o cão ficava cansado sobre a prancha e decidiu interromper as atividades competitivas.

Hoje, aos 16 anos, a mobilidade é um dos principais desafios.

Bono precisa de auxílio para se levantar em algumas situações e pode escorregar com facilidade. Ele também convive com três hérnias na coluna, além de artrose e um problema articular no ombro esquerdo.

A incontinência, que começou a aparecer por volta dos 11 ou 12 anos, também se intensificou com o passar do tempo. Fraldas e tapetes higiênicos passaram a fazer parte da rotina.

Mesmo com as limitações, Ivan afirma que Bono continua interessado nas atividades que gosta.

“Leva ele para a praia, ele nada, pega a bolinha, fica latindo para a bolinha para brincar. Nitidamente hoje a mobilidade dele caiu significativamente, mas ele continua curtindo a vida”, afirma.

O mar continua fazendo parte da rotina

Embora aposentado das competições, Bono não deixou completamente para trás sua relação com a água.

Atualmente, ele faz pequenos passeios três vezes ao dia, com trajetos de aproximadamente 300 metros, e costuma ir à praia cerca de duas vezes por semana.

Quando o acesso ao mar não é possível, a família utiliza uma piscina e um colete para auxiliar na flutuação.

A lógica agora é diferente daquela dos anos de competição. Não existem mais grandes ondas, viagens para campeonatos ou busca por recordes.

O objetivo é manter o cão ativo sem ultrapassar seus limites.

“Ele tem que se movimentar. Quanto mais parado ficar, é pior”, explica Ivan.

A atividade física passou a ser mais curta e de menor intensidade, respeitando as condições do animal.

Casa também precisou mudar para acompanhar Bono

O envelhecimento também provocou mudanças na estrutura das casas da família.

Rampas foram construídas nas residências de Búzios e da Bahia para facilitar a locomoção de Bono e evitar que ele precisasse utilizar escadas.

Um carrinho também passou a acompanhar o labrador. O equipamento permite que ele participe de caminhadas mais longas e continue presente nos passeios familiares, mesmo quando não consegue percorrer todo o trajeto.

“Ele continua participando de tudo com a gente. A gente jamais o deixaria”, ressalta Ivan.

O tratamento inclui acompanhamento fisioterapêutico uma ou duas vezes por semana, além de recursos como laser, acupuntura, ozonioterapia e exercícios específicos.

A família também utiliza suplementação voltada às articulações e mantém acompanhamento para lidar com as alterações provocadas pelo envelhecimento.

Um aniversário em um lugar especial

Aos 16 anos, Bono ganhou uma comemoração diferente.

Ivan e a família encararam uma viagem de aproximadamente 20 horas até a Praia de Algodões, na Península de Maraú, na Bahia, um dos lugares considerados especiais para o labrador.

Ivan frequenta a região desde 2002, antes mesmo de Bono fazer parte da família. Ao longo dos anos, o destino passou a reunir lembranças importantes.

Para Bono, o local reúne diversos ambientes dos quais gosta: mar, rio, lagoa, piscinas naturais e cachoeiras.

“É o lugar onde o Bono realmente é mais feliz e, para a nossa família, não há um lugar mais especial”, afirma Ivan.

A viagem também ganhou outro significado diante da idade avançada do cão. O tutor reconhece que não sabe por quanto tempo ainda poderá compartilhar esses momentos com Bono, mas prefere aproveitar o presente.

Envelhecer também significa aprender a cuidar

A fase idosa trouxe desafios que não existiam quando Bono estava no auge das competições.

Hoje, o labrador precisa de mais atenção para atividades simples. Pode latir para pedir água ou comida, precisa de ajuda para se levantar em algumas superfícies e necessita de cuidados constantes por causa da incontinência.

Para Ivan, compreender essas mudanças é parte essencial do processo.

“Tem que entender que é um idoso. Ele não está fazendo porque quer”, pontua.

A paciência, segundo ele, tornou-se uma das principais ferramentas para acompanhar essa nova fase.

“Eu acho que a paciência a gente tem que ter. As coisas mudam, o tempo dele muda, a movimentação muda”, afirma.

Para o tutor, os cuidados exigidos por um cão idoso são maiores, mas também representam uma oportunidade de acompanhar todas as etapas da vida do animal.

“É um privilégio, a verdade é essa”, resume.

Da Praia do Rosa aos pequenos passeios

A história de Bono atravessa diferentes lugares, mas a Praia do Rosa ocupa um espaço especial nessa trajetória.

Foi no litoral de Imbituba que aquele cachorro que havia descoberto o stand up paddle teve suas primeiras experiências com ondas. A partir dali, vieram competições internacionais, títulos, recordes, viagens e uma trajetória que ganhou projeção nacional.

Agora, quase 16 anos depois, a realidade é outra.

As grandes ondas deram lugar a caminhadas de poucos metros. As competições ficaram para trás. O carrinho substituiu parte dos longos passeios e a fisioterapia passou a fazer parte da rotina.

Mas a essência da relação continua.

No Dia Mundial do Cachorro, a história de Bono mostra que o vínculo construído ao longo dos anos não desaparece quando o animal envelhece. Ele apenas muda de forma.

Depois de tantas ondas, talvez a maior conquista do labrador não esteja mais nos troféus ou nos recordes, mas na possibilidade de continuar ao lado da família, aproveitando o mar, uma bolinha e os pequenos momentos que ainda fazem parte da rotina.

E tudo isso começou, em parte, nas ondas da Praia do Rosa, em Imbituba.

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