Aos 16 anos, a moradora de Garopaba Melissa Helena Gomes Moreira, conhecida como Mel, alcançou um feito inédito na carreira. A atleta será a única representante brasileira da categoria sub-júnior no Campeonato Mundial de Powerlifting, que acontece no dia 23 de agosto, na África do Sul.
Natural de Florianópolis, Mel vive em Garopaba e representa Santa Catarina em uma modalidade que, apesar de pouco conhecida pelo grande público, reúne alguns dos atletas mais fortes do mundo. A convocação é resultado de quatro anos de dedicação intensa aos treinamentos e de uma sequência de resultados expressivos em competições nacionais e internacionais.
Atualmente, a jovem ocupa a sétima colocação na lista oficial do Mundial entre 12 competidoras inscritas.
Evolução impressiona antes do Mundial
A preparação para o campeonato internacional mostrou uma evolução significativa da atleta. Um dos principais indicadores foi o desempenho no levantamento terra.
No Campeonato Brasileiro de 2025, Melissa levantou 130 quilos. Já nesta temporada, alcançou a marca de 152,5 quilos, consolidando sua evolução técnica e física.
Antes mesmo da convocação para o Mundial, a jovem já havia conquistado medalhas em dois Campeonatos Sul-Americanos e em um Campeonato Pan-Americano.
“É muito gratificante. É resultado de um trabalho duro feito muito antes de sair essa convocação”, afirma a atleta.
Paixão começou por acaso
O primeiro contato de Melissa com o powerlifting aconteceu por convite de uma amiga para acompanhar um treino na casa da treinadora Ana Rosa, referência mundial na modalidade, com sete títulos mundiais e integrante do Hall da Fama da International Powerlifting Federation (IPF).
O que seria apenas uma visita terminou com a jovem participando do treino e chamando a atenção da treinadora, que a convidou para disputar sua primeira competição poucos meses depois.
Com apenas dois meses de preparação, Mel estreou em Pelotas, conquistando o título da categoria ao levantar 107 quilos no levantamento terra e 35 quilos no supino.
Desde então, nunca mais deixou o esporte.
“Eu nem conhecia o powerlifting quando comecei. Minha mãe sempre apoiou porque eu sempre gostei de esporte”, relembra.
Sem patrocínio, família banca o sonho
Apesar dos resultados internacionais, Melissa ainda não conta com patrocinadores.
Segundo a atleta, praticamente todos os custos relacionados à preparação, viagens, hospedagem, alimentação e inscrições são pagos pela família.
No ano passado, para disputar o Campeonato Pan-Americano nas Ilhas Cayman, foi organizada uma vaquinha. Neste ano, uma nova campanha de arrecadação e uma rifa ajudam a custear a participação no Mundial da África do Sul.
“É praticamente 100% dos meus pais. Infelizmente ainda não tenho nenhum patrocinador.”
Rotina divide espaço entre treinos e estudos
Além da preparação física, Melissa enfrenta uma rotina intensa de estudos.
Aluna do segundo ano do ensino médio, ela concilia aproximadamente cinco horas diárias de aula com cerca de duas horas de treinamento especializado.
Neste ano, também fará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela primeira vez.
Mesmo sonhando em seguir competindo internacionalmente, a jovem reconhece as dificuldades financeiras enfrentadas pelos atletas de modalidades individuais no Brasil.
Por isso, pretende cursar Medicina, profissão que deseja conciliar com a carreira esportiva.
“Gostaria que fosse 100% powerlifting, mas sabemos que é muito difícil viver do esporte no Brasil. Meu sonho também é fazer Medicina.”
Objetivo é subir no ranking mundial
Apesar da responsabilidade de representar sozinha o Brasil na categoria sub-júnior, Melissa evita criar expectativas relacionadas ao pódio.
O principal objetivo é melhorar sua posição no ranking mundial e buscar novos recordes.
“Quero fazer uma boa competição para mim. Posso bater recordes brasileiros e sul-americanos e subir o máximo possível no ranking.”
Após o Mundial, a atleta deve retornar aos treinamentos visando o Campeonato Estadual, previsto para o fim do ano, sem deixar de lado a preparação para o Enem.
Como funciona o powerlifting
O powerlifting é composto por três provas:
- Agachamento
- Supino
- Levantamento terra
Cada atleta possui três tentativas em cada levantamento para registrar sua maior carga.
As execuções são avaliadas por três árbitros, responsáveis por verificar se todos os movimentos obedecem às regras técnicas da modalidade.
Melissa disputa a categoria sub-júnior, destinada a atletas entre 14 e 18 anos. Mesmo tendo apenas 16 anos, ela enfrentará adversárias de até 18 anos, que normalmente possuem maior tempo de treinamento e desenvolvimento físico.
Ainda assim, a catarinense chega ao Mundial entre as principais atletas da categoria e levará o nome de Garopaba, de Santa Catarina e do Brasil à competição mais importante do calendário internacional.











