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Érika dos Reis

VÍDEO: Aos 20 anos, Augusto Miranda, ultramaratonista mais jovem de Imbituba, supera limites ao percorrer 160 km do Desafio Rota da Baleia

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Matéria: Érika Reis / Vídeo: Leandro Silveira

O ultramaratonista mais jovem de Imbituba, Augusto Miranda, de 20 anos, o Guto, percorreu, no último final de semana, o desafio esportivo de longa distância da região de Laguna, Imbituba e Garopaba: o Desafio Rota da Baleia. Com uma trajetória marcada por superação e persistência, o jovem contou ao Portal AHora como iniciou a carreira de corridas e comentou sobre seu resultado diante do desafio mais recente.

Com resultados que ele mesmo considera positivos, pois percorreu 160 quilômetros em terrenos diversos, em dois dias de desafio, ele conseguiu concluir, no primeiro dia, 12h30, e no segundo dia, 14h15.

As dificuldades que enfrentou foram relacionadas à chuva e ao cansaço. “No segundo dia senti bastante dores musculares, o que é normal, mas a última parte, em Laguna, eu fiquei bem fadigado, as pernas foram de arrasto ali”, conta o atleta, bem humorado.

Segundo ele, o frio não foi tão desafiador, mas o volume de água no primeiro dia deixou as trilhas mais escorregadias e as trocas de roupa foram mais frequentes. “A chuva complicou um pouco mais, pois eu tinha que colocar algumas peças de roupa a mais, e várias vezes tive que trocar, pois a chuva foi bem pesada. E as trilhas também eram bem escorregadias, então atrasou um pouco”.

Final do Desafio Rota da Baleia em dobro concluído com sucesso
Reprodução: Redes Sociais

Motivação familiar e alerta de saúde levam ao esporte

Morador do bairro Paes Leme, o universitário de Educação Física iniciou no esporte em 2024 por dois motivos: mudança de estilo de vida e por influência de familiares. Ele conta que todos da família de sua noiva o motivaram através de sua observação, sendo o sogro a sua maior inspiração, pois ele pratica o esporte há mais de 10 anos.

“Eu ia junto com ele nas corridas. Eu, minha noiva, a família, todo mundo junto. Eu olhei aquele pessoal se superando, seja em 5, 10, 21, 42 Km. E eu falei, pô, por que que eu não começo também?“, conta Augusto.

O atleta também destacou que o segundo motivo que para iniciar no esporte foi por conta de uma pneumonia, que o deixou por 10 dias acamado.

“Eu tive uma pneumonia muito forte. E eu já estava sem treinar, então, antes da pneumonia, né? Então eu fiquei ali uns dez dias de cama ruim, sem poder sair de casa, sem poder trabalhar, sem poder fazer nada. Não comia nada. Então daí que eu vi que, pô, eu tenho que mudar minha saúde, eu tenho que mudar o meu jeito de viver”, destacou.

Entre ultramaratonas e desafios, o atleta coleciona medalhas

Colecionador de medalhas, nestes dois anos de esporte, ele conta que já participou de 11 maratonas, sendo 4 ultra. Entre Florianópolis, a própria Rota da Baleia de 2025, e em Barcelona, na Argentina, a corrida acabou virando sua paixão.

“Na minha primeira corrida, em Florianópolis, eu viajei duas horas só pra chegar lá. Isso de manhã. Foi lá na Praia da Joaquina. Então saímos de madrugada pra chegar lá e correr 4 quilômetros em 25 minutos embaixo de chuva. E eu ainda fiquei em 1º lugar, na minha estreia. Campeão da minha categoria”, relembra Augusto.

Foi aí que eu vi que eu tenho futuro”, conclui o atleta.

Na maratona de Barcelona, em março de 2026,
o atleta percorreu 42 km – Reprodução: Redes Sociais

Rota da Baleia de 2025

A Rota da Baleia, segundo ele, foi a que mais o marcou, pois ele ficou 7 meses para se inscrever, mesmo sem nunca ter corrido 42 km. “Essa foi a prova mais desafiadora pra mim, pois eu falei: Não vou desistir, de jeito nenhum. Pode me dar o que for”.

Após ultrapassar a linha de chegada, todos os seus familiares estavam lhe esperando com empolgação, para comemorar sua superação, pois era a primeira vez que ele participava de uma prova desta distância. “Tinha umas 15, 20 pessoas da minha família, todos me esperando. Foi uma festa que só”, lembra.

Entre disciplina e paixão: a rotina por trás de um ultramaratonista de 20 anos

Além das provas e dos quilômetros percorridos, Augusto explica que a preparação para encarar grandes desafios exige uma rotina intensa. O atleta concilia o trabalho na empresa da família, a faculdade de Educação Física e os treinos, que fazem parte da sua agenda durante a semana.

“Cinco vezes na semana eu treino corrida e duas vezes eu treino funcional. É uma rotina bem corrida, porque ainda tenho que conciliar com os estudos e o trabalho”, conta.

Os treinos acontecem principalmente à noite, após a jornada profissional e acadêmica. Para ele, a organização é essencial para conseguir manter o equilíbrio entre todas as áreas da vida.

“Eu trabalho de manhã e de tarde. À noite eu treino e estudo. Então, a partir das seis horas, vou conciliando o treino com o estudo”, explica.

Maratona de Florianópolis, em junho de 2026
Reprodução: Redes Sociais

Um jovem entre grandes desafios

Aos 20 anos, Augusto chama atenção por estar inserido em um universo onde muitos atletas possuem mais tempo de experiência. Segundo ele, durante as provas longas, é comum olhar ao redor e perceber que a maioria dos competidores tem mais idade.

“Tem muitas provas que eu vou, dou a largada e olho para o lado. Só vejo gente que eu sei que tem mais de 35 anos. Não vejo muita gente nova como eu”, relata.

Para ele, estar nesse cenário representa uma oportunidade de aprendizado e também exige muita dedicação. “Tem que ter muita vontade e coragem, porque não é qualquer um que faz. Eu me sinto privilegiado por ter essa cabeça para as distâncias longas, gostar de treinar e gostar desse desafio”, destaca.

A disciplina, segundo o atleta, é um dos pontos fundamentais. Principalmente nos dias mais difíceis. “No inverno é complicado. Acordar cedo, dar aquele frio, aquela preguiça… precisa ter disciplina”, brinca.

Medalha da Meia maratona internacional de Florianópolis,
em maio de 2026 – Reprodução: Redes Sociais

A corrida como transformação

Apesar dos grandes desafios, Augusto destaca que a corrida começou como uma mudança pessoal e acabou se tornando uma paixão. Para ele, o esporte trouxe uma nova forma de enxergar a própria saúde e a superação.

“A corrida entrou na minha vida de um jeito que eu não consigo mais tirar. Se eu fico sem correr hoje em dia, parece que falta alguma coisa”, afirma.

Além do impacto físico, ele também ressalta o lado emocional da modalidade. “Eu comecei a ver que a corrida é muita superação. Tem pessoas que melhoram da depressão, de várias doenças, e isso é algo estudado. É um esporte que transforma”, comenta.

Maratona 12k Tekoá Trail Run, em Imaruí, Abril de 2026
Reprodução: Redes Sociais

A força de correr em casa

Natural de Imbituba, Augusto também destaca a relação especial com a Rota da Baleia por passar justamente pelos municípios onde vive e treina.

“É algo surreal ter uma prova desse nível perto de casa. Depois que fiz a 1ª Rota da Baleia, eu sempre falo: se eu puder estar no desafio, eu vou estar correndo”, afirma.

Para ele, competir na região traz um sentimento diferente, principalmente pelo apoio recebido durante o percurso. “Qualquer lugar que eu passe, seja Imbituba, Laguna ou Garopaba, vai ter alguém da família ou algum amigo dando suporte. É uma prova que eu me sinto em casa.

A mensagem para quem quer começar

Com uma trajetória iniciada há apenas dois anos, Augusto deixa um conselho para quem pensa em começar no esporte: dar o primeiro passo. “Não tenha medo de começar. Eu comecei correndo três quilômetros, correndo e andando, e não desisti. Foi quilômetro por quilômetro, dia por dia”, conta.

Para ele, a maior barreira muitas vezes não está na distância, mas sim no primeiro movimento. “A pior distância que vocês vão fazer é sair da cama ou do sofá até a porta de casa, colocar um tênis e começar. Depois disso, só vai”, finaliza.

Entenda a diferença da maratona à ultramaratona

Apesar de terem nomes parecidos, maratona e ultramaratona são modalidades com desafios bem diferentes. A maratona tradicional tem uma distância fixa de 42,195 quilômetros, prova que exige preparo físico, estratégia e muita resistência dos atletas.

Já a ultramaratona começa onde a maratona termina: qualquer corrida com distância superior aos 42 quilômetros é considerada uma ultramaratona. Essas provas podem ter percursos de 50, 80, 100 quilômetros ou até centenas de quilômetros, levando os corredores a enfrentarem longos períodos de esforço físico e mental.

Além da distância, outro fator que diferencia as modalidades é o ambiente das provas. Muitas ultramaratonas são realizadas em trilhas, montanhas e terrenos com diferentes níveis de dificuldade, exigindo dos atletas adaptação ao clima, ao relevo e ao desgaste acumulado.

Mais do que velocidade, a ultramaratona é uma prova de resistência, planejamento e superação. O corredor precisa administrar energia, alimentação e ritmo para conseguir completar trajetos que podem durar horas, ou até mais de um dia.

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