O sexo frágil surgiu fazendo o antigo sexo frágil passar vergonha, insegurança e medo.
O sexo frágil não sabe o que é frustração. Parece uma criança pequena que “reina” quando não consegue o que quer. Não, é pior, antes fosse só uma criança birrenta, o novo sexo frágil, quando recebe um não, ele difama, bate e até mata para ter o que quer.
O sexo frágil comete estupro coletivo contra adolescente – com direito a pai de um dos estupradores ameaçar jornalista – e mais 3 vítimas procurarem a polícia para denunciar o mesmo grupo. Lembrem-se que o estupro não tem nada a ver com desejo sexual, estupro é questão de poder, de fazer o outro ser submisso. Estupro é considerado crime hediondo no Brasil.
No sexo frágil, está “rolando” uma trend no Instagram e TikTok onde homens simulam espancarem suas companheiras, namoradas…. após levarem uma negativa em seu pedido de casamento. Espancam sacos de treino, usam facas, simulam assassinatos. São, na maioria, adolescentes. Onde estão os pais, amigos, família e escola desses filhos que estão crescendo assim?
Há muito tempo, no reino do sexo frágil, existem os “Incel”, que é uma junção das palavras involuntário e celibato surgido como parte do linguajar do site “Projeto de Celibato Involuntário de Alana”, mas, com o tempo, o termo evoluiu e tomou outra perspectiva. Hoje o termo Incel é ligado a misoginia, ódio explicito contra mulheres e violência de alto perfil.
Eu já tive a infeliz ideia de ler fóruns de Incel, e a forma como eles se referem a mulher é tão baixa, tão cruel, que me deu nojo e medo, por ser mulher e mãe de uma mulher, medo por minhas amigas e suas filhas, medo por minhas sobrinhas. A maldade do Incel não poupa nada que esteja ao seu alcance para chegar ao seu objetivo. A Liga Antidifamação, que trabalha para combater o ódio e o extremismo, define os incels como “homens heterossexuais que culpam as mulheres e a sociedade pela sua falta de sucesso romântico”.”
O “sexo frágil” antes se mantinha na adolescência, mas cresceu, se modernizou (ou não) e virou Redpill, ou o “macho alfa” Nessas horas me dá inveja de não morar em Themyscira – ilha da Mulher Maravilha, onde só habitam mulheres.
A cultura “Red Pill”, a cultura do “macho alfa”, é tão misógina e criminosa quanto a Incel.
Red Pill, e Blue Pill, são termos retirados do filme Matrix, onde o personagem tinha que escolher entre a pílula vermelha para ir para a verdade, ou continuar no mundinho que já conhecia. Bom, tenho certeza de que metade dos Red Pill não entenderam o filme…, mas fazer o quê, não é mesmo?
Pois bem, como se não bastasse as pobres mulheres terem de aturar Incel, agora convivem com os já citados calvos “redpillados” que não podem aceitar uma cerveja de uma mulher para não se submeterem aos caprichos dela. Porque isso mexe com a forte masculinidade do “sexo frágil”. Sim, eu sei, parece piada, mas aconteceu. Inclusive, o calvo em questão, esteve ou está preso, por agressão contra uma mulher.
No sexo frágil, seus representantes Incel culpam a mulher por ser virgem, são violentos e cometem crimes, levantando a bandeira contra as mulheres.
Já os Red Pill são homens, na maioria, com mais de 30 anos. Apesar da feiura ser relativa, eles também, na maioria, são feios e incitam a violência.
Um redpill não namora com mulher de mais de 30. Gosta de menininha e, como sabemos, dependendo da menininha, temos um pedófilo.
Um Red Pill não namora mulher com filhos, ele não vai “sustentar filhos dos outros” (o termo que usam para “filhos dos outros” não é bem esse, mas não tenho coragem de falar).
Um Red Pill não namora com mulher com borboleta tatuada, aliás, com tatuagem alguma. Por quê? Não faço ideia. Não consegui entender as 2.000 explicações para a pobre tatuagem de borboleta.
Um Red Pill calcula o número de relações sexuais que uma mulher teve, de acordo com o ano em que começou a namorar, se foi casada, há quanto tempo está sozinha…
Ah, mas tem o Red Pill mais fofo que existe. O que tem um carrinho caindo aos pedaços, convida a menina para dividir um cachorro-quente e, no outro dia, cobra a conta da menina, afinal, ele a levou para ‘o melhor baquete da vida” e “não rendeu nada”.
As culturas Incel e Red Pill deixam um “grande legado”: a violência do mais alto grau contra as mulheres. São rostos deformados por mais de 80 socos, são jovens sendo assassinadas por romperem um relacionamento.
São homens matando mulheres por puro capricho. Citando a frase de uma grande amiga que passou por muitos tipos de violência: “o boi nunca berra pela cria.” E não existe verdade maior quando se trata de um homem com um relacionamento que não tenha terminado da maneira que ele esperava. Ele pode fazer qualquer coisa, inclusive matar a mãe dos próprios filhos. E, se não conseguir matar, transforma a vida dela em um inferno.
Muitas mulheres não conseguem entender o tipo de violência que sofrem: a psicológica: quando a mulher sofre de diversas formas e se coloca como culpada pois foi levada a entender que estava errada. A violência financeira: muitos homens não aceitam que as mulheres trabalhem, que controlem suas rendas. Até colocam os bens em nome de outras pessoas para, em caso de separação, a mulher não ter direito a nada, mesmo tendo construído juntos. Muitas mulheres não podem sair de relacionamentos abusivos por não terem dinheiro para isso.
E a pior de todas, a violência física. Ela não começa com um tapa. Ela começa com um soco na parede, com um vaso quebrado, com gritos. “Ah, mas ele é tão bom para ti, tenta mais um pouco”. E se tenta, e se registra B.O e se tem medida protetiva, e se morre igual nas mãos de um homem que não sabe se frustrar e receber um não.
O “sexo frágil”, agora, sobe montanhas para aprender a ser um homem alfa, para gastar dinheiro, enriquecer o criador do programa e encontrar Jesus. Alguém já viu algum Legendário voltar normal? Mais pobres eu sei que voltam. Mas, certos de que não se pode bater no amiguinho, mesmo que o amiguinho seja uma mulher? Não sei se alguma volta. Voltam, sim, com a certeza que a mulher pertence a ele e só a ele e que deve ser submissa e edificar seu lar.
O “sexo frágil” precisa de atenção, se das mulheres ou de outros homens, jamais saberemos, afinal, eles têm uma masculinidade bem distorcida, não sei se conseguiriam entender.
Mas o que devemos todos, os normais, fazermos, é ter mais cuidado com o que os nossos filhos, irmãos, sobrinhos e amigos consomem na internet. É não rir da piada machista que o amigo conta. É conversar sobre machismo e o mal que ele causa. Sim, conversas em grupos de homens. A luta contra a violência contra a mulher e o feminicídio é de todos.
Precisamos agir como uma aldeia, onde cada um cuida do outro e todos cuidam de todos. Precisamos garantir um mundo onde nós e nossas filhas possam viver em paz, sem medo.
Para ajudar
• gelol na bolsa funciona igual a spray de pimenta;
• Foi agarrada e está de frente para o agressor, enfie os dois dedos com toda a força nos olhos dele, quando ele estiver com dor, chute o saco e saia correndo;
• Voltando para a casa, deixe a chave de casa entre os dedos, como um soco inglês e não hesite em bater no agressor;
• Use cabelo por dentro da blusa e jamais ouça fone de ouvido muito alto quando estiver sozinha em uma rua;
• Agulha de costura funciona muito bem no “encoxamento” do ônibus, trem e metrô;
• E o bom e velho grito: “FOGO!” que é o que parece que as pessoas atendem mais que socorro.
Eduquemos bem nossos filhos, acabou o tempo de mandar “prender suas cabras que meu bode está solto”. Muitos bodes viraram agressores e assassinos e é melhor para a sociedade inteira que eles fiquem trancados.
Aos amigos leitores que acham que isso jamais vai acontecer com seu filho ou filha, cuide dele, observe o que fala, com quem anda. Um espancador de mulher, um assassino de mulher, não nasce de um dia para o outro, ele recebe muita informação errada antes de agir.
E nós, mulheres, jamais soltemos a mão da outra.
Abraços
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SOBRE A COLUNISTA

Richelly Ramos: Nascida e criada em Imbituba. Raízes e alma na terrinha, mesmo o destino levando para longe. Casada, mãe de uma jovem adulta, curiosa, cheia de defeitos, qualidades e opiniões. Imbitubense orgulhosa e feminista. Por que “Papo de Boteco”? Boteco é uma instituição nacional. Lugar de rir, fazer amizade (já diz o ditado: “Ninguém faz amigo bebendo leite!”), filosofar, opinar sobre até o que não se sabe o que é e, claro, ser antropólogo – estudar a humanidade baseada em fatos – reais ou não – ou seja, só fofocar mesmo.
Isto posto, cachaça de Butiá para quem é de Butiá e água para quem é de água. Sejamos todos felizes! Aproveitem a leitura e espero que gostem.











