O cantor porto-riquenho Bad Bunny conseguiu, em um evento de alcance mundial acontecido nos EUA, explicar, não só quais são países que fazem parte do continente americano, como mostrou lindamente, sem falar uma só palavra em Inglês, para o mundo o que é ser latino. Segundo as próprias palavras do cantor: “Muitos querem ser latinos, mas lhes faltam molho, energia e reggaetón”.
E que honra, nós, brasileiros, sermos latinos, sim! “Nosso sangue latino e nossa alma cativa” não nos deixa fugir dessa realidade.
Somos latinos pela nossa história e pela nossa cultura. Mesmo sendo o único país latino americano a não falar língua hispânica, somos latinos porque “Hispânico” vem do termo do Latim para ‘espanhol’, Hispanicus; os antigos romanos chamavam a Península Ibérica (que compreende a Espanha e Portugal) de Hispania.” (Blakemore, 2024).
Bad Bunny, ganhador de vários prêmios Grammy – o maior prêmio da música mundial – mostrou em sua apresentação tudo aquilo que Belchior cantava, mas a ditadura, nosso medo, ou a nossa prepotência e até mesmo falta de conhecimento histórico (conhecimento que nos foi tolhido por anos) não nos permitia entender.
A América Latina está em evidência, o Brasil está em evidência. Prêmios musicais, filmes premiados, o mundo apaixonado pela nossa cultura. Fernanda Torres, Wagner Moura e tantos outros, viraram a cabeça do mundo para nós. Sejamos orgulhosos disso, apesar da luta para não sermos só “um quintal” ser eterna.

Bad Bunny mostrou coisas corriqueiras que vivemos. Quem de nós, quando criança, nunca dormiu numa cadeira durante uma festa, aguardando nossos pais? Quem nunca foi questionado por uma tia “e os namoradinhos?” Isso é latinidade pura.
Mesmo descendentes de italianos e alemães podem ser latinos. Somos todos latinos.
Minha família veio da Europa. Açores fica na Europa, não só Alemanha e Itália.
Apesar dos antigos romanos os chamarem latinos, os que vieram antes dos nossos antepassados, que realmente chegaram de Açores, em Portugal (no meu caso), ou seja lá de qual canto da Europa, vieram e trouxeram a cultura Europeia, e, mesmo assim, como a grande maioria de vocês, meus bisavós e avós já nasceram no Brasil, já perderam seu “traço europeu” e passaram a ser latinos. São brasileiríssimos, como nós somos (até o Lucas, das olimpíadas de inverno, que tem dupla nacionalidade, sabe que é meio latino e se orgulha disso).
Ah, Chelly, não te orgulhas da tua ascendência europeia? Não. Me orgulho de ser latina!
Sou um pedacinho do Magalhães “da Laguna”, um pedacinho do Mirim, um pedacinho da Passagem do Rio D’ Una, em Imaruí. De onde eu sou europeia, gente?
Soares, Martins, Souza, Cardoso (dá-lhe Lagarto!), Castro, Andrade e Ramos são todos meus sobrenomes europeus, da Península Ibérica, mas, a mim, só me tornaram latina.
Ser tataraneto de alemão, não me torna alemão, me torna só mais um latino com sobrenome difícil de se falar.
E não podemos deixar de citar a enorme importância dos negros e a cultura que trouxeram, e aos povos originários, pela sua cultura que tentam apagar, que fizeram da latinidade brasileira algo que é só nosso e que o mundo se curva a ela.
Tem como não ter orgulho de ser latino, mas, acima de tudo Brasileiro? Deixemos nosso sangue latino, sangue indígena e negro, ferver em nossas veias! Sejamos brasileiros, sejamos latinos, sejamos muito orgulhosos e principalmente, sejamos felizes.
Abraços,
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Richelly Ramos: Nascida e criada em Imbituba. Raízes e alma na terrinha, mesmo o destino levando para longe. Casada, mãe de uma jovem adulta, curiosa, cheia de defeitos, qualidades e opiniões. Imbitubense orgulhosa e feminista. Por que Papo de Boteco? Boteco é uma instituição nacional. Lugar de rir, fazer amizade (já diz o ditado: “Ninguém faz amigo bebendo leite!”), filosofar, opinar sobre até o que não se sabe o que é e, claro, ser antropólogo – estudar a humanidade baseada em fatos – reais ou não – ou seja, só fofocar mesmo.
Isto posto, cachaça de Butiá para quem é de Butiá e água para quem é de água. Sejamos todos felizes! Aproveitem a leitura e espero que gostem.










