
Ei, pilotos de sofá, cola no cinto que o TiozãoF1 está abrindo o coração no quadro MINHAS CORRIDAS HISTÓRICAS, vamos te levar de volta para 1991, para o GP do Brasil no circuito de Interlagos. Imagina um garoto de 11 anos que gostava dessa loucura na infância, grudado na frente da Televisão, almoçando feijão com arroz sem piscar, coração na boca.
SEM ENROLAÇÃO, essa corrida não foi só vitória, foi um grito de alma brasileira na pista.
Era um domingo, 24 de março de 1991, o dia estava daqueles de sol forte em São Paulo, mas na minha sala, o mundo era só Interlagos. Na largada que explosão de sentimentos escutando Galvão Bueno ao microfone, “Largaram… Senna na pole, Mansel colado, mas o Ayrton segura a ponta”. Senna na McLaren vermelha e Branca, acelerando o motor V12 da Honda que rugia muito forte. Alan Prost na Ferrari atrás, mas Ayrton, o homem dos milagres, dominava desde a curva que leva o seu nome. Reginaldo Leme já cutucava: “Olha a tração da McLaren, ele tá voando baixo”.
A corrida rolava seca e quente, 71 voltas de tensão pura. Eu almoçando devagarinho, olhos vidrados na tela, sentindo o cheiro de pneu queimado pela narração. Senna abria vantagem, mas aí… nas últimas 10 voltas, chuva fina começa a cair, tipo presente do céu para os rivais, “Pista molhada, com a chuva vinda do lado da represa”, narrou Galvão. Mansell na Williams pressiona, Jean Alesi na Ferrari sonha com zebra. Meu coração batia mais forte que motor turbo dos anos 80. Senna segura tudo, mas com cansaço e exaustão, mãos cheias de bolhas, relatadas depois da corrida. Assistindo pela Televisão aquela garra, determinação e habilidade, era como se eu sentisse a dor junto!

Senna cruza em primeiro, passa pelo “S” do Senna entra na reta oposta e para o carro na tentativa de pegar uma bandeira brasileira, o carro desliga e Senna fica parado na pista, recebe atendimentos médico de seu velho amigo Sid Watkins. Aí vem o rádio, meu amigo, o rádio com a voz do Ayrton gritando “Eu consegui! Eu consegui” e outras palavras impublicáveis. Galvão na transmissão falava “Senna vence em Interlagos”. Larguei o prato, gritei sozinho na sala, olhos marejados. Aos 11 anos, aquilo era mais que vitória, era Senna vencendo a si mesmo, como Piquet vencera em 1983, mas com emoção de Massa em 2008. Interlagos pulsava, hino brasileiro ecoava, e eu me sentia lá no pódio sem forças para levantar a bandeira do Brasil, dando orgulho a cada brasileiro.
TÉCNICO NO MODO TIOZÃO, Aquela McLaren MP4/6 era um foguete, grudava no asfalto como chiclete, mas na chuva virou patins. Imagina dirigir um fusca sem freio na descida do morro do Campeche na lama. Senna sendo Senna na pura versão do melhor piloto de todos os tempos da Fórmula 1.
Pilotos de sofá, qual sua memória mais louca de Interlagos? Me conta nos comentários, que o circo está armado! Agora sim eu quero ver!
Autor: F1 Tiozão – “Pit stop de notícias, sem enrolação.”

Fillipe Miranda é o TiozãoF1 — fã de Fórmula 1 há quase quatro décadas, engenheiro civil e comentarista de arquibancada raiz. Na coluna TiozãoF1, traz resumo do que importa, contexto, opinião e zoeira responsável sobre a F1. Um verdadeiro pit stop de notícias, sem enrolação. TiozãoF1 com notícias antes das corridas (aquecimento) e pós corridas (resumo + polêmicas). Sem enrolação, só adrenalina!










