Search
Close this search box.
Search
Close this search box.
Slide Heading
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.
Click Here
Previous slide
Next slide
Previous slide
Next slide

Daniel Luiz Miranda

O Brasil, a internet e o Iluminismo às avessas – Por Daniel Luiz Miranda

Compartilhe esta notícia:

Previous slide
Next slide

Trabalhei em algumas escolas. De estagiário, passei a professor substituto e, finalmente, professor titular de inglês. Enquanto substituto, tive a oportunidade de dar aulas do que eu mais gosto, principalmente Literatura Brasileira. Como aprendi! Sobre mim mesmo, como indivíduo, sobre relações de trabalho, professor-aluno, organização escolar, etc. O jornalismo sempre foi um sonho e o magistério foi uma grata surpresa. A paixão pela educação e pelo ensino me tomaram de assalto. 

Me lembro de uma aula que dei para a turma do terceiro ano do ensino médio da primeira escola onde lecionei. Conversamos sobre o ser humano como ser social e as mudanças de comportamento que favoreceram a evolução dos conluios humanos em busca por segurança e estabilidade. Foi cerca de uma hora e meia de uma boa conversa, com considerações relevantes para o meio escolar, debate aberto, sem imposições; com liberdade para até mesmo os devaneios clássicos da adolescência. Tentei ser diferente dos professores que me “davam nos nervos” enquanto aluno.

Em dado momento, conversávamos sobre o processo de modernização da sociedade, hoje tão massivamente diferente das primeiras associações humanas, de, no máximo, cem caçadores-coletores, que nada se preocupavam sobre empreender ou cumprir contrato, com futebol ou redes sociais. A configuração dos costumes sociais entre os seres humanos mudou. E mudou porque está em processo de constante alteração. Não é um privilégio exclusivo dos nossos ancestrais, nem chegará ao fim com o vitorioso Homo Sapiens.

Lastimosamente, o processo de mudança traz consigo algumas mazelas; estas que são parte de um processo de aprendizado. De “evolução”, se assim você preferir. Assim deveria ser, não é mesmo? Você erra. Você aprende. Erra de novo; se torna mais experiente. E, entre erros e acertos, nos tornamos pessoas mais coerentes, nos conhecemos com mais precisão, mais críticos; menos superficiais. Lamento por constatar que não parece ser essa a tônica do presente momento. E não me entenda mal, por favor. Essa não é uma crítica específica. Não estou criticando ao clero, aos políticos, aos militantes de esquerda, aos militantes de direita, ao proletariado ou ao patronato. É uma crítica ao que se tornou o Homo Sapiens do século XXI. Como um deles, considero essa uma crítica a mim mesmo.

Superficialidade, ofensas, principalmente quando se acabam os argumentos, sarcasmo, descaso, desonestidade, simplismo… quando não a mentira nua e crua, sem rodeios. Um show de horrores que permeia, virtual e presencialmente, quase a totalidade das discussões atuais – do simplório ao relevante. Onde foi parar o senso crítico? Onde foi parar a vergonha de soar ridículo? 

Parecemos viver o “iluminismo às avessas”, onde os cultuados não são o saber, a ponderação e análise honesta, o vigor da pesquisa científica e o anseio por novas perguntas a serem respondidas, mas a retórica distorcida, a trivialidade e, em vários casos, a nua ignorância. É um verdadeiro concurso de frases feitas – sem significado prático algum. Com a expansão dos webespaços, o escritor italiano Umberto Eco parece cirúrgico: “O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. Repito, essa é uma crítica a todos os segmentos da nossa sociedade. 

O Brasil precisa parar, nós precisamos parar, pensar antes de emitir opiniões, repensar e considerar o que vale ou não ser levado a diante. O Brasil precisa repensar sua postura – como sociedade – para que possa cobrar dos seus líderes um posicionamento coerente, se é que a falida democracia representativa ainda serve de alguma coisa. O Brasil precisa repensar sua identidade. E repito “o Brasil” na intenção de que fique clara a obrigatoriedade da participação de todos e todas. Antes que não haja mais espaço para a definição de uma identidade.

Opinião:
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AHora

Receba todas as notícias direto no seu whatsapp!

Fale conosco

Preencha o formulário abaixo que em breve entraremos em contato

Inbox no Facebook

Rua Rui Barbosa, 111 – Vila Nova, Imbituba – SC Brasil