
O GP DA ESPANHA FOI UM EPISÓDIO DE SORTE, AZAR E MUITO MURO
Ei, pilotos de sofá… cola no cinto que o Tiozão vai te contar como foi a estreia da Fórmula 1 no novo circuito de rua de Madri, o tal do Madring. Spoiler, teve vencedor com cara de quem ganhou na loteria, pole position com cara de quem perdeu o bilhete premiado, um holandês chamando tudo de “corrida Mickey Mouse” e um brasileiro que passou quase a corrida inteira com o mesmo jogo de pneus e ainda assim saiu de mãos abanando. Sem enrolação, aqui é pit stop.
O QUE IMPORTOU, Andrea Kimi Antonelli venceu a primeira corrida da história no Madring, faturou a oitava vitória na temporada 2026 e abriu 81 pontos de vantagem sobre George Russell no campeonato. Max Verstappen herdou o segundo lugar sem fazer muito esforço e Lando Norris, que largou da pole, ficou só com o terceiro, vítima de um safety-car virtual que veio na hora mais cruel possível. Charles Leclerc liderou boa parte da prova, mas a Ferrari, como sempre, encontrou um jeito de não vencer e Gabriel Bortoleto, da Audi, fechou em 13º, fora da zona de pontos, depois de ver a estratégia ir por água abaixo.

PIT STOP TÉCNICO, o Madring é aquele tipo de pista que não perdoa, muro de um lado, muro do outro, e ultrapassagem é artigo de luxo. Russell já saiu reclamando que falta ponto de ultrapassagem, Alonso reclamou também, Piastri sugeriu mudanças. A corrida foi decidida não na pista, mas no pit-lane. Quando o Lance Stroll parou na volta 15ª, o VSC acionou na pior hora para a McLaren; Norris tinha acabado de passar pela entrada dos boxes e não pôde parar. Antonelli e Verstappen pararam, ganharam um tempo precioso e viraram o jogo. É como chegar no posto com o tanque na reserva e descobrir que o frentista saiu para almoçar. Leclerc, que não parou, assumiu a ponta e sonhou até ser chamado na volta 49ª e voltar em quarto. Em pista que não dá para ultrapassar, o que vale é a fila do supermercado.
BASTIDOR E POLÊMICA, Verstappen chamou a corrida de “Mickey Mouse”, e Hamilton, que abandonou com problema nos freios logo no início, depois de tocar no muro, rebateu dizendo que o holandês ficou irritado porque teve de devolver a posição após o duelo na primeira curva. A Red Bull mandou devolver, ele devolveu de cara feia, e a partir daí foi só resmungo. Enquanto isso, a McLaren lastimou o “VSC cruel” com Norris, que admitiu que “a sorte não esteve ao meu lado” e Antonelli, com uma honestidade rara, disse que a vitória “não é tão boa” e que Norris merecia vencer. Ou seja, até o vencedor sabe que o resultado veio de presente.
NOTAS POR EQUIPE, SEM ENROLAÇÃO:
Mercedes: Antonelli venceu de novo e Russell foi quinto, o campeonato está com cara de festa particular. Red Bull: Verstappen segundo sem suar, Lawson sexto, o azar alheio virou colheita.
McLaren: Norris terceiro com cara de quem perdeu na loteria; Piastri oitavo.
Ferrari: Leclerc quarto depois de liderar; Hamilton abandonou com freio de mentira.
Alpine: Colapinto sétimo, “uma das melhores corridas da minha carreira” e Gasly 12º, na mesma estratégia furada do Bortoleto.

O CAPÍTULO AUDI, a equipe alemã saiu de Madri com um ponto, Nico Hülkenberg, décimo, que largou fora do top 10 e fez o “máximo possível”. Mas o capítulo mais comentado foi o de Gabriel Bortoleto. Largou em 12º, caiu para 14º na largada, subiu para 9º durante o VSC ao ficar na pista com os pneus duros e depois viu tudo desmoronar. Foram 47 voltas com o mesmo jogo de pneus, a própria Audi brincou que ele “conseguiu um novo emprego” de tanto tempo que passou na pista. O brasileiro resumiu com a franqueza de sempre, o VSC veio “na pior volta possível” e sem um segundo safety-car ou bandeira vermelha, “a corrida acabou”. O diretor de corridas Allan McNish defendeu a aposta, “não dava para descartar nada”. O Tiozão, que acompanha brasileiro na F1 desde Senna, sabe que esse tipo de azar tem prazo de validade, mas o relógio não para e Bortoleto segue com 10 pontos na temporada, em busca de voltar à zona de pontuação.
FECHAMENTO, o Madring estreou com cara de pista bonita, mas de corrida sonolenta se a F1 não achar um jeito de facilitar ultrapassagem ali, o “Mickey Mouse” do Verstappen vira apelido oficial. E a pergunta que fica, pilotos de sofá, será que o Bortoleto, que já provou que tem estrela, supera as dificuldades em Baku? Cola no cinto que o circo verde está armado… e agora sim eu quero ver.
TiozãoF1 — Pit stop de notícias, sem enrolação.

SOBRE O COLUNISTA
Fillipe Miranda é o TiozãoF1 — fã de Fórmula 1 há quase quatro décadas, engenheiro civil e comentarista de arquibancada raiz. Na coluna TiozãoF1, traz resumo do que importa, contexto, opinião e zoeira responsável sobre a F1. Um verdadeiro pit stop de notícias, sem enrolação. TiozãoF1 com notícias antes das corridas (aquecimento) e pós corridas (resumo + polêmicas). Sem enrolação, só adrenalina!











