Garopaba está transformando a infraestrutura de iluminação pública em uma plataforma que vai muito além de simplesmente iluminar ruas e avenidas. Por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), o município vem integrando eficiência energética, sustentabilidade, segurança, conectividade e tecnologia em um projeto que coloca a cidade em posição de destaque entre os municípios catarinenses que avançam na construção de modelos de gestão alinhados aos princípios ESG (práticas relacionadas à responsabilidade ambiental, social e à governança).
A modernização alcança cerca de 7,8 mil pontos de iluminação e já representa uma redução de aproximadamente 40% na carga instalada do município. Além da economia de energia, a iniciativa evita cerca de 60 toneladas de CO² por ano, contribuindo diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Mas é justamente na integração de diferentes soluções que está o principal diferencial do projeto. A PPP prevê a implantação de 13 usinas de energia solar fotovoltaica, distribuídas em diferentes pontos do município, com produção mínima estimada em 632 mil kWh por ano. A energia gerada será utilizada para compensar o consumo de unidades públicas, como escolas e postos de saúde, transformando a economia obtida na iluminação em uma fonte de recursos e eficiência para outros serviços essenciais.
O conceito é conhecido como geração de “kilowatts ganhos”: ao reduzir o desperdício e tornar o sistema mais eficiente, o município diminui despesas com energia e cria espaço para que recursos públicos possam ser direcionados a outras áreas prioritárias.
Tecnologia também a serviço da segurança
A transformação de Garopaba não se limita à questão energética. O projeto também incorpora uma estrutura tecnológica voltada à segurança pública.
O município conta com a implantação de um cerco eletrônico formado por 180 câmeras, ampliando a capacidade de monitoramento de pontos estratégicos e contribuindo para a prevenção e investigação de ocorrências.
A estrutura é complementada por uma rede própria de fibra óptica, responsável por interligar prédios municipais e ampliar a capacidade de comunicação e transmissão de dados da administração pública.
Outro componente do projeto é a instalação de nove pontos de wi-fi público em locais estratégicos, ampliando o acesso à conectividade para moradores e visitantes.
O resultado é uma infraestrutura que combina iluminação eficiente, geração de energia limpa, conectividade e segurança em uma mesma estratégia de modernização urbana.
Um modelo que aproxima Garopaba do conceito ESG
A sigla ESG reúne práticas relacionadas à responsabilidade ambiental, social e à governança. No caso de Garopaba, os três pilares aparecem associados dentro de uma mesma iniciativa.
Na dimensão ambiental, estão a redução do consumo e da carga energética, a diminuição das emissões de CO² e a geração de energia solar.
No aspecto social, a melhoria da iluminação pública, a ampliação do monitoramento, a conectividade gratuita e a utilização da energia gerada para compensar o consumo de escolas e unidades de saúde representam benefícios que chegam diretamente à população.
Já na governança, a integração de tecnologia, monitoramento e gestão inteligente da infraestrutura permite ao município administrar seus recursos de maneira mais eficiente e planejada.
É essa combinação que faz da experiência garopabense um dos exemplos mais abrangentes do modelo de PPP aplicado à infraestrutura urbana em Santa Catarina.
Palhoça: economia e manutenção inteligente
Antes de chegar a esse patamar de integração, outros municípios catarinenses também passaram a utilizar PPPs para modernizar a iluminação pública.
Em Palhoça, o projeto resultou em uma economia de 63% na conta de energia pública e evitou, em 12 meses, a emissão de aproximadamente 620 toneladas de CO² na atmosfera — volume equivalente ao que mais de 130 carros emitiriam em um ano.
Um dos diferenciais da operação é a utilização de telegestão preditiva, sistema capaz de identificar falhas remotamente e agilizar a manutenção da rede, reduzindo a necessidade de deslocamentos e vistorias presenciais.
Penha alia economia à “muralha digital”
Em Penha, no Litoral Norte, a modernização de mais de 7,3 mil pontos de iluminação proporcionou uma redução de 76% no consumo de energia, com a consequente diminuição das emissões de carbono.
A economia energética veio acompanhada de uma robusta estrutura tecnológica. O município passou a contar com uma espécie de “muralha digital”, composta por 339 câmeras de monitoramento, conectadas 24 horas por dia a um Centro de Controle.
Desse total, são 190 câmeras com leitura automática de placas (ALPR), 62 equipamentos panorâmicos com movimentação de 360 graus (PTZ) e 87 câmeras fixas, integrados às forças de segurança.
O projeto também contempla 13 pontos de wi-fi público instalados em praias e praças.
Santa Catarina avança no conceito de cidades inteligentes
Os três exemplos mostram como a iluminação pública deixou de ser encarada apenas como uma despesa operacional dos municípios e passou a integrar estratégias mais amplas de transformação urbana.
Em Garopaba, a combinação entre eficiência energética, energia solar, segurança eletrônica, fibra óptica e conectividade cria uma infraestrutura capaz de sustentar novas soluções de cidade inteligente nos próximos anos.
O modelo também demonstra como a modernização de um serviço básico pode gerar impactos em diferentes áreas da administração pública. Menos energia desperdiçada significa menor custo; menor custo pode representar mais capacidade de investimento; e tecnologia integrada pode melhorar a prestação dos serviços à população.
Com esse conjunto de iniciativas, Garopaba passa a figurar entre os municípios catarinenses que utilizam a inovação e a sustentabilidade como ferramentas de gestão, transformando uma tradicional estrutura de iluminação pública em uma plataforma de eficiência, segurança, conectividade e geração de energia limpa.











