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Fillipe Miranda

Tiozão F1 destaca detalhes do GP da Holanda, “Norris vence, Verstappen bate e a Ferrari faz o ‘quase’ de luxo em Zandvoort”

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Ei, pilotos de sofá… cola no cinto porque o último Grande Prêmio da Holanda entregou o pacote completo da Fórmula 1, líder trocando tinta com o muro, estratégia dando nó em equipe grande, ordem de box, ultrapassagem bonita e uma Ferrari fazendo aquilo que conhece tão bem andar forte o suficiente para criar esperança e terminar perto o bastante para deixar todo mundo irritado. Lando Norris venceu a corrida em Zandvoort e confirmou a segunda vitória consecutiva na temporada. O piloto da McLaren largou da pole, sobreviveu ao ataque inicial de Kimi Antonelli e terminou à frente do italiano da Mercedes. George Russell completou o pódio à frente de Lewis Hamilton, que terminou em quarto. Charles Leclerc foi quinto, com Oscar Piastri em sexto.

O HERÓI DA CASA VIROU EXPECTADOR, Max Verstappen não completou uma volta sequer. O piloto da Red Bull se envolveu numa disputa inicial com Liam Lawson, mas o drama verdadeiro veio logo depois ao tocar a linha branca, perdeu o controle na superfície escorregadia e foi parar no muro. Fim de prova para o herói local, que provavelmente esperava uma despedida holandesa mais cinematográfica. Recebeu, em vez disso, uma aula prática de que o muro de Zandvoort não respeita currículo, torcida ou contrato de patrocínio.

LARGADA DE CAMPEÃO, FINAL DE “QUASE”, Kimi Antonelli foi um dos grandes nomes do domingo. Na primeira largada, ganhou posições e se colocou em segundo. Na relargada, fez ainda melhor, atacou Norris na curva 1 e assumiu a liderança. O italiano não ganhou, mas também não saiu de Zandvoort devendo explicações. Antonelli segurou a ponta durante boa parte da corrida, mesmo enfrentando dificuldades com os pneus traseiros. O problema é que Norris vinha com pneus mais frescos e, quando a borracha começou a pedir aposentadoria, a McLaren apareceu no retrovisor como boleto vencido.

A ultrapassagem decisiva veio quando Antonelli tentou atacar Hamilton. Norris aproveitou a movimentação, passou por fora e retomou a liderança. Depois disso, abriu vantagem e controlou a prova. Antonelli terminou em segundo, enquanto Russell precisou defender o terceiro lugar contra as duas Ferraris. A Mercedes ainda precisou fazer uma espécie de reorganização interna para colocar Antonelli novamente na frente.

O PÓDIO JÁ ESTAVA NA CONTA — MAS O PÓDIO ESCAPOU, vamos separar o sinal da fumaça, a Ferrari não venceu o GP da Holanda. A segunda vitória da equipe na temporada já havia sido conquistada por Charles Leclerc no Grande Prêmio da Grã-Bretanha, depois de Lewis Hamilton ter vencido em Barcelona. No domingo holandês, Hamilton terminou em quarto e Leclerc em quinto. O resultado poderia ter sido melhor, porque os dois carros tinham ritmo para pressionar Russell até a bandeirada. O problema, mais uma vez, foi a combinação clássica de Ferrari, velocidade suficiente para incomodar, classificação abaixo do ideal e decisões estratégicas capazes de transformar uma boa corrida num exercício coletivo de paciência. Leclerc perdeu tempo atrás de Piastri, mas resolveu o assunto com uma ultrapassagem por fora. Hamilton também passou o australiano e colocou a Ferrari na briga direta pelo pódio. Depois, veio a confusão estratégica. Hamilton ficou irritado com a demora e com o chamado para o pit stop de Leclerc, soltando um sarcástico “ótimo desperdício de tempo, pessoal”.

A Ferrari ainda fez uma parada dupla sob o Virtual Safety Car. No papel, parecia uma oportunidade. Na prática, a equipe saiu de Zandvoort com 22 pontos na corrida e 31 no fim de semana, somando também os nove pontos da Sprint. É um resultado sólido, mas o sentimento ficou naquele território conhecido da Scuderia, “dava para ser mais”.

PERDEU O PÓDIO NO PIT STOP, Oscar Piastri também merece um capítulo nessa novela. O australiano chegou a subir para terceiro usando pneus duros novos, numa manobra que mostrou que a McLaren tinha ritmo para colocar os dois carros na frente.

Mas a parada que deveria protegê-lo de George Russell virou o famoso “pit stop gourmet”, demorou 5,4 segundos, praticamente o dobro da vantagem que Piastri tinha construído. Russell agradeceu, passou e ficou com o último lugar do pódio.

Depois, Piastri ainda perdeu posições para Leclerc e Hamilton. Terminou em sexto, resultado que não é desastre, mas também não combina com um carro que parecia ter velocidade para mais. Na McLaren, Norris saiu sorrindo; Piastri saiu calculando quantos segundos uma equipe pode perder antes de chamar aquilo de estratégia alternativa.

VELOCIDADE HÁ, SOBRA A ENTREGA, Gabriel Bortoleto terminou o GP da Holanda em 13º lugar, uma volta atrás do vencedor. O brasileiro havia largado em nono e conquistado a nona posição na Sprint, resultado que reforçou a impressão de que a Audi tem potencial para aparecer no pelotão intermediário.

Na corrida principal, porém, o desempenho não virou pontuação. O próprio material oficial da prova mostra Bortoleto escapando de traseira ainda cedo, com os pneus traseiros acendendo antes da entrada da curva. Não foi o domingo que o brasileiro queria, mas também não apaga o fato de que ele colocou a Audi entre os dez primeiros no grid e na Sprint. Enquanto Nico Hülkenberg terminou em oitavo e levou pontos para a equipe, Bortoleto ficou pelo caminho da classificação. Na Audi, cada posição precisa ser arrancada no braço, porque o carro ainda não está distribuindo presentes no paddock.

O GP DA HOLANDA TERMINOU COM NORRIS NO TOPO, Antonelli confirmando que a liderança do campeonato não é acidente e Verstappen descobrindo que o muro de Zandvoort também sabe fazer ultrapassagem — só que contra o carro. A Ferrari deixou o país com uma segunda vitória na temporada já garantida no histórico, mas sem conseguir transformar o bom ritmo em pódio no domingo. A Mercedes saiu fortalecida, a McLaren mostrou que voltou das férias acelerando e a Audi continua naquela fase em que o potencial aparece antes do resultado.

No fim, Zandvoort entregou uma corrida à altura da despedida, rápida, apertada, estratégica e levemente caótica. Agora sim eu quero ver o que acontece na próxima etapa. Porque, se depender desse campeonato, o circo está armado e ninguém parece ter encontrado ainda o botão de desligar.

TiozãoF1 — Pit stop de notícias, sem enrolação.


SOBRE O COLUNISTA

Fillipe Miranda é o TiozãoF1 — fã de Fórmula 1 há quase quatro décadas, engenheiro civil e comentarista de arquibancada raiz. Na coluna TiozãoF1, traz resumo do que importa, contexto, opinião e zoeira responsável sobre a F1. Um verdadeiro pit stop de notícias, sem enrolação. TiozãoF1 com notícias antes das corridas (aquecimento) e pós corridas (resumo + polêmicas). Sem enrolação, só adrenalina!

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Opinião:
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal AHora

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