O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) afirmou que as diferenças identificadas ao longo dos anos nas forças dos cabos de aço da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, não representam, de forma isolada, evidência de erro construtivo ou falha no projeto. As informações foram divulgadas pelo ND Mais nesta quarta-feira (26), a partir de nota oficial encaminhada pelo órgão federal.
O posicionamento ocorre em meio à ampliação da apuração conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre as condições estruturais da ponte, após a ruptura de filamentos do sistema de estais que levou à interdição total da travessia em julho deste ano.
Segundo o DNIT, até o momento, o departamento não recebeu uma notificação formal sobre a ampliação da investigação. O órgão, entretanto, informou que vem acompanhando as discussões técnicas desde que foi comunicado pela concessionária responsável pela BR-101 sobre a identificação de anomalias na estrutura.
Ensaios realizados após a construção apontaram regularidade
De acordo com o DNIT, a concessionária responsável pelo trecho recebeu, no dia 6 de agosto, um relatório técnico referente aos ensaios realizados na Ponte Anita Garibaldi em 2015, período posterior à conclusão da obra.
Na ocasião, foram realizadas provas de carga estática e dinâmica para avaliar o comportamento da estrutura. Conforme a autarquia, os resultados indicaram desempenho compatível com as normas de engenharia vigentes.
O departamento também destacou que as diferenças entre as forças medidas nos estais em 2015 e aquelas verificadas posteriormente, em 2022 e 2025, não podem ser consideradas, isoladamente, como comprovação de falha na construção, deficiência de projeto ou inconsistência na documentação da obra.
A avaliação das condições atuais da ponte, porém, segue sendo acompanhada diante das anomalias identificadas nos últimos anos.
Projeto previa acompanhamento contínuo da estrutura
Ainda conforme o DNIT, o chamado Projeto As Built, documento que reúne o registro final da estrutura efetivamente construída, estabeleceu diretrizes para o monitoramento permanente da ponte.
O material também inclui orientações técnicas para inspeções preventivas e procedimentos de conservação dos estais e das juntas de dilatação.
A autarquia afirma que, até outubro de 2022, não havia recebido informações que apontassem problemas estruturais relevantes ou a existência de vícios ocultos na Ponte Anita Garibaldi.
Após ser informado sobre as anomalias encontradas na estrutura, o DNIT passou a fornecer documentos e dados solicitados pela concessionária e a participar das discussões técnicas relacionadas aos problemas identificados.
MPF investiga falhas na Ponte Anita Garibaldi
A manifestação do DNIT ocorre enquanto o Ministério Público Federal apura as circunstâncias que levaram às avarias e à consequente interdição da ponte.
O procedimento preparatório foi instaurado pelo procurador da República Carlos Augusto de Amorim Dutra. A investigação busca reunir informações sobre a execução da obra, o acompanhamento realizado ao longo dos anos e as responsabilidades relacionadas aos problemas estruturais.
Entre os questionamentos apresentados pelo MPF estão a existência de conhecimento prévio, por parte da Direção-Geral do DNIT, sobre os danos identificados em 2022 e 2026 e a forma como essas ocorrências foram comunicadas e tratadas.
A Procuradoria também solicitou informações sobre as equipes responsáveis pelas vistorias, ensaios e provas de carga realizadas na estrutura, além da identificação dos responsáveis técnicos pela execução e fiscalização da obra.
Órgão solicita documentos sobre construção e fiscalização
O MPF também requisitou uma série de documentos relacionados ao histórico da Ponte Anita Garibaldi.
Entre os materiais solicitados estão contratos firmados com empresas e consórcios responsáveis pela construção, projetos de engenharia aprovados, relatórios de fiscalização e documentos referentes às medições realizadas durante a execução da obra.
Também foram solicitados comprovantes de pagamentos realizados com recursos públicos, documentos relacionados à transferência da infraestrutura para a iniciativa privada e informações sobre possíveis processos judiciais envolvendo o recebimento definitivo da obra.
A documentação deverá auxiliar a Procuradoria na identificação das causas das falhas e na avaliação de eventuais responsabilidades.
Ponte já havia apresentado problemas em 2022
As ocorrências atuais não são o primeiro episódio envolvendo problemas estruturais na travessia.
Em 2022, a Ponte Anita Garibaldi passou por intervenções emergenciais após a identificação de anomalias em um dos pilares da estrutura. Na época, foram instalados reforços metálicos e o tráfego de veículos pesados precisou ser direcionado temporariamente para a Ponte das Laranjeiras, em Cabeçuda.
Anos depois, novas inspeções voltaram a apontar problemas no sistema estrutural da ponte.
Em 2026, foram identificados rompimentos de filamentos em uma cordoalha do sistema de estais. O problema levou à interdição completa da travessia no dia 9 de julho.
Tráfego segue com restrições
Após dez dias de bloqueio total, a Ponte Anita Garibaldi foi parcialmente liberada para circulação em 19 de julho.
Desde então, o tráfego ocorre em regime de restrição e a estrutura permanece sob acompanhamento técnico enquanto são realizados reparos e novos testes.
A velocidade máxima permitida no trecho está limitada a 50 km/h. Também permanecem proibidos veículos de transporte especial que ultrapassem 10 toneladas por eixo ou tenham largura superior a quatro metros.
Enquanto os trabalhos continuam, as condições da ponte seguem sendo acompanhadas pelos órgãos responsáveis e pela concessionária que administra o trecho da BR-101.
Com informações do ND Mais.











