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Odara Garopaba

De Garopaba para uma indústria milionária: surfista que vendia alfajores na praia projeta faturar R$ 42 milhões

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Foto: Bianca Zacouteguy/Divulgação

Criado pelo surfista gaúcho Jeison Scheid durante o verão de 2013, em Garopaba, o negócio que começou com a venda artesanal de alfajores para turistas argentinos e uruguaios se transformou na Odara, indústria com fábrica de 4,5 mil metros quadrados, mais de 15 mil pontos de venda no país e projeção de faturamento de R$ 42 milhões em 2026. As informações e entrevistas com os fundadores da Odara foram concedidas à revista Exame.

Em 2013, Jeison deixou temporariamente a rotina de Porto Alegre para passar mais tempo na praia e encontrou nos alfajores uma oportunidade de negócio. O produto, bastante conhecido entre turistas argentinos e uruguaios que frequentavam Garopaba, passou a ser preparado de maneira artesanal e vendido diretamente aos visitantes durante a temporada.

A experiência deu origem à Odara, empresa criada em novembro daquele ano e que, mais de uma década depois, projeta alcançar R$42 milhões de faturamento em 2026.

A história, que começou de maneira improvisada entre praia, surf e vendas durante o verão, ganhou outra dimensão ao longo dos anos. Em 2025, a empresa faturou R$34 milhões, crescimento de aproximadamente 60% em relação ao ano anterior. A meta agora é chegar a R$100 milhões até 2030.

Garopaba foi o ponto de partida para o negócio

A relação entre Garopaba e a Odara está diretamente ligada à origem da empresa.

Naquele verão de 2013, Scheid percebeu que havia um público formado principalmente por turistas argentinos e uruguaios que já conheciam o alfajor e consumiam o produto com frequência.

Depois de aprender a receita com uma amiga, começou a produção e passou a vender os doces nas praias do município.

A ideia inicial não era construir uma grande indústria. O objetivo era mais simples: aproveitar a temporada, trabalhar próximo ao mar e conseguir uma renda que permitisse ao empreendedor permanecer mais tempo em Garopaba.

Entre novembro de 2013 e abril de 2014, a atividade funcionou como um primeiro teste de mercado.

Quando o verão terminou, Scheid voltou para Porto Alegre. O negócio, porém, não ficou para trás.

Da produção artesanal à indústria

De volta ao Rio Grande do Sul, o empreendedor começou a produzir os alfajores em pequena escala e a buscar pontos de venda.

A rotina era dividida entre a fabricação dos produtos e as entregas. Scheid chegou a utilizar uma bicicleta para distribuir os alfajores em estabelecimentos de Porto Alegre.

Foi nesse período que conheceu Kauê Bohrer, que posteriormente se tornou seu sócio. Enquanto Scheid passou a se dedicar principalmente às áreas comercial e de marketing, Bohrer assumiu uma participação maior na operação.

A empresa precisou então escolher entre dois caminhos: investir em lojas próprias ou transformar a marca em uma indústria capaz de abastecer o varejo.

A segunda alternativa prevaleceu.

A Odara começou a investir em equipamentos e estrutura para aumentar a produção. Uma das primeiras máquinas de maior porte adquiridas foi utilizada para embalar os produtos.

O crescimento foi gradual e financiado, durante cerca de uma década, principalmente com recursos próprios da empresa.

A distribuição começou pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina e posteriormente avançou para Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

Empresa que nasceu em Garopaba chega a mais de 15 mil pontos de venda

Atualmente, a Odara possui mais de 15 mil pontos de venda ativos por mês.

A fábrica da empresa está instalada em Porto Alegre e ocupa aproximadamente 4,5 mil metros quadrados. A estrutura possui capacidade nominal para produzir até 15 mil alfajores por hora.

A expansão fez com que São Paulo se tornasse o principal mercado da companhia, superando inclusive os estados onde a marca começou a se consolidar, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A empresa mantém presença mais forte nas regiões Sul e Sudeste, mas também avançou para estados como Bahia e Alagoas.

O modelo de distribuição é considerado estratégico para um produto que costuma ser adquirido por impulso. A lógica da empresa é estar presente em muitos estabelecimentos, permitindo que o consumidor encontre o produto com facilidade.

Odara quer ir além do alfajor

O crescimento da empresa também passa por uma mudança de estratégia.

A Odara pretende aproveitar a rede de distribuição já construída para ampliar o portfólio e reduzir a dependência do alfajor.

Entre as novas apostas estão brownies, barras recheadas e produtos sem adição de açúcar e sem lactose.

A linha Zero, lançada neste ano, já representa uma parcela significativa do faturamento da empresa, segundo Scheid.

A companhia também passou a trabalhar com brownies em versões tradicional e doce de leite e prepara novos produtos para alcançar diferentes perfis de consumidores.

Outra aposta é o Maré, uma barra de doce de amendoim com cobertura sabor chocolate. Uma versão sem açúcar e sem lactose também está prevista.

Parcerias ampliam presença da marca

A estratégia de crescimento inclui ainda colaborações com outras marcas.

A Odara já desenvolveu produtos em parceria com a Nestlé, utilizando referências de marcas conhecidas de chocolates.

A próxima colaboração anunciada será com a Neugebauer, empresa gaúcha. A proposta é criar um alfajor inspirado no chocolate Stikadinho, combinando doce de leite e recheio de morango.

A previsão é que o novo produto chegue ao mercado entre o fim de setembro e a primeira quinzena de outubro.

Para Scheid, ampliar o portfólio permite que a empresa aproveite a estrutura comercial já existente para alcançar novos consumidores sem necessariamente substituir os produtos tradicionais.

Negócio precisou ser reconstruído após enchente

A trajetória de crescimento também foi marcada por um dos momentos mais difíceis da empresa.

Em maio de 2024, a enchente que atingiu Porto Alegre invadiu a fábrica da Odara, localizada no bairro Sarandi. A água chegou a aproximadamente 2,3 metros, danificando equipamentos, estoques e parte da estrutura.

A produção ficou interrompida por cerca de dois meses.

Após o desastre, a empresa utilizou linhas de crédito e programas de apoio para reconstruir a operação. Entre 2025 e meados de 2026, mais de R$ 2 milhões foram investidos, principalmente em máquinas, estrutura e capacidade energética.

Atualmente, a indústria conta com cerca de 81 funcionários e opera em dois turnos.

História da Odara mantém ligação com o surfe

Apesar de a produção ter se transformado em uma operação industrial, a relação da marca com o surfe permanece presente.

A empresa contratou a surfista e medalhista olímpica Tatiana Weston-Webb como embaixadora. A parceria inclui campanhas, ativações e a exposição da marca na prancha da atleta.

A Odara também apoia atletas mais jovens por meio do projeto Ser Humano, ligado ao surfe.

A estratégia recupera, de certa forma, a identidade que esteve presente desde o início da empresa, quando Scheid começou a vender alfajores justamente em uma cidade conhecida pela relação com o esporte, as praias e o turismo.

De Garopaba para novos mercados

A empresa agora mira novas regiões do Brasil e também avalia oportunidades internacionais.

Depois de avançar no Nordeste, a Odara pretende ampliar sua presença em outros estados da região.

O mercado externo também entrou no radar. Durante uma feira do setor supermercadista realizada em São Paulo, a companhia recebeu contatos de potenciais parceiros do Uruguai.

A possibilidade de iniciar uma operação comercial no país ainda em 2026 está sendo avaliada.

Uma ideia que nasceu no verão de Garopaba

A trajetória da Odara mostra como uma oportunidade identificada durante uma temporada de verão pode se transformar em um negócio de grande escala.

Garopaba aparece no início dessa história não apenas como cenário, mas como o local onde Scheid encontrou o público e identificou uma demanda que ajudou a dar os primeiros passos à marca.

Mais de uma década depois, o negócio que começou com a produção artesanal e a venda de alfajores para turistas na praia se tornou uma indústria com milhões de reais em faturamento, milhares de pontos de venda e planos de expansão nacional e internacional.

A meta estabelecida pela empresa é alcançar R$ 100 milhões em faturamento até 2030. E, embora a fábrica hoje esteja longe de Garopaba, foi no litoral catarinense, durante um verão de 2013, que a história começou.

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