Após um intenso trabalho investigativo desenvolvido pela Polícia Civil e uma atuação integrada com a Polícia Militar, chegou ao fim o caso Marcos Emanoel, um dos casos criminais de maior repercussão registrados na comarca de Garopaba nos últimos anos. O Tribunal do Júri concluiu, nesta semana, o julgamento dos últimos acusados envolvidos na morte de Marcos Emanoel, encerrando uma investigação que resultou na responsabilização criminal da maior parte dos envolvidos.
Como aconteceu o crime
O crime teve início quando Marcos Emanoel, usuário de drogas, dirigiu-se a um ponto de tráfico para adquirir entorpecentes. Após a compra, subtraiu uma motocicleta pertencente aos traficantes daquele local. Na sequência, deslocou-se até outro ponto de venda de drogas utilizando o veículo, ocasião em que traficantes reconheceram a motocicleta como pertencente a integrantes de um grupo criminoso. Na tentativa de capturá-lo, Marcos conseguiu fugir.
Horas depois, ao menos seis indivíduos reuniram-se e foram até a residência da vítima, de onde a retiraram à força. Durante a ação, sua esposa foi ameaçada com arma de fogo para que não informasse às autoridades quem havia participado do arrebatamento. Marcos Emanoel foi levado até uma área no alto do Morro da Encantada, onde permaneceu por aproximadamente trinta minutos sendo brutalmente agredido, vindo a morrer em decorrência de politraumatismo.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil também apuraram que, após o homicídio, os autores ainda empreenderam esforços para dificultar a descoberta do crime, tentando dissolver o corpo da vítima mediante a utilização de soda cáustica.
Ainda no dia dos fatos, a rápida atuação da Polícia Militar possibilitou a prisão de dois suspeitos. A partir dessas prisões e das diligências investigativas subsequentes, a Polícia Civil conseguiu identificar outros envolvidos, representar por mandados de busca e apreensão e de prisão, todos deferidos pelo Poder Judiciário com manifestação favorável do Ministério Público.
Investigação identificou seis envolvidos
Ao término do inquérito policial, seis pessoas foram indiciadas pelos crimes relacionados ao sequestro, às agressões, ao homicídio e à ocultação de cadáver. Na sequência, a Polícia Civil deu cumprimento aos mandados judiciais, conseguindo localizar e prender os investigados.
Os julgamentos ocorreram em duas etapas. O primeiro Tribunal do Júri foi realizado em novembro de 2024, desenvolvendo-se ao longo de dois dias, com sessões das 9h às 23h no primeiro dia e das 9h às 18h no segundo, totalizando aproximadamente 23 horas de julgamento.
Já o segundo e último julgamento foi realizado na última quinta-feira, iniciando às 9h da manhã e encerrando apenas às 9h30 do dia seguinte, somando quase 25 horas ininterruptas de sessão, demonstrando a complexidade do caso e o elevado número de provas e teses submetidas à apreciação do Conselho de Sentença.
Ao final dos julgamentos, foram proferidas as seguintes decisões:
- Matheus Izaias Flor – condenado a 24 anos de reclusão, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver;
- Carlos Daniel Rodrigues Freitas – condenado a 23 anos e 8 meses de reclusão, pelos crimes de homicídio e roubo;
- Gabriel Marques Gotz – condenado a 22 anos e 8 meses de reclusão, pelos crimes de homicídio e roubo;
- Manoel Henrique da Silva Alexandre – condenado a 20 anos de reclusão, pelo crime de homicídio;
- Thiago Cardoso de Castro – condenado a 5 anos de reclusão, pelo crime de lesão corporal seguida de morte;
- Vanderlei Amarante da Silveira Mendonça – condenado a 1 ano de reclusão, pelo crime de ocultação de cadáver;
- Douglas Alysson de Souza – absolvido das acusações.
As condenações representam um importante desfecho para um crime que causou grande repercussão e comoção na região, constituindo um alívio para a sociedade de Garopaba, que permanecerá, ao menos por determinado período, livre da atuação criminosa daqueles responsabilizados pelos fatos. O resultado também reforça que a sociedade garopabense não tolera práticas marcadas pela violência extrema, pela atuação de organizações criminosas e pelo completo desrespeito à vida e aos direitos das pessoas.
Também merece destaque a dedicação do Conselho de Sentença, composto por cidadãos que exerceram seu dever cívico permanecendo praticamente 25 horas ininterruptas em julgamento para analisar todo o conjunto probatório e permitir que o caso recebesse uma resposta definitiva por meio do Tribunal do Júri.
Integração entre Polícia Civil e Polícia Militar foi decisiva
A Polícia Civil destaca, por fim, que a elucidação do crime, a identificação dos envolvidos, o cumprimento das prisões e a responsabilização criminal somente foram possíveis graças ao intenso compartilhamento de informações, à integração entre as forças de segurança e ao comprometimento dos policiais militares e civis que atuaram em todas as fases da investigação. A atuação conjunta das instituições foi fundamental para o esclarecimento dos fatos e para a resposta que a sociedade aguardava.
Garopaba é reconhecida como um município pacífico e comprometido com a convivência social, razão pela qual episódios de extrema violência como este exigem uma atuação firme e coordenada das instituições responsáveis pela segurança pública e pela aplicação da Justiça.











