
Ei, pilotos de sofá… cola no cinto que o Tiozão vai te contar o que ninguém viu na TV!
O circo armou a barraca em Budapeste e pela primeira vez em 2026, a McLaren ouviu o hino britânico de verdade, não em karaokê de pré-temporada. Lando Norris, o atual campeão que andava mais sumido que juiz em corrida de rua, resolveu aparecer e cravar uma vitória dominante no Hungaroring.
Mas, como todo GP da Hungria que se preza, a bagunça foi geral com ultrapassagem que a televisão não mostrou, câmbio que pediu arrego e a Ferrari chegando com sede no pódio.

O QUE IMPORTA, Lando Norris largou na pole, perdeu a ponta na curva 2 para o próprio companheiro Oscar Piastri, mas contou com uma estratégia de pit stop mais esperta e uma ajudinha do destino (leia-se: caixa de câmbio do Piastri que disse “tchau” na volta 56), para cruzar a linha de chegada em primeiro. Primeira vitória da McLaren no ano, primeira de Norris desde São Paulo 2025, um jejum de 13 GPs que já estava irritando até os fãs mais pacientes.
Max Verstappen, fazendo o que faz de melhor (extrair leite de pedra daquela Red Bull), chegou em segundo. E Kimi Antonelli, o adolescente que parece ter saído de um simulador diretamente para o topo do mundo, completou o pódio em terceiro, aumentando ainda mais a liderança no campeonato.

TIOZÃO EXPLICA, sabe quando você vai trocar o óleo do carro e descobre que o motor está ferrado? Assim foi o fim de semana da Ferrari. Lewis Hamilton e Kimi Antonelli (sim, o da Mercedes, não confundir) levaram punições de grid. O heptacampeão por atrapalhar Piastri no Q1, Antonelli por não reduzir com bandeira amarela, resultado, Hamilton largou atrás, teve que fazer corrida de recuperação e ainda assim cruzou em… quinto? Não, calma.
Na realidade, Hamilton recebeu 5 segundos de punição depois da corrida por um incidente que nem vou tentar explicar aqui por que a FIA parece que tira as regras do chapéu. Com a punição, ele caiu de quarto para quinto e Charles Leclerc herdou a quarta posição oficialmente. Mas o detalhe é que, sem a canetada, Hamilton terminaria à frente do companheiro. O que nos leva a crer que a Ferrari finalmente acordou com o segundo lugar no Mundial de Construtores ao que tudo indica e mostrando que o segundo semestre promete.
Outra parada técnica que merece respeito, pois a Audi veio com estratégia de pneu duro e uma parada só, quase deu certo. Hulkenberg fez um primeiro pit stop tardio e com pneus mais frescos no final, comeu solto nas últimas voltas. Resultado, nono lugar e o seus primeiros pontos da temporada 2026.
FALANDO SÉRIO AGORA. Teve um momento em que dava pena até dos mais xiitas. Oscar Piastri fez uma corrida ABSURDA. Largou atrás do Norris, pulou na frente na largada, administrou a liderança como um veterano e estava fazendo tudo certo até que Carlos Sainz, sendo laçado, resolveu dar um trato no australiano. O toque não foi nada demais, mas o dano já estava feito. Logo depois, o câmbio da McLaren começou a reclamar. Na volta 56, game over. Piastri encostou na área de escape e lá se foi o segundo lugar e uma vitória quase certa.
E por falar em “quase”, Lewis Hamilton já foi avisando, “A vitória está chegando” e pelo visto não é blefe. O heptacampeão está com a faca e o queijo na mão e a Ferrari parece ter finalmente encontrado o caminho das pedras.
NOTAS POR EQUIPE:
MCLAREN – Norris venceu, Piastri quebrou. Time de altos e baixos. O carro é rápido, mas a confiabilidade preocupa. Se querem defender o título de construtores, precisam que AMBOS os carros terminem.
RED BULL – Verstappen em segundo é quase rotina. Hadjar em sexto mostrando serviço. A Red Bull está viva na briga, mas falta aquela “pegada extra” que tinham em 2025.
MERCEDES – Antonelli em terceiro e Russell em sétimo. O moleque está voando baixo. Líder do campeonato com folga. Se continuar assim a Mercedes pode começar a encomendar o troféu.
FERRARI – Leclerc P4, Hamilton P5 (com punição). A Ferrari teve o melhor fim de semana em termos de ritmo puro. Duas vitórias na temporada e mostrando que o segundo semestre é deles. A dupla Leclerc – Hamilton começa a engrenar.
AUDI – Hülkenberg P9 (primeiros pontos!), Bortoleto P11. Calma que tem parágrafo só para isso.

GAROTO QUE A TV NÃO VIU (MAS O TIOZÃO VIU), Gabriel Bortoleto largou em 14º num carro que não é exatamente uma Ferrari e fez o que poucos conseguem em Hungaroring, ultrapassar. E não foi ultrapassagem do “ele errou e eu passei”, não. Foram DUAS manobras de respeito, primeiro pulou em cima do Pierre Gasly como quem não quer nada e depois colocou o carro onde não cabia com Fernando Alonso, numa verdadeira “reza pra não rodar” que o espanhol deve ter sentido o cheiro do pneu queimando.
Bortoleto chegou a sonhar com os pontos quando Piastri quebrou e abriu vaga no top 10, mas foi engolido no final por Lawson e pelo implacável Hulkenberg que, diga-se, estava voando com pneu mais novo. Resultado: P11, batendo na trave. Mas a atuação foi de quem merece estar na zona de pontuação.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR, Norris calou os críticos? Porque tinha gente falando que o título de 2025 foi sorte, que ele não sabia defender, que era “campeão de final de semana”. O homem sai da Hungria com 25 pontos, vitória dominante e ainda dá uma respirada no campeonato.
Será que a McLaren consegue manter o ritmo na segunda metade do ano? Porque a Ferrari vem forte, a Mercedes tem um jovem fenômeno voando baixo e a Red Bull nunca pode ser descartada.
Pit stop encerrado. Fechamos os capacetes. É isso até depois das férias de verão na Europa.
TiozãoF1 — Pit stop de notícias, sem enrolação.

SOBRE O COLUNISTA
Fillipe Miranda é o TiozãoF1 — fã de Fórmula 1 há quase quatro décadas, engenheiro civil e comentarista de arquibancada raiz. Na coluna TiozãoF1, traz resumo do que importa, contexto, opinião e zoeira responsável sobre a F1. Um verdadeiro pit stop de notícias, sem enrolação. TiozãoF1 com notícias antes das corridas (aquecimento) e pós corridas (resumo + polêmicas). Sem enrolação, só adrenalina!











