Um cão da raça pitbull foi recolhido pela Prefeitura de Imbituba após se envolver em dois ataques em menos de 48 horas no bairro Vila Nova. Segundo o município, o animal não possui tutor identificado, estava em situação de rua e agora está em local seguro, sob acompanhamento e monitoramento do Centro de Bem-Estar Animal.
O caso mais recente ocorreu na manhã de segunda-feira (8), nas proximidades da Escola de Educação Básica João Guimarães Cabral. Uma jovem de 20 anos ficou ferida após ser atacada pelo animal. De acordo com relatos de testemunhas, a vítima foi derrubada e mordida diversas vezes. Ela recebeu atendimento do Samu no local e foi encaminhada ao Hospital São Camilo.
Antes do ataque à jovem, o mesmo cão chegou a entrar no terreno da escola após um portão ficar aberto momentaneamente. Segundo a direção da unidade, o animal ameaçou atacar um estudante, mas foi retirado rapidamente por vigilantes da escola.
Momento do ataque
Menina de 12 anos também foi atacada
No sábado (6), uma menina de 12 anos, identificada como Isadora Falcão, também foi atacada pelo mesmo pitbull no bairro Vila Nova. Ela sofreu mordidas na região da coxa, com lacerações, marcas de dentes e arranhões.
Em entrevista ao Portal AHooa, Isadora contou que estava indo ao mercado com duas amigas quando viu o cachorro na rua. Segundo ela, o animal se aproximou, começou a cheirá-la e, em seguida, avançou.
“Ele avançou em mim, me derrubou no chão e começou a me morder”, relatou.
A menina disse ainda que tentou abrir a boca do animal com as próprias mãos para conseguir se soltar.
“Eu comecei a gritar pedindo ajuda. Enquanto gritava, comecei a enfiar a mão dentro da boca do cachorro para ele soltar minha coxa. Consegui fazer ele soltar algumas vezes, mas ele pegava de novo mais forte”, contou.
O ataque só terminou após a ajuda de moradores. A criança foi acolhida em uma casa próxima até a chegada do Samu.
“Foi desesperador. Eu fiquei muito assustada, sem saber o que fazer. Foi muito traumatizante. Tenho medo que aconteça com outra pessoa”, afirmou Isadora.
Escola diz que animal não pertence à instituição
O diretor da Escola João Guimarães Cabral, Jambert Pereira, informou que os cães que circulam pela região não pertencem à unidade escolar, mas vivem nas proximidades.
“É óbvio que não temos cachorros na escola. Entretanto, no período de chegada de alunos e funcionários, antes das 8 horas, esses cachorros que estão aqui aos arredores da escola acabam chegando próximo à escola, o que nos causa grande preocupação”, afirmou.
Segundo ele, a entrada do pitbull no terreno da escola ocorreu após um descuido com o portão.
“Hoje um deles aproveitou-se que alguém teria tido o descuido de deixar o portão aberto, entrou e ameaçou morder um aluno. No entanto, prontamente, bem rápido, vigilantes da escola conseguiram expulsar o cachorro para fora da instituição”, relatou.
Menina de 12 anos foi atacada
O que diz a Prefeitura
Em nota divulgada na manhã desta terça-feira (9), a Prefeitura de Imbituba informou que o pitbull foi recolhido pela equipe do Centro de Bem-Estar Animal e está em local seguro, sob monitoramento.
O município afirmou que o cão já havia passado anteriormente por procedimentos de castração e vacinação dentro das ações permanentes de controle populacional e promoção da saúde animal.
A administração também destacou que Santa Catarina possui legislação específica para cães da raça pitbull e seus derivados. A Lei Estadual nº 14.204/2007, regulamentada pelo Decreto Estadual nº 1.047/2025, estabelece regras sobre criação, circulação, controle, castração obrigatória e medidas de segurança para a condução desses animais.
A Prefeitura informou ainda que não possui atualmente uma estrutura própria para guarda permanente de animais em situação de rua. No entanto, disse que está em andamento um processo licitatório para contratar uma empresa especializada em recolhimento, hospedagem e manejo de animais.
Segundo o município, o serviço também deve contemplar ações de adestramento e reabilitação comportamental, ampliando a capacidade de resposta em casos que exijam intervenção técnica especializada.
Abandono é apontado como problema
A Prefeitura reforçou que o abandono de animais é crime e configura maus-tratos. Segundo a administração, a prática gera impactos diretos na segurança, na saúde pública e no bem-estar animal.
O município afirmou que o Centro de Bem-Estar Animal realiza campanhas de conscientização sobre guarda responsável, incentivando tutores a assumirem compromisso permanente com os animais.
A administração disse ainda que segue acompanhando o caso e reforçou a preocupação com a segurança da população, a proteção dos animais e a necessidade de responsabilidade coletiva.
Enquanto isso, moradores da Vila Nova cobram providências para evitar novos ataques, principalmente pela proximidade do local com uma escola e pelo grande fluxo de estudantes, professores e famílias.










