Uma jovem de 20 anos ficou ferida após ser atacada por um cão da raça pitbull na manhã desta segunda-feira (8), nas proximidades da Escola de Educação Básica João Guimarães Cabral, no bairro Vila Nova, em Imbituba.
O caso gerou preocupação entre pais, alunos, moradores e profissionais da educação, especialmente porque, segundo relatos de socorristas, o mesmo animal já havia atacado uma menina de 12 anos menos de 48 horas antes.
O episódio também reacende o debate sobre os riscos representados por cães agressivos em situação de rua que circulam diariamente nas imediações da unidade escolar, uma região de intenso fluxo de estudantes, professores, funcionários e moradores.
Momento do ataque
De acordo com informações apuradas pelo Portal AHora, por volta das 8h10 desta segunda-feira, o pitbull de cor avermelhada entrou no terreno da escola após um portão ter permanecido aberto momentaneamente, por descuido de alunos que entraram e não o fecharam. No local, o animal chegou a ameaçar atacar um estudante.
A rápida intervenção da vigilante Moriel, da instituição, evitou que a situação terminasse em tragédia dentro da escola. A profissional conseguiu expulsar o cão para fora do pátio.
Poucos minutos depois, entretanto, o pitbull, logo após sair da escola, atacou uma jovem de 20 anos que se dirigia no sentido da escola e estava ao lado da instituição, em frente a um ponto de vistorias veiculares.
Segundo testemunhas, a vítima foi derrubada e mordida diversas vezes. O ataque só teria sido interrompido graças à ação corajosa de um pai de aluno, que aplicou um golpe conhecido como “mata-leão” no animal para fazê-lo soltar a jovem.
Ainda conforme relatos de populares, um agente de trânsito do municípi, que tem sua base de trabalho próximo ao local, conseguiu colocar uma coleira no cão, que posteriormente foi amarrado em um terreno próximo até que as autoridades definam quais providências serão adotadas.
A vítima recebeu atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ainda no local e foi encaminhada ao Hospital São Camilo para avaliação e tratamento médico. O estado de saúde dela não havia sido divulgado até o fechamento desta reportagem.
Escola esclarece que animal não pertence à instituição e que vigilantes agiram rápido
Diante da repercussão do caso e das preocupações manifestadas por pais de estudantes, o diretor da Escola João Guimarães Cabral, Jambert Pereira, encaminhou um posicionamento exclusivo ao Portal AHora. Segundo ele, os cães que circulam na região não pertencem à escola, mas, sim, vivem nas proximidades da instituição.
“Sobre o ocorrido de hoje aqui aos arredores da Escola João Guimarães Cabral de Vila Nova, na Rua Santana, obtivemos a informação de que um cachorro pitbull atacou, não um aluno, mas um membro da comunidade de Vila Nova, uma jovem, e o Samu fez o pronto atendimento e a levou ao Hospital São Camilo”, afirmou.
Jambert destacou ainda que os animais costumam aparecer principalmente nos horários de entrada dos estudantes.
“É óbvio que não temos cachorros na escola. Entretanto, no período de chegada de alunos e funcionários, antes das 8 horas, esses cachorros que estão aqui aos arredores da escola, próximo à vistoria e aos órgãos da prefeitura, acabam chegando próximo à escola, o que nos causa grande preocupação”, explicou.
O diretor confirmou que o pitbull entrou no terreno da unidade na manhã desta segunda-feira.
“Hoje um deles aproveitou-se que alguém teria tido o descuido de deixar o portão aberto, entrou e ameaçou morder um aluno. No entanto, prontamente, bem rápido, vigilantes da escola conseguiram expulsar o cachorro para fora da instituição”, relatou.
Jambert colocou a escola à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Mesmo cão já havia atacado menina de 12 anos no sábado
O ataque desta segunda-feira não foi um caso isolado. Na noite do último sábado (6), uma menina de apenas 12 anos também foi atacada pelo mesmo pitbull no bairro Vila Nova. A ocorrência foi atendida pelo SAMU, que confirmou posteriormente tratar-se do mesmo animal envolvido no ataque desta manhã.
Segundo informações repassadas por moradores, a criança sofreu mordidas na região da coxa, apresentando marcas profundas dos dentes, lacerações e arranhões. Populares prestaram os primeiros socorros até a chegada da equipe médica.
Após o atendimento inicial, a vítima foi encaminhada ao hospital para avaliação. O estado de saúde atualizado da menina não foi divulgado.
A repetição dos ataques em um intervalo inferior a dois dias aumentou a preocupação dos moradores da região, principalmente pelo fato de o cão permanecer circulando em área urbana e próximo a uma escola com centenas de estudantes.
Cães comunitários preocupam moradores
Moradores relatam que pelo menos quatro cães em situação de rua permanecem frequentemente nas proximidades da escola, especialmente na região do Portal da Vila, onde são alimentados por integrantes da comunidade.
Embora a prática tenha o objetivo de proteger os animais e amenizar sua situação de vulnerabilidade, os episódios recentes levantam questionamentos sobre a necessidade de acompanhamento adequado, identificação dos responsáveis, monitoramento comportamental e adoção de medidas preventivas para evitar novos ataques.
Pais de alunos ouvidos pela reportagem demonstraram preocupação com a segurança das crianças e adolescentes que transitam diariamente pelo local.
O receio aumentou após o registro de dois ataques atribuídos ao mesmo animal em menos de 48 horas e da tentativa de agressão ocorrida dentro do terreno escolar nesta segunda-feira.
Prefeitura prepara medida inédita para recolhimento de animais agressivos
Em meio à preocupação crescente da população, a Prefeitura de Imbituba informou que já trabalha em uma medida inédita para lidar especificamente com animais em situação de rua que apresentem comportamento agressivo e ofereçam risco à população.
Segundo a diretora do Centro de Bem-Estar Animal (CBEA), Vívian Darcy Andrade, está em andamento um processo licitatório para a contratação de um serviço especializado de acolhimento desses animais.
A administração municipal esclarece que a iniciativa não prevê recolhimento indiscriminado de cães e gatos e tampouco autoriza a retirada de animais de residências.
A atuação ocorrerá apenas em situações específicas, após avaliação técnica, quando houver risco concreto à integridade física de pessoas ou de outros animais.
De acordo com o município, Imbituba ainda não dispõe desse tipo de estrutura especializada, considerada fundamental para o manejo adequado de casos mais graves envolvendo animais agressivos.
A Prefeitura afirma que o objetivo é equilibrar a proteção da população com o respeito às normas de bem-estar animal.
“O Município reforça que segue priorizando políticas públicas baseadas na educação, guarda responsável, controle populacional por meio de castrações e atuação integrada entre os setores competentes”, informou a administração.
Abandono é apontado como uma das principais causas
A Prefeitura também destacou que muitos casos envolvendo animais agressivos ou em situação de vulnerabilidade têm origem no abandono.
Além de representar um problema de saúde pública e segurança, abandonar animais é crime previsto na legislação brasileira. Maus-tratos contra cães e gatos podem resultar em penas de dois a cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda dos animais.
Enquanto a nova estrutura de acolhimento não é implantada, moradores aguardam providências para evitar que novos ataques ocorram na região da Vila Nova.
“Após dois ataques confirmados, uma tentativa de agressão dentro da escola e o temor crescente entre famílias, nossa expectativa é que medidas rápidas sejam adotadas para garantir a segurança de alunos, trabalhadores e moradores, sem deixar de assegurar o tratamento adequado e humanizado aos animais envolvidos”, afirma uma mãe de aluno que relatou a situação ao AHora, mas que preferiu não ser identificada na reportagem.










