Ah, o mês de junho! Dos 12 meses, é o meu preferido. Finalzinho da melhor estação do ano, o outono, e o começo da mais temida por uns e amada por outros: o inverno.Eu amo o inverno do fundo do meu coraçãozinho, que agora sente frio com 21°C. Uma vergonha para uma sulista, mas o termostato pifa com tanta oscilação de temperatura e, sim, meus caros e minhas caras, “Hiems est Rio de Janeiro” e o pau está torando por aqui.Mas, o melhor momento, a mais maravilhosa e perfeita celebração, o ápice de junho, é a festa junina, que, assim como o Carnaval, exalta a pluralidade da nossa cultura…”CONFIRA: https://portalahora.com.br/colunas/na-coluna-papo-de-boteco-richelly-ramos-se-declara-ao-mes-das-festas-de-sao-joao-e-ensina-a-fazer-o-quentao-de-verdade-junho-meu-amor/
Ah, o mês de junho! Dos 12 meses, é o meu preferido. Finalzinho da melhor estação do ano, o outono, e o começo da mais temida por uns e amada por outros: o inverno.
Eu amo o inverno do fundo do meu coraçãozinho, que agora sente frio com 21°C. Uma vergonha para uma sulista, mas o termostato pifa com tanta oscilação de temperatura e, sim, meus caros e minhas caras, “Hiems est Rio de Janeiro” e o pau está torando por aqui.
Mas, o melhor momento, a mais maravilhosa e perfeita celebração, o ápice de junho, é a festa junina, que, assim como o Carnaval, exalta a pluralidade da nossa cultura. Cada região do país comemora de uma maneira diferente, mas sempre com quase todos os elementos iguais: quadrilhas, forró e comidas típicas no Nordeste; quadrilhas, Boi de Mamão, músicas juninas e comidas típicas no Sul.
Onde moro, a festa junina é nos moldes nordestinos, mas dá para matar a saudade das comidas típicas das festas juninas de Imbituba: canjica, pamonha, bolo de milho, bolo de aipim, paçoca, pé de moleque, maçã do amor e todo o resto. Aqui, caldo verde também é iguaria junina. Só que não tem pinhão nem quentão (quentão até tem uma bebida que lembra, mas quentão, quentão mesmo, só o nosso).
A festa junina reúne tudo o que amo: frio, muito pinhão, rosca de polvilho, quentão e Boi de Mamão. Por que ninguém mais dança Pau de Fita
O Boi de Mamão é lindo, conta uma história deliciosa, com aventura, suspense e comédia. Para mim, é o que mais representa o folclore catarinense. Meu personagem preferido é a Bernunça. Quando eu ouço:
“Olha lá, mestre vaqueiro, escutais o meu cantar
Vai buscar dona Bernunça e depois o Jaraguá
Olêê, olêê, olêê, olêê, olá
Arreda do caminho que a Bernunça quer passar”
Dá um arrepio no corpo e me traz todas as lembranças da infância, das festas na escola e das minhas festinhas de aniversário. Uma saudade gostosa e quentinha que, algumas vezes, me faz chorar.
A Bernunça é quase um bicho-papão que come crianças. Está lá para dar medo mesmo, mas é o monstro mais fofo que existe. Ela não come só por comer; ela come crianças e depois tem bernuncinhas. Meu sonho de criança era ser engolida pela Bernunça, mas eu tinha muito medo de chegar perto dela.
Como toda pessoa nascida em junho, minhas festas de aniversário sempre foram festas juninas. Nasci no dia de São João (aceito presentes; minha chave Pix está no final do texto) e não tinha como fugir; até hoje não tenho. Eram aniversários com muito pinhão envolvido e, depois, eu descobri o quentão feito pelo meu avô Arlindo.
Enquanto estou escrevendo, minha mala está aqui, só esperando ser feita para eu zarpar para Imbitubinha e passar quase todo o mês de junho pela terrinha. Estou totalmente disponível para festas juninas, é só me chamar! E, caso alguém não saiba fazer quentão, aqui está a receita milenar da família Cardoso: o Quentão do Arlindo.
Ingredientes
● 1 garrafão de 5 litros de vinho tinto suave
● 1 litro de cachaça
● Açúcar
● Canela em pau
● Cravo-da-índia
● Gengibre
● Água
Modo de preparo
Em uma panela grande, coloque 2 xícaras de açúcar e caramelize com a canela, o cravo e um pedaço de gengibre. Quando o açúcar estiver levemente caramelizado, coloque o vinho e a cachaça. Vai parecer que não vai dar certo, mas vá na fé e mexa bem, que o caramelo se dissolve. Adicione um copo de água e deixe tudo ferver bem. Coloque mais água ou açúcar para deixar no seu gosto. E, aproveite! Só tome cuidado, assopra que é quente!
E bora pular a fogueira! Viva São João!
Abraços,
Richelly Ramos
* Há inverno no Rio de Janeiro.
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SOBRE A COLUNISTA
Richelly Ramos: Nascida e criada em Imbituba. Raízes e alma na terrinha, mesmo o destino levando para longe. Casada, mãe de uma jovem adulta, curiosa, cheia de defeitos, qualidades e opiniões. Imbitubense orgulhosa e feminista. Por que Papo de Boteco? Boteco é uma instituição nacional. Lugar de rir, fazer amizade (já diz o ditado: “Ninguém faz amigo bebendo leite!”), filosofar, opinar sobre até o que não se sabe o que é e, claro, ser antropólogo – estudar a humanidade baseada em fatos – reais ou não – ou seja, só fofocar mesmo.
Isto posto, cachaça de Butiá para quem é de Butiá e água para quem é de água. Sejamos todos felizes! Aproveitem a leitura e espero que gostem.










