Nesta segunda feira (1º) foi publicado no Diário Oficial dos Municípios o Tombamento das Dunas da Ribanceira, em Imbituba, ainda que provisório. Após uma luta incessante de um grupo de pessoas da cidade, entre elas o ativista ambiental e colunista do AHora, Eduardo Rosa, entre 2013 e 2014, as “Dunas da Riba” deixaram de ser exploradas por uma mineradora fomentada por uma indústria local de tintas e argamassas.

Em setembro deste ano, se completarão 10 anos da preservação deste verdadeiro santuário ecológico e arqueológico de Imbituba, um marco histórico para a conservação deste bioma que é um dos maiores patrimônios da cidade, e que se tornou uma ressignificação para a luta pela preservação de toda cidade e região.
Casualmente, neste dia 1º abril, apesar de popularmente conhecido como ‘dia da mentira’, a publicação do Diário Oficial dos Municípios de SC (DOM) de nº 5809673, referente a Resolução CMPC/IMB Nº 01, DE 22 DE SETEMBRO DE 2023, definiu o ‘Tombamento provisório do Conjunto Paisagístico e Arqueológico das Dunas da Ribanceira‘.

Foto: Eduardo Rosa.
Além disso, no artigo 4º desta resolução, define algo muito importante para a preservação das dunas, em que o Conselho e Diretoria de Cultura da cidade chama para si a responsabilidade, a partir de agora:
‘Qualquer intervenção na área tombada e bem como no seu entorno será submetida, previamente, à análise do Órgão Gestor da Cultura, que emitirá parecer e submeterá ao Conselho Municipal de Política Cultural‘.
Tombamento ‘provisório’: Medida depende agora de medições em campo
O processo de tombamento das dunas da Ribanceira foi uma deliberação do Conselho Municipal de Cultura de Imbituba e foi iniciado e aprovado em 4 de novembro de 2014. O referido ‘Tombamento Provisório’, foi assim definido para que estudos em campo agora possam ser feitos para delimitar a área do entorno do bem tombado.
“As Dunas da Ribanceira foram tombadas, provisoriamente, para garantir a segurança do bem. E agora será feito o estudo do entorno das dunas para delimitar a área“, firmou a Superintendente Municipal de Cultura de Imbituba, Alessandra Santos
Integrantes do SOS Dunas da Ribanceira comemoram mais uma conquista

Procurado pelo Surfemais, integrantes do SOS Dunas da Ribanceira, que acreditaram até o fim na preservação daquele imenso patrimônio, destacaram a importância deste dia. Débora Kieling, comemorou: “Que notícia maravilhosa!! Esse tombamento além de garantir a preservação contra futuras tentativas de minerar os recursos naturais, deveria preservar também de carros, motos etc de andarem nas dunas“.
Ao site Surfemais, integrantes do movimento SOS Dunas da Ribanceira, que acreditaram até o fim na preservação do imenso patrimônio, destacaram a importância deste dia. Débora Kieling, comemorou a notícia, mas fez uma ponderação.
“Que notícia maravilhosa! Esse tombamento, além de garantir a preservação contra futuras tentativas de minerar os recursos naturais, deveria a preservar também de carros, motos, de andarem nas dunas“, aconselha Débora.
Moradora do bairro Vila Esperança, onde as dunas da Ribanceira estão localizadas, Débora é filha de Elizabeth (Beth) Kieling, a qual descobriu décadas atrás a grande importância arqueológica que as dunas continham, com achados históricos com mais de 2 mil anos de existência, e que o Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural (IPhan) teve acesso durante pesquisa feita no local.

Foto: João Batista Coelho Júnior
Beth Kieling disse estar muito feliz com o tombamento e que a luta foi árdua desde quando já havia descoberto sítios arqueológicos nas dunas de Itapirubá, ao sul de Imbituba, ainda em 2004.
“As dunas em Imbituba têm uma importância arqueológica inestimável e este tombamento veio para contribuir com a manutenção da beleza que as dunas tem no bioma de Imbituba“, avalia.
“Busquei sob todas as formas tentar a preservação, não apenas o material histórico antropológico como também o seu entorno. Não encontrando eco, encontrei o pessoal do SOS dunas. Ali, unimos forças e o resultado é finalmente o reconhecimento como área de preservação em 2024. Importante a cronologia para se perceber o tempo que se levou para se executar o óbvio”, completou Beth Kieling.


Seu Alvacírio, aposentado e morador do bairro Arroio, é um dos mais aguerridos na luta pela preservação das dunas desde quando a mineradora chegava a retirar quase 80 caminhões de areia por dia. O movimento intenso de caminhões abria rachaduras em sua casa, que é vizinha das dunas, além de levar montes de poeira e areia à sua residência.
“Que notícia boa que eu recebi nesta tarde de 1º de abril. Que bom, vamos comemorar sim é só me avisar que eu estou junto“, celebra Alvacírio, programando uma comemoração coletiva para o feito.
Larissa Gabrieli, que descobriu um pequeno lagarto que hoje está na lista vermelha internacional de extinção, comemorou, mas, deixou o alerta:
“Coisa boa! Agora, sim, dá para respirar. Mas, na verdade a luta continua. Estou morando na Guaiúba, em Imbituba, e nas dunas de lá descobri também o mesmo lagarto da pesquisa. E deve ter muito material lítico com muitos sambaquis no entorno. Tenho denunciado a presença de veículos andando nas dunas!“.
Resumo das atividades do SOS Dunas da Ribanceira.
Luiz Antonio Silva, um dos primeiros integrantes do SOS Dunas também deu seu recado:
“Depois de uma grande mobilização do movimento SOS Dunas Ribanceira, finalmente conseguimos nosso objetivo, a preservação das Dunas da Ribanceira. Estive hoje na Secretaria da Cultura e da Educação e tive a grande notícia que seria publicado o Tombamento das Dunas da Ribanceira, nesse momento compartilhei ela para meu amigo e companheiro de luta Eduardo Rosa“, lembra Luiz Antonio.
Para acessar o Diário Oficial dos Municípios e ver a Resolução do CMPC é só clicar aqui.









