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STJ manda soltar prefeito de Garopaba preso na Operação Coleta Seletiva

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, nesta quinta-feira (5), a soltura do prefeito de Garopaba, Júnior de Abreu Bento (Progressistas), preso preventivamente desde 8 de janeiro no âmbito da Operação Coleta Seletiva, que apura supostas fraudes em licitações de coleta de lixo no município.

A decisão foi assinada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça, ao conceder habeas corpus à defesa. Para o magistrado, a prisão foi considerada desproporcional e baseada em fatos antigos, que não justificariam a manutenção do cárcere neste momento.

Segundo o ministro, as condutas investigadas ocorreram majoritariamente entre 2021 e 2023. Na decisão, ele ressaltou que a prisão preventiva deve ser utilizada como “última opção” e que eventuais riscos à ordem pública podem ser mitigados por medidas cautelares menos gravosas, como o afastamento de funções administrativas.

“A retirada de um prefeito do cargo por via de prisão cautelar exige uma fundamentação particularmente rigorosa, para evitar interferências indevidas na soberania popular”, destacou Fonseca.

A defesa, conduzida pelo advogado Guilherme Silva Araujo, argumentou que os crimes imputados não envolvem violência ou grave ameaça e que não havia fatos novos que sustentassem a continuidade da prisão. Segundo os advogados, a expectativa é de que o prefeito seja colocado em liberdade ainda nesta quinta-feira ou, no mais tardar, na sexta (6).

Operação Coleta Seletiva

A investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil apura um suposto esquema de corrupção e manipulação de dados no setor de saneamento básico de Garopaba. O prejuízo estimado aos cofres públicos é superior a R$ 771 mil.

Entre as irregularidades apontadas estão:

  • direcionamento de editais de licitação para beneficiar empresas específicas
  • indícios de que minutas de documentos oficiais teriam sido elaboradas por empresários interessados
  • manipulação de dados relacionados à reciclagem

Apesar da gravidade das suspeitas, o STJ entendeu que o aprofundamento das apurações pode ocorrer com o prefeito em liberdade.

Situação dos outros investigados

Na mesma decisão, o ministro recomendou que as instâncias inferiores reavaliem a situação dos demais investigados que permanecem presos pelo mesmo decreto. A orientação é verificar se medidas cautelares alternativas à prisão também podem ser aplicadas aos outros envolvidos, inclusive empresários citados na investigação.

O caso segue em apuração.

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