Um sobrevoo científico realizado entre os dias 25 e 26 de setembro registrou 185 baleias-francas ao longo de aproximadamente 700 quilômetros do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. O monitoramento foi realizado pelo ProFRANCA/Instituto Australis e percorreu a costa entre Florianópolis (SC) e Rio Grande (RS).
Entre os animais avistados, estavam 89 fêmeas acompanhadas de filhotes e sete indivíduos adultos solitários. A maior concentração foi observada na região da Ribanceira e Ibiraquera, em Imbituba, área localizada na região central da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APA da Baleia Franca).

Segundo Eduardo Renault, diretor de projeto do ProFRANCA/Instituto Australis, as baleias foram encontradas ao longo de praticamente todo o trajeto, sem grandes áreas de concentração. No Rio Grande do Sul, foram registradas 21 baleias.
“As baleias foram avistadas ao longo de todo trajeto, sem muitas áreas de aglomeração, e tivemos 21 baleias registradas no litoral do Rio Grande do Sul, que junto com as baleias registradas mais ao sul de Santa Catarina estão possivelmente em deslocamento para a área de alimentação”, explica Renault.

Temporada de 2026 tem chegada antecipada das baleias
Além do número de animais registrados, a temporada de 2026 tem chamado a atenção dos pesquisadores por diferentes características. Segundo o ProFRANCA, este ano teve a chegada mais antecipada de baleias-francas já registrada desde o início das pesquisas, há mais de 30 anos.
Os pesquisadores também identificaram baleias já conhecidas pela equipe e observaram um aumento de fêmeas que retornaram ao litoral acompanhadas por indivíduos juvenis.
A identificação dos animais é feita por meio da fotoidentificação, utilizando características naturais presentes na cabeça das baleias-francas, que funcionam como uma espécie de impressão digital.

O Catálogo Brasileiro de Fotoidentificação mantido pelo projeto reúne atualmente mais de 1.250 baleias catalogadas. A comparação dos registros obtidos ao longo dos anos permite acompanhar a história de vida dos animais, seus retornos à área reprodutiva e informações relacionadas à trajetória reprodutiva.
Durante o último sobrevoo, também foram observados filhotes em diferentes estágios de desenvolvimento, desde indivíduos muito pequenos até animais maiores, além de adultos sem filhotes.
Fêmea semi-albina volta a ser observada
Entre os registros considerados relevantes pelos pesquisadores está o de uma rara fêmea semi-albina, que permanece na região acompanhada de seu filhote.
A presença de adultos solitários também chamou a atenção. De acordo com Karina Groch, diretora de pesquisa do ProFRANCA, esses registros não costumavam ocorrer nos mesmos períodos em temporadas anteriores.
“Isso mostra o quanto a presença das baleias-francas na região é dinâmica e variável e como precisamos adaptar o monitoramento a cada temporada para acompanhar adequadamente uma população que está em processo de recuperação”, afirma Karina.

Setembro concentra maior número de registros em 2026
O sobrevoo de setembro foi o terceiro monitoramento aéreo realizado pelo projeto em 2026, em parceria com a SCPAR Porto de Imbituba.
Em julho, foram registradas 59 baleias-francas. Já em agosto, o número chegou a 173 animais. No levantamento mais recente, realizado em setembro, foram contabilizados 185 indivíduos.
Segundo Eduardo Renault, a comparação entre os três levantamentos reforça setembro como o período de maior concentração da espécie no litoral brasileiro.
“Quando comparamos os resultados dos três sobrevoos realizados ao longo deste ano, observamos que setembro continua sendo o período de maior concentração de baleias-francas no litoral brasileiro. É nesse mês que registramos a maior incidência de indivíduos, reforçando setembro como o pico da temporada reprodutiva das baleias-francas”, explica.
Monitoramento acompanha recuperação da espécie
As pesquisas de longo prazo são consideradas importantes para acompanhar a recuperação da população de baleias-francas e identificar possíveis mudanças relacionadas às atividades humanas e às condições ambientais.
A espécie chegou próxima da extinção devido à caça. Com a proibição da atividade e a recuperação populacional, novas pressões passaram a ser consideradas pelos pesquisadores, incluindo aquelas relacionadas às atividades humanas e às mudanças climáticas.
Por isso, o monitoramento contínuo permite acompanhar como a população responde às alterações ambientais e identificar possíveis mudanças ao longo dos anos.

A baleia-franca-austral (Eubalaena australis) utiliza o litoral sul do Brasil principalmente durante o período reprodutivo. As fêmeas se aproximam da costa para dar à luz e amamentar os filhotes.
Santa Catarina concentra uma parcela importante dos animais durante a temporada, especialmente na região da APA da Baleia Franca, mas a espécie também ocorre no litoral do Rio Grande do Sul. O acompanhamento integrado dessas áreas permite aos pesquisadores compreender melhor os deslocamentos e o comportamento da população.
O Projeto Franca Austral é realizado (ProFRANCA) pelo Instituto Australis em parceria com a Petrobras e desenvolve pesquisas e ações de monitoramento das baleias-francas no Brasil, contribuindo para a produção de conhecimento científico e a conservação da espécie.











