Aos 12 anos, Felippe Carvalho Prates encontrou na grama do vizinho uma oportunidade de negócio. Por R$ 5, começou a cortar gramados e, pouco depois, também passou a consertar bicicletas para complementar a renda. Décadas mais tarde, aquele menino de Imbituba que descobria na prática os primeiros fundamentos do empreendedorismo está à frente de uma empresa de referência nacional em infraestrutura crítica e data centers, com atuação também na América Latina e que agora se prepara para um dos ciclos de expansão mais ambiciosos de sua história.
À frente da Novalogic, empresa que completa 20 anos em 2026, o imbitubense projeta alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2030. A meta será sustentada pela expansão do mercado de data centers, obras de infraestrutura crítica, projetos verticais de alto padrão, desenvolvimento de ativos próprios e participação em Parcerias Público-Privadas (PPPs) no Brasil e em outros países latino-americanos.
A nova fase da companhia também é marcada pela assinatura de um contrato com uma gigante global do setor de tecnologia, movimento que reforça o posicionamento da Novalogic como parceira de grandes grupos internacionais e amplia a estratégia de geração de receitas recorrentes por meio de contratos de longo prazo.
Para sustentar esse crescimento, a empresa prepara uma ampla transformação operacional e geográfica. O plano prevê descentralizar sua estrutura e manter presença física mais próxima das grandes obras e projetos, inclusive em regiões consideradas remotas ou de difícil acesso.
A estratégia inclui investimentos em novas áreas e unidades operacionais no Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil. No Nordeste, a empresa já adquiriu uma área de 50 mil metros quadrados para a construção de uma unidade de grande porte. Em São Paulo, o grupo também ampliará sua presença com uma estrutura em Alphaville, um dos principais polos empresariais e tecnológicos do país.
“Crescer nesta velocidade também traz novos desafios. A expansão geográfica, a ampliação da capacidade operacional e o desenvolvimento de ativos próprios de longo prazo aumentam naturalmente a demanda por capital. O desafio é estruturar esse crescimento com disciplina financeira, preservando a solidez construída pelo nosso grupo e criando as condições para capturar oportunidades cada vez maiores e mais importantes”, afirma o CEO, Felippe Prates.

História começa muito antes dos grandes contratos
Antes dos servidores, da fibra óptica, dos data centers e dos grandes projetos de infraestrutura, Felippe precisou aprender a empreender com aquilo que tinha à disposição.
Natural de Imbituba, filho de um motorista e de uma costureira, ele conta que desde cedo carregava o desejo de melhorar a própria vida e ajudar a família. Aos 12 anos, começou a cortar a grama de vizinhos por R$ 5. A atividade simples acabou ensinando algumas das primeiras lições que levaria para a vida empresarial: identificar uma necessidade, oferecer uma solução, conquistar clientes e cumprir aquilo que havia sido combinado.
Na juventude, também trabalhou como servente de pedreiro e chegou a manter uma pequena oficina de conserto de bicicletas. A relação com a tecnologia, entretanto, começaria a mudar sua trajetória.
Em 1999, passou a trabalhar com o tio, arquiteto e engenheiro, e teve contato com o AutoCAD. Gostou tanto da ferramenta que se tornou professor de informática e passou a ensinar outras pessoas a utilizá-la.
A experiência o levou para Joinville, onde começou a atuar com automação industrial. Na época, empresas buscavam adaptar seus processos ao que ficou conhecido como Indústria 3.0, período em que máquinas e sistemas começavam a ser conectados para compartilhar informações.
Foi nesse ambiente que Felippe percebeu uma oportunidade: conectar empresas e indústrias em rede. A ideia, segundo ele, era amadurecida até mesmo durante as viagens que fazia entre Joinville e Imbituba para visitar a mãe. Aos finais de semana, muitas vezes pegava carona em um Fiat Uno carregado de queijo mineiro.
“Digo que a empresa começou aí, dentro do Fiat Uno”, recorda.

De uma loja de computadores à infraestrutura crítica
Em 2006, nasceu a empresa que posteriormente se transformaria na Novalogic. O negócio começou vendendo computadores e equipamentos de tecnologia.
O início, porém, esteve longe de ser linear. Em 2009, uma crise que atingiu a indústria automobilística e, consequentemente, a cadeia metalmecânica de Joinville colocou a empresa em uma situação delicada.
“Eu estava vendendo computador muito bem. Até tirei minha mãe do emprego dela e a transformei em minha funcionária, dando 30% da empresa para ela”, conta Felippe.
A virada aconteceria pouco depois. Durante uma viagem ao Canadá, em 2010, o empresário teve contato com tecnologias e conceitos que ainda começavam a ganhar espaço no Brasil, entre eles fibra óptica e computação em nuvem.
Ao retornar, decidiu mudar novamente o foco do negócio. Em vez de permanecer concentrada na venda de computadores, a empresa passou a apostar em conectividade, infraestrutura crítica e, posteriormente, data centers.
A mudança transformaria completamente o tamanho e o perfil da companhia. Hoje, a Novalogic atua na construção e desenvolvimento de soluções de infraestrutura crítica e data centers no Brasil e em países da América Latina, como Argentina, Chile, Peru e Colômbia.
Ao longo de sua trajetória, já acumula mais de 1,8 mil obras entregues para mais de mil clientes, além de projetos que, segundo a empresa, já contribuíram para conectar mais de 70 milhões de pessoas.
De empresa de obras a uma plataforma de infraestrutura
A meta de R$ 1 bilhão até 2030 representa mais do que simplesmente ampliar o volume de obras. A estratégia desenhada por Felippe prevê uma transformação no próprio modelo de negócios da Novalogic.
Atualmente, aproximadamente 50% da receita da companhia vêm de obras para data centers, 30% de projetos de infraestrutura crítica e 20% de obras verticais de alto padrão.
O planejamento para os próximos anos prevê ampliar esses pilares e, ao mesmo tempo, diversificar as fontes de receita. E no centro dessa estratégia está o crescimento da infraestrutura digital.
O avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem, da digitalização das empresas e da necessidade crescente de processamento e armazenamento de dados tem provocado uma expansão da demanda por data centers e por estruturas capazes de garantir disponibilidade e segurança mesmo diante de situações críticas. É justamente nesse mercado que a Novalogic pretende ampliar sua participação.
Ao mesmo tempo, a empresa busca avançar em grandes obras industriais, infraestrutura crítica, empreendimentos de alto padrão e projetos estruturados por meio de PPPs.
Contrato com gigante global e aposta em receitas de longo prazo
O novo contrato firmado com uma gigante global de tecnologia é considerado um dos movimentos importantes dessa nova fase.
Além de executar grandes obras, a Novalogic pretende ampliar a atuação no desenvolvimento de ativos próprios. A estratégia passa pela aquisição de áreas consideradas estratégicas, desenvolvimento de empreendimentos sob medida e disponibilização dessas estruturas para grandes empresas nacionais e internacionais por meio de contratos de longa duração.
Esses contratos podem variar de cinco a 25 anos, criando uma fonte de receita mais previsível e recorrente.
O modelo aproxima a companhia de uma combinação entre engenharia, desenvolvimento imobiliário especializado e infraestrutura construída sob medida para grandes corporações.
“Nosso objetivo é ampliar a capacidade da Novalogic de participar de toda a cadeia de valor. Não apenas executar uma obra, mas identificar oportunidades, desenvolver áreas estratégicas, estruturar ativos e construir soluções capazes de atender projetos de grande porte e de longo prazo no Brasil e no exterior”, destaca Prates.
A estratégia também representa uma mudança na forma como a empresa pretende crescer financeiramente. A ideia é equilibrar receitas provenientes de projetos específicos com contratos de longo prazo e ativos capazes de gerar renda recorrente.
Expansão pelo Brasil
Para acompanhar o crescimento, a Novalogic prepara uma descentralização de suas operações. A empresa pretende estar fisicamente mais próxima das obras, dos clientes e dos mercados onde surgem os grandes projetos de infraestrutura.
No Nordeste, uma área de 50 mil metros quadrados já foi adquirida para a implantação de uma nova unidade de grande porte.
Em São Paulo, a companhia ampliará sua presença com uma estrutura em Alphaville. Também estão previstas novas operações nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte. A empresa avalia ainda a aquisição de outras áreas estratégicas para futuras unidades e projetos.
Outro aspecto da expansão será a contratação de mão de obra local sempre que possível. Além de reduzir deslocamentos e aproximar a operação dos empreendimentos, a medida pode ampliar a geração de empregos e contribuir para a formação de profissionais nas regiões que receberão os novos projetos.
“Queremos estar mais próximos das obras, dos clientes e das oportunidades. O Brasil é um país continental e muitos dos grandes projetos estão fora dos centros tradicionais. Para crescer, precisamos ter capacidade de operar onde a demanda está, inclusive em regiões mais desafiadoras”, afirma o empresário.
PPPs e América Latina no horizonte
As Parcerias Público-Privadas também passaram a integrar o radar de crescimento da companhia.
A Novalogic avalia oportunidades em projetos de infraestrutura no Brasil e em outros países da América Latina, buscando empreendimentos de maior escala e com horizontes de longo prazo.
A estratégia acompanha a crescente demanda por modernização da infraestrutura pública e privada e combina a experiência da empresa em engenharia e execução com o desenvolvimento de ativos.
20 anos de uma trajetória de transformação
A nova fase chega justamente quando a Novalogic completa duas décadas. A empresa construiu sua trajetória a partir de uma cultura de controle dos processos, verticalização das operações, atenção aos detalhes e personalização das soluções.
O que começou com a venda de computadores se transformou em uma companhia especializada em projetos que exigem alta capacidade técnica, precisão e infraestrutura capaz de funcionar mesmo em situações críticas.
Para Felippe, a trajetória empresarial também representa uma transformação pessoal.
Do menino de Imbituba que encontrou nos R$ 5 de cada corte de grama uma primeira oportunidade de negócio ao empresário que hoje conduz projetos de grande porte, a caminhada foi marcada por mudanças de rota, riscos, crises e, principalmente, pela capacidade de identificar novas oportunidades.
A empresa que nasceu em 2006 em um mercado muito diferente do atual chega aos 20 anos olhando para um setor que ganhou importância estratégica em meio à expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da economia digital.
Agora, a ambição é ainda maior: transformar a Novalogic em uma plataforma de infraestrutura com presença nacional e internacional, ampliar a participação em contratos de longo prazo, desenvolver ativos próprios e alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2030.
E, embora os números projetados para os próximos anos sejam muito maiores do que aqueles R$ 5 cobrados pelo garoto que cortava a grama dos vizinhos, a lógica que moveu Felippe desde o início permanece a mesma: enxergar uma necessidade, encontrar uma solução e transformar uma oportunidade em negócio.











