O eclipse lunar total que deu origem à chamada “Lua de Sangue” não pôde ser acompanhado pelos moradores de Santa Catarina na madrugada desta terça-feira (3). Embora o fenômeno tenha começado às 5h45min, no horário de Brasília, a Lua já estava muito próxima do horizonte oeste e se pôs antes que qualquer alteração perceptível pudesse ser notada a olho nu.
Segundo o físico Marcelo Girardi Schappo, professor do Instituto Federal de Santa Catarina, o Estado até estava dentro da faixa de visibilidade do início do eclipse. No entanto, a fase inicial não provoca mudanças evidentes no brilho ou na coloração do satélite natural, o que, na prática, inviabilizou a observação.
Início discreto e ápice fora de alcance
Conforme o especialista, o fenômeno começou ainda no fim da madrugada, mas sem efeitos perceptíveis. Além disso, poucos minutos depois, a Lua já havia desaparecido no horizonte.
O ápice do eclipse ocorreu entre 8h04min e 9h03min, quando a Lua adquire a tonalidade avermelhada característica. Porém, nesse horário, o astro já não era mais visível em Santa Catarina. O evento seguiu até as 11h23min, considerando todas as fases.
Transmissão ao vivo pela internet
Apesar da limitação no Estado, o eclipse pôde ser acompanhado por meio de transmissões ao vivo realizadas por observatórios e canais especializados em astronomia. Plataformas digitais exibiram imagens em tempo real, permitindo que interessados assistissem ao fenômeno completo, inclusive à fase em que a Lua ficou totalmente avermelhada.
A alternativa online acabou sendo a principal forma de acompanhamento para quem estava em regiões sem visibilidade direta.
Por que a Lua fica vermelha?
A chamada “Lua de Sangue” ocorre quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando a luz solar direta. Ainda assim, parte da luminosidade atravessa a atmosfera terrestre, que filtra as cores e deixa passar principalmente os tons avermelhados. Esse processo faz com que o satélite natural adquira a coloração intensa durante o eclipse total.
Norte teve melhores condições
Enquanto Santa Catarina praticamente não registrou o fenômeno, estados da região Norte conseguiram observar parte do eclipse antes do amanhecer. De acordo com o professor do IFSC, Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Amapá tiveram vantagem por estarem mais a oeste e em fuso horário diferente.
Nessas localidades, o eclipse começou ainda durante a noite, com a Lua mais alta no céu, o que ampliou o tempo disponível para observação.
Próximo eclipse no calendário
Para quem perdeu o espetáculo, a próxima oportunidade já tem data. Conforme Schappo, o próximo eclipse lunar visível no Brasil ocorrerá na madrugada de 27 para 28 de agosto e será do tipo parcial, quase total.
Até lá, os catarinenses terão de recorrer novamente à internet ou aguardar uma combinação mais favorável de horário e posição da Lua para acompanhar o fenômeno diretamente do céu.
Assista a transmissão AQUI.










