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Érika dos Reis

Possibilidade de greve dos caminhoneiros em SC é encerrada após acordo com governo federal

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A possível paralisação dos caminhoneiros em Santa Catarina e no restante do país foi encerrada oficialmente nesta quinta-feira (19), após avanços nas negociações com o governo federal e o anúncio de medidas voltadas ao setor. A confirmação foi feita pelo presidente da Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), Sérgio Pereira, durante a reunião ocorrida na tarde desta quinta.

A paralisação iniciou no início desta quinta-feira em Itajaí, antes da reunião para decidir se continuariam a greve ou não. Segundo o presidente da associação, o fim do movimento é imediato. “A partir desse momento vai se encerrar. A associação vai fazer uma nota explicando tudo”, declarou, acrescentando que o departamento jurídico já trabalha na elaboração do documento com os detalhes do acordo.

Pereira reconheceu que nem todas as reivindicações foram atendidas, mas avaliou que houve progressos relevantes para a categoria. Entre os pontos destacados está o reforço na fiscalização do cumprimento do piso mínimo do frete.

“Tivemos grande avanço. Não é tudo que a gente esperava, mas já é um primeiro passo, com empresas podendo ser multadas em valores significativos caso paguem abaixo da tabela”, afirmou.

Outro avanço citado é a exigência do uso do Sistema de Informações de Operações de Transporte (SIOT). De acordo com o dirigente, nenhuma carga poderá ser transportada sem o devido registro, e operações com valores inferiores ao mínimo estabelecido serão automaticamente barradas pelo sistema. “Qualquer operação abaixo do mínimo será bloqueada. Para nós, foi uma vitória”, destacou.

Pautas da mobilização

A paralisação teve como principais reivindicações a revisão da tabela do frete, a redução dos custos operacionais, especialmente do diesel, e maior rigor na fiscalização das normas do setor. O cumprimento do piso mínimo era o principal ponto de tensão.

Diante da mobilização, o governo federal também anunciou medidas relacionadas ao preço do diesel. Foi publicado nesta quinta-feira (19), em Brasília, o Decreto nº 12.883/2026, que atualiza regras anteriores e estabelece novas diretrizes para a definição do preço de referência do combustível.

O que diz o Decreto

O texto prevê que o valor de comercialização do diesel poderá ser definido por ato do Ministério de Minas e Energia em períodos específicos, com possibilidade de adoção de preços regionais. A medida também estabelece critérios para a atuação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) na metodologia de cálculo, incluindo parâmetros distintos para importadores e produtores.

Na prática, o objetivo é reduzir as oscilações nos preços e trazer mais previsibilidade ao setor, uma das principais demandas dos caminhoneiros. O diesel é um dos principais custos do transporte de cargas e influencia diretamente o preço de diversos produtos.

Para a liderança da categoria, as mudanças representam um avanço inicial. “Só o fato do reajuste da tabela mínima nacional já nos alegra. Sempre é uma luta quando é para nós, trabalhadores”, concluiu Sérgio Pereira.

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