Entre dunas, lagoas e o mar do litoral Sul de Santa Catarina, Jaguaruna preserva um dos patrimônios arqueológicos mais importantes do Brasil: o sambaqui Garopaba do Sul, conhecido como “Garopabão”. Considerado o maior sambaqui do mundo, o monumento tem cerca de 31 metros de altura e 300 metros de comprimento. As informações são de reportagem do Sul In Foco.
Os sambaquis são estruturas construídas por povos pré-históricos que viveram no litoral brasileiro milhares de anos antes da chegada dos colonizadores europeus. O nome vem do tupi e significa “monte de conchas”.
Apesar de parecerem grandes morros cobertos por vegetação, os sambaquis foram erguidos de forma planejada ao longo de séculos, com conchas, ossos, sedimentos e vestígios de atividades humanas.
Região concentra cerca de 100 sítios arqueológicos
No Sul catarinense, especialmente entre Jaguaruna e Laguna, está uma das maiores concentrações de sambaquis do país. Pesquisas apontam a existência de cerca de 100 sítios arqueológicos na região, alguns datados entre 7 mil e 2 mil anos antes de Cristo.
Mais do que depósitos de conchas, os sambaquis também eram usados como espaços cerimoniais e funerários. Escavações realizadas nas últimas décadas revelaram rituais complexos de sepultamento, com corpos acompanhados de oferendas e objetos simbólicos.
Uma das descobertas mais importantes ocorreu no sambaqui Jabuticabeira II, também em Jaguaruna. No local, pesquisadores identificaram corpos enterrados em posição fetal, tingidos com pigmentos vermelhos e cercados por estruturas feitas de madeira e ossos de peixes.
Potencial turístico ainda é pouco explorado
Apesar da importância histórica, o potencial turístico dos sambaquis ainda é considerado pouco explorado. Atualmente, a visitação ao sambaqui Garopaba do Sul é gratuita, mediante agendamento com o Museu Cidade de Jaguaruna, que também desenvolve ações educativas com escolas e grupos organizados.
Especialistas defendem maior investimento em preservação e em arqueoturismo, modalidade que pode ajudar a diversificar o turismo regional, ainda muito concentrado na temporada de verão.
Diferente do turismo de praia, a visitação aos sítios arqueológicos pode ocorrer durante todo o ano.
Enquanto pesquisadores, gestores públicos e comunidades discutem formas de ampliar a preservação e a valorização desses monumentos, os sambaquis seguem como guardiões de uma história milenar, que ainda tem muito a revelar sobre os primeiros habitantes do litoral brasileiro.
Com informações de Sul In Foco










