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Érika dos Reis

Festa de Sant’Ana de Vila Nova ganha destaque em jornal da Europa e reforça ligação histórica entre Imbituba e Portugal

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A tradição açoriana que atravessa gerações em Imbituba ganhou repercussão além do Atlântico. A 274ª Festa de Sant’Ana e Divino Espírito Santo de Vila Nova, uma das manifestações religiosas e culturais mais tradicionais do município e do Estado foi destaque nas páginas do jornal Correio dos Açores, periódico publicado na Ilha dos Açores, em Portugal.

Com o título “Tradição açoriana é preservada pela nova geração nas Festividades de Sant’Ana e do Divino Espírito Santo no Brasil”, a reportagem publicada na edição desta quinta-feira (6) apresenta aos leitores açorianos a força da tradição mantida em Vila Nova e a importância da festa para a preservação da identidade cultural trazida pelos imigrantes portugueses para o litoral catarinense.

O destaque ganha ainda maior significado por partir justamente da região de onde vieram os antepassados responsáveis por deixar um dos mais importantes legados culturais de Imbituba.

“Além- mar”: Tradição que atravessou o oceano

A publicação do Correio dos Açores resgata a história da comunidade de Vila Nova e lembra que a antiga Freguesia de Sant’Ana foi fundada por açorianos em 1749. Desde então, a devoção a Sant’Ana e ao Divino Espírito Santo atravessa gerações, chegando a 2026 com 274 anos de celebrações ininterruptas.

A reportagem portuguesa ressalta que a preservação das tradições culturais e religiosas continua viva não apenas nos rituais da festa, mas também na participação das novas gerações, rejuvenescendo a tradição, e no envolvimento comunitário.

O jornal dedica atenção especial ao trabalho desenvolvido na organização da festa, destacando a atuação de Ronaldo Augusto Pires, descendente de açorianos, que, juntamente com sua esposa, assumiu a responsabilidade pela continuidade desse legado como Primeiros Festerios, ou “Mordomo” para os açorianos, da 274ª Festa de Sant’Ana e do Divino Espírito Santo.

A publicação apresenta Ronaldo, que também é historiador e está em produção de um livro que contará toda a história do centenário festejo, como representante de uma nova geração comprometida em manter viva uma tradição que chegou ao Brasil trazida pelos imigrantes açorianos.

Reconhecimento à organização

Além de apresentar a dimensão histórica da celebração, o periódico açoriano destaca a programação realizada entre os dias 22 e 26 de julho, período em que o bairro de Vila Nova recebeu fiéis e visitantes para uma série de celebrações religiosas e momentos de convivência comunitária.

Entre os destaques citados estão a entrada das bandeiras das comunidades vizinhas, a entrega do Troféu do Divino a personagens históricos, vivos, da festa, realizada pela primeira vez; além da transladação e da procissão com a Corte Imperial e a imagem.

A reportagem também chama atenção para a celebração do Dia dos Avós, realizada no dia 26 de julho, e para um dos momentos tradicionais da festividade, relacionado ao ritual do coração do imperador, cuja origem remonta à tradição portuguesa.

Mais do que simplesmente noticiar a programação, o jornal português evidencia a maneira como a comunidade de Vila Nova vem conseguindo preservar costumes seculares e transmiti-los às novas gerações.

“Manter viva a tradição”

O reconhecimento internacional também evidencia a dimensão cultural da Festa de Sant’Ana para além de seus aspectos religiosos. Ao apresentar a celebração aos leitores dos Açores, o Correio dos Açores reforça a existência de uma ligação histórica e cultural que permanece viva entre a comunidade de Vila Nova e a terra de origem dos seus antepassados.

A reportagem destaca justamente esse aspecto ao abordar a importância de preservar o legado deixado pelos imigrantes açorianos e a responsabilidade das novas gerações em garantir que esses costumes continuem sendo praticados.

Para Imbituba, o espaço conquistado no periódico português representa também uma espécie de reencontro simbólico com as próprias raízes: uma tradição que saiu dos Açores há séculos, atravessou o oceano e encontrou em Vila Nova um lugar onde continua sendo celebrada, geração após geração.

Festa de Vila Nova ultrapassa fronteiras

O destaque no Correio dos Açores coloca a Festa de Sant’Ana e Divino Espírito Santo de Vila Nova em evidência também no país de origem de parte significativa da herança cultural da comunidade.

A repercussão valoriza não somente a festa, mas todo o trabalho de organização, mobilização comunitária e preservação histórica que permite que uma tradição iniciada há quase três séculos continue fazendo parte da vida de Imbituba.

A celebração de 2026, portanto, deixa um registro que vai além dos cinco dias de programação e suas novenas e eventos: sua história chegou novamente aos Açores, mostrando que a cultura açoriana permanece viva em Vila Nova e que o elo entre Imbituba e as ilhas portuguesas continua sendo fortalecido pelas novas gerações. “É a tradição de um povo que atravessou o oceano, criou raízes em Imbituba e, 274 anos depois, continua sendo celebrada”, avalia Ronaldo.

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