Um grupo de seis amigos de Imbituba, realizou um roteiro que muitos vascaínos sonham desde a infância, que é ver o Vasco em São Januário, viver a festa da Barreira, conhecer os bastidores do clube e, de quebra, entrar em campo para jogar contra ídolos históricos.
A viagem ao Rio de Janeiro foi organizada em um pacote que incluía o jogo contra o Juventude, realizado no último dia 8, e o “Jogo das Estrelas”, amistoso com ex-jogadores cruzmaltinos. Entre os nomes escalados estavam Mauro Galvão, Valdir Bigode, Leandrão e o campeão do mundo Bebeto.
— Foi um sonho. A palavra é essa: sonho — resume Rafael Soares Rodrigues, de 35 anos, que marcou o primeiro gol do jogo festivo com um chute de fora da área.
“Comecei a chorar na hora que botei o pé em São Januário”
Para Maria Eduarda, de 28 anos, a Duda, pisar pela primeira vez na Colina Histórica foi a realização de uma vida inteira de arquibancada à distância.
— Estava em êxtase. Assim que botei meus pés em São Januário, a emoção veio e comecei a chorar — conta.

Vascaína por influência da família da mãe e, principalmente, do avô, seu Pedro, ela diz que torcer pelo clube é também revisitar memórias afetivas:
— Tenho memórias lindas do Vasco com toda a minha família, principalmente com o meu avô. Carregar o Vasco dentro do peito é carregar minha família também — diz.
Na entrada do estádio, ela e os primos abriram uma chamada de vídeo com os avós.
— Foi como se a gente estivesse levando eles para São Januário com a gente — lembra.
Herança de família: “Vasco é meu avô”
O mais velho da turma, com 40 anos de idade, Pedro Estevam de Souza Custódio também liga o clube diretamente à figura do avô.
— Eu, o Karibyan e a Maria Eduarda somos primos. Crescemos numa família de vascaínos. Nosso avô, Pedro Estevam, foi quem inspirou todo mundo a torcer pelo Vasco — conta.

Ele lembra do tempo em que acompanhar o time pela TV era luxo.
— Nos anos 90, eu ouvia muitos jogos no rádio. A paixão se intensificou em 97, com o título brasileiro, aquele timaço com Mauro Galvão, Edmundo, Felipe, Pedrinho e Juninho. A partir dali, só cresceu.
Na sua primeira vez no Rio, Pedro fez o tour em São Januário um dia antes da partida.
— Entrar nas tribunas de honra, conhecer vestiário, sala de imprensa, entrar pelo túnel até o gramado… parecia que eu estava sonhando — descreve.
No estádio, viveu outro momento marcante:
— Liguei em chamada de vídeo para meus filhos e para a minha esposa, a Helen. Meu filho de seis anos ficava perguntando como era o campo, quando eu ia estar lá. Mostrar tudo aquilo pra eles foi emocionante. As lágrimas vieram na hora — relata.
Momento em que Pedro entra em São Januário
Barreira, churrasquinho e bateria sem parar
Entre os pontos altos da viagem, a tradicional festa da torcida na Barreira de São Januário ganhou destaque.
— A Força Jovem é surreal. Foram 90 minutos que a bateria não parou nem por um instante — diz Duda.
Crescendo vendo o Vasco ao lado do pai, Ana Paula, de 28 anos, descreve o momento como “emocionante”:
— O Vasco sempre fez parte da minha vida. Conhecer São Januário e viver a energia de um dia de jogo na Barreira foi a realização de um sonho — afirma.
Barreira do Vasco emocionou
Ela diz que se emocionou até nas cenas mais simples:
— Em quase todos os momentos eu me emocionei. Até comendo churrasquinho na Barreira foi massa. Ser vascaíno é isso: sofrer sorrindo — finaliza Ana.
Gol contra ídolos e resenha com Bebeto
O pacote, organizado por uma agência de Tubarão, incluía o “Jogo das Estrelas” contra ex-jogadores vascaínos.
— Sempre tive o sonho de conhecer São Januário e já tinha ido no ano passado, num jogo contra o Atlético-GO. Quando conheci a Duda, que é tão vascaína quanto eu, começamos a planejar essa ida ao Rio — conta Rafael.
Por mudanças na tabela da CBF, o adversário acabou sendo o Juventude, mas o amistoso festivo foi mantido. O grupo embarcou na sexta-feira e voltou na segunda. Dos seis, apenas Rafael já tinha visto uma partida na Colina Histórica.
Em campo, Mauro Galvão, Valdir Bigode, Leandrão e Bebeto comandaram o time dos veteranos.

— O jogo foi pegado, terminou 4 a 3 pra eles, e eu tive a felicidade de marcar o primeiro gol, num chute de fora da área. Estou até agora sem acreditar nisso — lembra Rafael.
Depois da bola rolando, veio a resenha.
— O que mais rolou foi resenha. Eles são muito do povo. Depois do jogo teve uma paella de frutos do mar e todo mundo participou. Conversavam com a gente como se fossem amigos de longa data.
Momento do gol de Rafael
Para ele, encarar jogadores que fizeram história com a camisa cruzmaltina foi o ponto alto da viagem:
— Jogar contra caras que deram a glória eterna ao meu time, como o capitão da Libertadores, foi sensacional — relembra Rafael.
Amizades foram construídas com a camisa cruzmaltina

Além dos laços familiares, a viagem celebrou uma amizade que nasceu justamente por causa do futebol.
— Somos amigas há 15 anos. Nossa amizade começou por causa do futebol, a gente se encontrava para assistir aos jogos do Vasco e o citadino de futsal. Conhecer São Januário com ela tornou tudo ainda mais especial — diz Duda, sobre Ana Paula.
Rafael conheceu Duda no ano passado e, a partir daí, se aproximou da família. Jennifer é amiga de longa data, e Pedro conhece Ana Paula “desde pequena”, por ser irmã de um amigo de infância.
— Cada momento vivido com eles no Rio foi incrível, desde as partidas até os rolês à noite — resume Rafael.
Rio de Janeiro encantou os imbitubenses
Nos intervalos entre jogo e festa, o grupo aproveitou para turistar. Hospedados no Flamengo, eles passaram por Leme, Leblon, Lapa, Santa Teresa e Botafogo.
— A cidade é realmente maravilhosa, cada cantinho parece sair de dentro de uma novela — diz Duda.
Pedro admite que embarcou com receio:
— Eu estava com um pouco de medo, ainda mais depois dos últimos acontecimentos que vimos pela TV. Mas foi tudo tranquilo, conseguimos conhecer alguns lugares legais.
Foi a primeira viagem dele ao Rio, e também o primeiro voo de avião.
— Agora a vontade é de voltar lá com minha esposa e meus filhos — conta, lembrando da recepção calorosa em casa, com balões e desenhos feitos pelas crianças.
“Relacionamento tóxico” e planos de volta
De volta a Imbituba, o sentimento no grupo foi unânime: missão cumprida e vontade de repetir a experiência.
— Saímos de lá com gostinho de quero mais. A experiência foi incrível. Com certeza vamos repetir. É um amor muito grande, sensação de pertencimento e orgulho. Honra de ser vascaína — afirma Duda.
Ana Paula correu para compartilhar tudo com o pai:
— Cheguei em casa e fui contar tudo pra ele, mostrei as fotos e os vídeos com os jogadores veteranos. Viver esse momento e poder compartilhar com ele é um privilégio.

Ela define a relação com o clube com bom humor:
— O Vasco é meu relacionamento tóxico. Me faz sofrer, mas eu amo. O coração do vascaíno é resiliente e forte demais.










