Um protesto de garis contra atraso no pagamento de benefícios terminou em demissões, versões conflitantes e paralisação parcial da coleta de lixo em Garopaba. O caso ocorreu entre terça-feira (27) e quarta-feira (28) e envolve trabalhadores, a empresa responsável pelo serviço e a prefeitura do município.
Segundo os trabalhadores, o protesto foi motivado pelo atraso no pagamento do vale-alimentação, que deveria ter sido depositado no dia 20. Na manhã seguinte à paralisação, alguns garis relataram que, ao chegarem para trabalhar, foram informados sobre o desligamento da empresa.
“Cheguei para bater o ponto e disseram que a gente estava desligado por ter reivindicado nosso direito. A gente tem família, crianças em casa, e não tinha o que comer”, afirmou Luan, gari que falou à reportagem.
Ainda conforme os relatos dos funcionários, além do atraso no benefício, haveria problemas estruturais no trabalho diário, como falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), caminhões com defeito e número reduzido de uniformes. As denúncias incluem ausência de luvas, meias e condições adequadas para descarregar os caminhões.
Veja denúncia do gari
O que diz a Prefeitura de Garopaba
O Governo de Garopaba informa que está em dia com todos os pagamentos previstos em contrato com a empresa responsável pelo serviço de coleta de resíduos sólidos urbanos. Os repasses e prazos pactuados em contrato foram rigorosamente cumpridos pela administração pública.
Salientamos que, caso não tenham sido efetuados os pagamentos aos colaboradores por parte da empresa contratada, trata-se de uma questão de gestão interna da prestadora de serviços, que deve esclarecer e regularizar a situação junto aos próprios funcionários.
Quanto à paralisação do serviço de coleta, informamos que a Secretaria de Infraestrutura está adotando as medidas administrativas cabíveis, inclusive com a formalização de ofícios à empresa, visando garantir a continuidade do serviço essencial à população e a observância dos compromissos contratuais.
A Prefeitura de Garopaba reafirma o compromisso com a transparência, com o respeito aos direitos dos trabalhadores e com a manutenção dos serviços públicos essenciais à comunidade de Garopaba.
O que diz a Resamb
A Resamb vem a público esclarecer os recentes questionamentos relacionados à paralisação de parte de seus colaboradores.
Sobre os pagamentos
Em razão de um fato recente envolvendo o proprietário da empresa, houve o bloqueio judicial, que entendemos ser indevido, das contas bancárias da Resamb. Tal situação impossibilitou momentaneamente o pagamento tão somente do vale alimentação dos funcionários, o que foi regularizado na data de hoje, diante do pagamento das faturas, na data de ontem, dos serviços prestados ao município de Garopaba. Registre-se, contudo, que a folha de pagamento está em dia.
Sobre demissões
A Resamb esclarece que não há demissões em andamento. O episódio divulgado refere-se a um caso isolado envolvendo dois colaboradores que descumpriram normas internas e realizaram ameaças físicas aos colegas de trabalho e ao patrimônio da empresa. As medidas adotadas seguiram rigorosamente as políticas internas e a legislação vigente. Ressaltamos que este fato não representa a realidade da equipe, que retornará nesta tarde a regularidade das suas atividades.
Relatos de ameaças e agressões
Um outro gari, que pediu para não ser identificado, apresentou uma versão diferente do protesto. Segundo ele, parte dos trabalhadores teria ameaçado colegas que queriam continuar trabalhando.
“Teve gente ameaçando com faca e pedaço de madeira. Colega apanhou porque quis trabalhar. Não existe só um lado nessa história”, afirmou.
A Resamb também mencionou episódios de ameaça como justificativa para as medidas adotadas.
Serviço segue sob monitoramento
Após a paralisação, caminhões chegaram a ficar parados, o que gerou preocupação entre moradores. A prefeitura afirma que segue monitorando a situação para evitar prejuízos à população.









