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Érika dos Reis

Com 42 mil moradores, conjunto de municípios da Amurel tem mais homicídios que área com 121 mil habitantes, aponta MPSC

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Com 42 mil moradores, a região formada por Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio registrou mais crimes contra a vida que a área formada por Tubarão e Pedras Grandes, que reúne mais de 121 mil habitantes, segundo dados da Polícia Civil encaminhados ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, foram contabilizados 10 crimes contra a vida nos três municípios: oito homicídios e dois feminicídios. No mesmo período, Tubarão e Pedras Grandes registraram três homicídios, sendo dois em 2025 e um em 2026.

O cenário levou a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Jaguaruna a intensificar a atuação nos casos que envolvem crimes contra a vida, desde a fase de investigação até os julgamentos pelo Tribunal do Júri.

Diferença chama atenção pelo tamanho da população

Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio somam aproximadamente 42 mil habitantes. Já Tubarão e Pedras Grandes reúnem mais de 121 mil moradores, conforme os dados considerados pelo MPSC.

A diferença populacional é destacada pelo Ministério Público ao comparar os registros das duas áreas. A região formada pelos três municípios teve, no período analisado, oito homicídios e dois feminicídios, enquanto a área que compreende Tubarão e Pedras Grandes teve três homicídios.

O MPSC afirma que acompanha de forma prioritária os crimes contra a vida registrados na comarca de Jaguaruna, com atuação desde a investigação até a tramitação dos processos no Tribunal do Júri.

Dez crimes contra a vida em 20 meses

Segundo os dados encaminhados pela Polícia Civil à Promotoria de Justiça, em 2025, foram registrados quatro homicídios e um feminicídio em Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio.

Já entre janeiro e agosto de 2026, foram contabilizados novamente quatro homicídios e um feminicídio. Ao todo, são 10 crimes contra a vida em 20 meses nos três municípios.

Para a Promotoria de Justiça, os números chamam atenção quando comparados aos de comarcas vizinhas. A atuação no Tribunal do Júri é apontada pelo órgão como uma das formas de buscar a responsabilização dos autores dos crimes.

Dois homens são condenados por homicídio

Um dos casos julgados recentemente pelo Tribunal do Júri ocorreu em 17 de fevereiro de 2025, no bairro Balneário Camacho, em Jaguaruna.

Segundo a denúncia apresentada pelo MPSC, dois homens mataram a vítima a tiros em razão de uma disputa relacionada ao tráfico de drogas na região.

Conforme as investigações, os acusados utilizaram o veículo de um terceiro morador para procurar pela vítima. O homem foi localizado caminhando próximo de sua residência e atingido por diversos disparos.

Três tiros acertaram as costas da vítima, que morreu no local.

Após o crime, o veículo utilizado na ação foi encontrado abandonado depois de colidir contra o muro de uma residência localizada a aproximadamente 500 metros do local do homicídio.

Réus recebem penas de 16 e 22 anos

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que a vítima não teve possibilidade de defesa, pois foi surpreendida enquanto caminhava pela via pública.

Os dois réus foram condenados por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Um dos homens recebeu pena de 16 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado. O outro foi condenado a 22 anos, quatro meses e 24 dias, também em regime inicial fechado.

Para a Promotoria de Justiça, a responsabilização dos autores por meio do Tribunal do Júri integra as medidas adotadas diante do cenário de violência registrado na região.

O Ministério Público afirma que continuará acompanhando prioritariamente os crimes contra a vida na comarca, com o objetivo de buscar a responsabilização dos envolvidos nos casos que chegam à Justiça.

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