Alunos da Escola de Educação Básica Engenheiro Annes Gualberto, em Imbituba, vão trocar a rotina tradicional da sala de aula por discursos, negociações e debates sobre alguns dos principais desafios internacionais. Entre terça-feira (29) e quarta-feira (1º), a escola realiza mais uma edição do Simulado da organização das nações unidas (Sonua), projeto que simula tomadas de decisões entre países e organismos internacionais.
O Portal AHora esteve na escola durante a preparação para o evento e conversou com professores e estudantes que vão participar da simulação.
Em sua quarta edição, o Sonua transforma os alunos em “diplomatas”. Divididos em delegações, eles precisam estudar o país que representam e defender os interesses daquela nação durante os debates, mesmo quando a posição defendida é diferente da opinião pessoal do estudante.
A preparação começou semanas antes do evento e envolve pesquisas, elaboração de discursos, divisão de funções e estratégias para os confrontos entre as delegações.
Segundo o professor de geografia Daniel Freitas, criador do projeto, a proposta é fazer com que os estudantes deixem de ser apenas espectadores e assumam papel ativo no processo de aprendizagem.
“A ideia do Sonua é tornar o aluno protagonista. Logo, ele toma as decisões e isso influencia na carreira. […] Acho que forma um estudante crítico, ativo e em prol da sociedade”, explicou.
Segundo o professor, os estudantes estão há mais de 60 dias envolvidos diretamente na preparação.

Alunos precisam defender até posições com as quais não concordam
Patrícia Luiz Pereira, de 17 anos, integra a delegação dos Estados Unidos e será uma das responsáveis por defender o país durante os debates. Entre os assuntos estudados por ela estão as tarifas impostas ao Brasil pelo governo norte-americano.
O desafio, segundo a estudante, é separar a própria opinião da posição que precisa assumir como representante do país.
“Eu estou defendendo por conta do Sonua”, explicou Patrícia ao ser questionada se os argumentos apresentados representavam sua opinião pessoal.
Para Patrícia, a experiência também ajuda os estudantes a desenvolver habilidades que vão além dos conteúdos tradicionais.
“A gente tem que escrever discurso, falar em público, que é uma habilidade muito importante, e aprender a trabalhar em grupo.”

Pesquisa muda percepção sobre outros países
Sátya Lima de Souza, de 16 anos, representa o Equador e será oradora principal da delegação. Ela também integra o secretariado responsável pela organização do evento.
Durante a preparação, a estudante conta que precisou pesquisar aspectos políticos e econômicos do país que representa. Segundo ela, o processo mudou algumas percepções que tinha antes do projeto.
Sátya afirma que o Sonua também ampliou a maneira como passou a observar acontecimentos internacionais.
“Eu até gosto de saber sobre política, mas não costumo me aprofundar. Pelo Sonua, acabei me aprofundando bastante, percebendo muitos lados da história.”
Para ela, a experiência ajuda os estudantes a compreender que acontecimentos aparentemente distantes também estão ligados a decisões políticas e podem ter reflexos em diferentes partes do planeta.
“Me ajudou a ver que não existe só o meu mundinho aqui no Brasil. Existem coisas acontecendo fora, e me abriu os olhos sobre muitas coisas que a gente não vê.”
Raul Francisco, de 16 anos, também integra a delegação equatoriana e participa da preparação dos argumentos que serão usados nos debates. Segundo ele, os estudantes tentam antecipar possíveis questionamentos das delegações adversárias para preparar respostas.
“A gente está planejando os argumentos, tentando entender o que a delegação de Cuba poderia usar para ter um argumento nesse caso e garantir o máximo de argumentos possíveis.”

Mudanças climáticas e energia nuclear entram nos debates
Além dos confrontos entre países, o Sonua terá rodadas de cooperação inspiradas em organismos internacionais.
Uma delas simulará a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Os estudantes vão discutir mecanismos de verificação internacional, não proliferação de armas nucleares e o uso pacífico da energia nuclear.
Outra rodada será inspirada na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Nesse caso, os alunos terão o desafio de elaborar propostas de ações antecipatórias diante das mudanças climáticas, do El Niño e da insegurança alimentar.
Segundo Daniel, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) também aparecem de forma transversal nas discussões.
“Os ODS estão presentes em todos os debates, em todas as relações que são discutidas aqui no Sonua.”

Projeto envolve diferentes disciplinas
Apesar da forte presença de temas ligados à geopolítica e às relações internacionais, o projeto não fica restrito às aulas de geografia.
Professores de história, sociologia, filosofia, biologia, matemática, português e outras áreas participam da preparação dos estudantes.
“Há um conjunto docente que se organiza, senta, planeja e possibilita novas atividades. Biologia contribui, matemática, geografia, história, sociologia, filosofia. Está todo mundo envolvido pensando em um objetivo maior”, afirmou Daniel.
A programação também inclui atividades culturais e gastronômicas. Neste ano, dez países estarão representados no desafio gastronômico, com pratos relacionados às culturas das delegações. Outros grupos participam de apresentações culturais.
Além do conhecimento sobre questões internacionais, a proposta busca desenvolver habilidades como oratória, negociação, pesquisa, pensamento crítico, trabalho em equipe e capacidade de argumentação.
O Sonua acontece nos dias 29 e 30 de setembro e 1º de outubro, das 8h às 12h, na Escola Engenheiro Annes Gualberto, no bairro Paes Leme, em Imbituba.











