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Érika dos Reis

LUZ DOS ORIXÁS: 4ª Carreata de Cosme e Damião leva doces, brincadeiras e axé para crianças de Imbituba neste fim de semana; veja detalhes

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Imbituba recebe no próximo final de semana uma ação de muito axé, solidariedade e alegria. No próximo domingo (27), os médiuns do Terreiro Luz dos Orixás, localizado no Campo D’Aviação, vão realizar a 4ª edição da Carreata de Cosme e Damião. Uma tradição comum no mês de setembro, referente ao orixá Ibeji e os erês das religiões de matriz africana.

Durante a carreata, os médiuns distribuirão doces às crianças de bairros carentes e, levarão diversas brincadeiras e luz a quem precisa. A saída está marcada para as 14h, em frente ao terreiro. Os participantes seguirão por diferentes comunidades da cidade.

Os médiuns estarão fantasiados de super-heróis e participarão de atividades recreativas com as crianças. A proposta é transformar a tarde em um momento de alegria, acolhimento e convivência, além de compartilhar o axé e os valores de solidariedade presentes na tradição.

3ª Edição, em 2025 – Arquivo Pessoal

Ação leva alegria e cuidado às comunidades

A ação é realizada pelos médiuns do Terreiro Luz dos Orixás e chega à sua quarta edição, mantendo a proposta de percorrer comunidades de Imbituba e proporcionar uma tarde especial para as crianças.

Para a médium Bruna Martins, a iniciativa vai além da entrega de doces e busca compartilhar carinho e solidariedade com as famílias atendidas pela ação.

“Só quem já viu o sorriso de uma criança ao receber um doce ou um pequeno presente entende que, para ela, aquilo nunca é ‘só uma bala’”, destaca a médium.

Segundo Bruna, para muitas famílias, coisas que parecem simples nem sempre cabem no orçamento. Por isso, cada doação pode fazer a diferença. Para ela, por trás de um pacote de doces existe alguém que decidiu compartilhar um pouco do que tem para proporcionar alegria a outra pessoa.

“É isso que queremos levar com a nossa carreata: mais do que doces, queremos levar carinho, partilha e a certeza de que nenhuma ação é pequena quando muita gente decide ajudar”, afirma.

Convite à comunidade

A médium Jéssica Oliveira também reforça o convite para que a comunidade de Imbituba participe e apoie a iniciativa. Segundo ela, embora a celebração de Cosme e Damião esteja ligada a questões religiosas, a ação busca colocar em primeiro plano a solidariedade e o cuidado com as crianças.

“Quando falamos de Cosme e Damião, muitas vezes surgem questões relacionadas à religião, né? Mas eu gostaria de convidar as pessoas a olhar além disso. Independente da sua fé, da minha fé, da religião de cada um, estamos falando de crianças e de amor ao próximo”, afirma.

Jéssica destaca ainda que uma pequena doação pode representar um momento significativo para uma criança.

“Pra nós, pode ser apenas um saquinho de doces, mas para uma criança, pode ser a alegria daquele dia. Um sorriso e uma lembrança que ficará guardada”, acrescenta.

Para a médium, a participação da comunidade pode ajudar a ampliar a ação e levar alegria a um número maior de crianças.

“A gente pode, sim, deixar as diferenças de lado e lembrar que a caridade não precisa ser uma religião. Ela só precisa de pessoas dispostas a fazer o bem”, conclui.

Terreiro arrecada doces para a carreata

Até sexta-feira (25), o Terreiro Luz dos Orixás também promove uma arrecadação de doces para a ação. As doações podem ser entregues diretamente na sede do terreiro, na Rua 2112, no bairro Campo D’Aviação, em Imbituba. Os itens arrecadados serão destinados às crianças durante a 4ª Carreata de Cosme e Damião, que acontece no domingo (27).

Orixá Ibeji e Erês – a força da infância e da alegria

A tradição da entrega dos doces tem origem na associação dos orixás com as crianças e com os santos católicos, feita por escravos africanos que não podiam cultuar livremente suas divindades na época da escravidão. A distribuição de doces é uma forma de agradar o orixá Ibeji que, além de protetor das crianças, auxilia as pessoas em questões relacionadas à saúde, amor puro, renovação, entre outros.

Na tradição afro-brasileira, Cosme e Damião estão ligados a Ibeji, divindade que representa a infância, a pureza e a alegria. Sempre lembrado em dupla, Ibeji simboliza a energia da renovação e da esperança, mostrando que o riso e a leveza também são formas de fé. No dia 27 de setembro, é celebrada a data estes orixás.

Junto a eles estão os Erês, espíritos que se apresentam como crianças e trazem mensagens de carinho, brincadeira e simplicidade. Eles ensinam que a espiritualidade não é feita somente de rituais, mas também de momentos de afeto e de partilha, como a doçura celebrada na entrega dos doces.

Cosme, Damião e Doum

No catolicismo, Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e santos. Segundo as histórias da religião, os dois atuavam como médicos na Síria, no século III. Eles cuidavam dos doentes sem pedir pagamento, o que lhes renderam o apelido de “anárgiros“, que significa, na língua grega, sem prata. Devido a importância que eles tiveram para os mais necessitados da época, a Igreja Católica os santificou.

No umbandismo, apesar da mesma simbologia – com o cuidado e a saúde -, é celebrado também a figura de Doum. Enquanto os irmãos Ibejis entendem-se como protetores da inocência e da pureza das crianças em adultos, Doun é a representação do protetor infantil até alcançarem os 7 anos de idade.

É ele quem recebe os doces ofertados. Em troca das oferendas – presentes e alimentos ofertados aos orixás para que eles ajam com mais força na vida das pessoas – Doun dá leveza, alegria e doçura para enfrentar os percalços da vida.

Médiuns e os terreiros

O terreiro de Umbanda é o espaço sagrado onde acontecem os rituais, cânticos e práticas dessa religião brasileira que une elementos das tradições africanas, indígenas, do espiritismo e do catolicismo. É nele que os médiuns – pessoas que têm a sensibilidade de se conectar ao mundo espiritual – recebem entidades de luz, como caboclos, pretos-velhos e erês, para transmitir mensagens, orientações e realizar trabalhos de cura e acolhimento espiritual.

Sincretismo religioso

O sincretismo religioso é um fenômeno que se consolidou no Brasil principalmente durante o período colonial, quando os povos africanos escravizados, ao trazerem suas tradições religiosas, precisaram adaptá-las ao contexto de repressão imposto pela Igreja Católica.

Para preservar suas crenças, muitas divindades das religiões de matriz africana passaram a ser associadas a santos católicos, criando paralelos simbólicos que permitiram a continuidade de seus cultos de forma disfarçada.

Assim, por exemplo, Oxum foi relacionada a Nossa Senhora da Conceição, Ogum a São Jorge e Iemanjá a Nossa Senhora dos Navegantes.

Na Umbanda, que nasce no início do século XX como uma religião brasileira, esse sincretismo permanece como um traço importante, mesclando elementos do catolicismo, do espiritismo kardecista e das tradições afro-brasileiras.

Ele expressa não apenas uma estratégia de resistência cultural, mas também a riqueza da diversidade espiritual do país, onde diferentes visões de mundo se encontram e dialogam, resultando em práticas religiosas plurais e inclusivas.

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