Um mês após a morte de Hyuri Borges Gonçalves, de 21 anos, em um acidente na BR-282, em Santo Amaro da Imperatriz, a família do jovem cobra respostas sobre a investigação e questiona por que o motorista apontado como responsável pela colisão permanece em liberdade.
Hyuri nasceu em Imbituba, onde viveu os primeiros anos da infância, mas morava em Águas Mornas. Ele seguia para o trabalho na região do Campeche, em Florianópolis, quando morreu na manhã de 18 de agosto.
A reportagem foi até a casa da irmã do jovem, Hiale Borges, em Ibiraquera, em Imbituba. Em uma entrevista marcada por emoção e revolta, ela contou sobre as últimas semanas da família e apresentou os questionamentos que espera ver esclarecidos pelas autoridades.
“Eu não entendo o porquê que esse homem não está preso. Eu quero que alguém me explique o porquê ele não está preso”, afirmou Hiale.

Acidente aconteceu no início da manhã
A colisão aconteceu por volta das 5h50, no km 30 da BR-282, em Santo Amaro da Imperatriz. Segundo informações divulgadas à época pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o acidente envolveu a Honda CG 160 Titan conduzida pelo jovem e duas caminhonetes Renault Oroch. Hyuri morreu no local. Os outros dois condutores tiveram ferimentos leves.
Segundo Hiale, o irmão estava a caminho do trabalho acompanhado do sogro quando ocorreu a colisão.

A irmã afirma que a família reuniu vídeos que mostrariam o motorista da caminhonete consumindo bebida alcoólica durante a madrugada e sustenta que ele apresentava sinais de embriaguez após o acidente. As afirmações são da família e ainda dependem da conclusão da investigação para serem confirmadas.
“Ele estava indo trabalhar no Campeche com o sogro dele, e o homem que matou ele estava voltando da putaria. Totalmente bêbado”, afirmou Hiale.
A família também questiona as circunstâncias em que foram realizados exames para verificar eventual consumo de álcool pelo motorista. Hiale diz que quer saber quais provas foram incorporadas ao inquérito e se todas as imagens disponíveis foram analisadas.
Família questiona andamento da investigação
Durante a entrevista, Hiale afirmou que a principal reivindicação da família é que todas as circunstâncias que antecederam a colisão sejam apuradas.
Ela também relatou que o advogado da família acompanha o caso e que foram feitas tentativas de contato com a empresa à qual estaria vinculado o veículo conduzido pelo motorista.
Hiale levantou ainda suspeitas sobre eventual influência do motorista e da empresa no andamento do caso.
“A minha família só quer justiça. Não façam mal para a família dele. A filha dele não tem culpa, a mãe dele não tem culpa. […] A culpa é dele, porque a decisão foi dele. E ele tem que pagar pelo crime dele”, disse.
“Onde ele passava, fazia família”
Além das cobranças sobre o caso, Hiale relembrou quem era o irmão fora das circunstâncias da morte.
Hyuri era ligado ao surfe e chegou a pegar ondas em praias de Imbituba, incluindo a Ribanceira e o Pico da Vila. Segundo a irmã, apesar de ter deixado a cidade ainda criança, mantinha ligação com o município e sonhava em voltar a morar no litoral.
“Onde ele passava, ele fazia família, não fazia amigos. Ele sempre foi um menino muito amado”, contou.
A irmã lembra que Hyuri gostava de estar perto das crianças, tentava aprender a tocar violão e aproveitava o tempo livre para surfar e estar com a família.
“Pelo menos eu posso dizer que ele viveu. Tudo que ele queria fazer, ele fazia. Eu sei que meu irmão viveu 21 anos aqui muito bem vividos. E não foi essa atrocidade que apagou a história linda que ele teve nessa terra.”
Hyuri também vivia um relacionamento e, conforme Hiale, mantinha uma rotina próxima dos pais. Antes ou depois do trabalho, costumava passar na casa da família para tomar café ou buscar a comida preparada pela mãe.
Família busca respostas
Nas últimas semanas, Hiale passou a usar as redes sociais para divulgar o caso e pedir que as circunstâncias da morte do irmão não sejam esquecidas. Ela afirma que o objetivo da exposição é conseguir respostas e responsabilização caso a investigação confirme a prática de crime.
“Eu abro mão de tudo para ele ser preso e pagar pelo crime que ele cometeu. Que é o justo.”
Para Hiale, a repercussão também é uma forma de tentar evitar que outras famílias enfrentem situação semelhante.
“Hoje eu tenho força para dar tudo de mim para conseguir justiça por ele. E para outra pessoa, outra família, não ter que sofrer o que a minha família está sofrendo.”











