Por quase uma década, Rodrigo Gaston Peratta esteve inserido na comunidade da Encantada, em Garopaba, onde construiu uma imagem associada à espiritualidade, à chamada Cultura de Paz e à vida comunitária. Para quem conviveu com ele naquele período, porém, essa figura pública contrastava com uma realidade que começou a ser revelada em 2014.
Hoje, Peratta é condenado definitivamente pela Justiça por crimes sexuais e considerado foragido, segundo a documentação apresentada à reportagem. Ele possui duas condenações criminais, com penas que, somadas, ultrapassam 30 anos de reclusão em regime fechado.
A primeira condenação é de 26 anos e 8 meses por estupro de vulnerável continuado. A segunda estabelece pena de 3 anos, 6 meses e 20 dias por violação sexual mediante fraude.
Segundo o dossiê produzido pela psicóloga Krishna Cesario Alvim de Castro, que acompanha uma das vítimas, as primeiras violências sexuais relatadas ocorreram quando as meninas ainda tinham 5 e 6 anos de idade.
Os processos judiciais resultaram em mandados de prisão. Peratta, entretanto, não foi localizado para iniciar o cumprimento das penas.
É a tentativa de localizar o condenado que voltou a mobilizar vítimas, familiares, profissionais que acompanham sobreviventes e pessoas que tiveram contato com a história da comunidade.
A reportagem do Portal AHora teve acesso ao dossiê elaborado por Krishna Cesario Alvim de Castro, com autorização da vítima acompanhada pela profissional, para subsidiar a divulgação jornalística e contribuir para a localização de Peratta.
O documento reúne informações processuais, relatos das vítimas, cronologia dos acontecimentos e elementos sobre a trajetória do condenado na comunidade da Encantada.
Importante: esta reportagem diferencia informações reconhecidas em decisões judiciais de relatos e informações reunidas no dossiê. Alegações que não estejam abrangidas pelas condenações mencionadas são apresentadas como relatos ou informações sob apuração.
Quem é Rodrigo Gaston Peratta
Homem de aproximadamente 1,80 metro de altura, com sotaque argentino.
A descrição deve ser utilizada exclusivamente para auxiliar na identificação pelas autoridades. Pessoas não devem ser abordadas, seguidas, ameaçadas ou acusadas por conta própria. Eventuais informações sobre alguém que possa ser Peratta devem ser encaminhadas diretamente aos órgãos de segurança, que são responsáveis por confirmar a identidade e cumprir os mandados judiciais.
Peratta viveu na região da Encantada, em Garopaba, entre 2004 e 2014, inserido em uma comunidade de caráter alternativo e espiritual.
Segundo o dossiê, durante esse período ele construiu uma imagem pública ligada à espiritualidade, à Cultura de Paz e a experiências comunitárias.
O documento também descreve sua participação na Caravana Arco-Íris, projeto itinerante associado à difusão do Calendário Maia, à construção de domos geodésicos e à realização de eventos.
De acordo com os relatos reunidos pela psicóloga, a posição ocupada por Peratta dentro daquele ambiente ajudava a estabelecer relações de confiança e influência com pessoas da comunidade.
A revelação começou em 2014
A história que levou à primeira ação penal começou a ser revelada em outubro de 2014.
Segundo o dossiê, uma adolescente identificada pelo pseudônimo “Tulipa” revelou à mãe que havia sofrido abusos durante anos.
De acordo com a documentação apresentada à reportagem, parte das violências reconhecidas posteriormente pela Justiça ocorreu durante a infância e adolescência da vítima. O material destaca que as primeiras situações de violência sexual teriam ocorrido quando ela ainda tinha 5 anos.
O dossiê também reúne informações referentes a uma segunda vítima, identificada pelo pseudônimo “Jasmin”, que teria sido submetida a situações de violência quando ainda era criança.
A revelação provocou o rompimento da convivência entre a família e Peratta e levou à formalização das denúncias perante as autoridades.
A investigação deu origem à ação penal nº 0000811-76.2015.8.24.0167, que tramitou na Vara Única da Comarca de Garopaba.
Primeira condenação: 26 anos e 8 meses
No processo principal, Rodrigo Gaston Peratta foi condenado pelo crime de estupro de vulnerável continuado, previsto no artigo 217-A do Código Penal.
A pena definitiva foi estabelecida em 26 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado.
Segundo a documentação apresentada à reportagem, a condenação tornou-se definitiva e posteriormente foi expedido mandado de prisão para o cumprimento da pena.
O processo consta em registros públicos do Judiciário catarinense. Publicações do Diário da Justiça também registram movimentações relacionadas ao caso, incluindo decisões referentes à prisão preventiva e à entrega do passaporte argentino.
A documentação atualmente reunida pela reportagem aponta que Peratta permanece sem cumprir essa pena.
Segunda vítima e nova condenação
O primeiro processo não encerrou as investigações relacionadas aos relatos envolvendo Peratta.
Uma segunda ação penal, de número 0000924-59.2017.8.24.0167, também tramitou na Vara Única da Comarca de Garopaba.
Segundo o dossiê, o processo teve origem no relato de uma segunda vítima, identificada pelo pseudônimo “Jasmin”.
Nesse caso, Peratta foi condenado pelo crime de violação sexual mediante fraude, previsto no artigo 215 do Código Penal.
A pena estabelecida foi de 3 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado.
De acordo com o dossiê, o processo teve trânsito em julgado em abril de 2026, quando a condenação se tornou definitiva, e um novo mandado de prisão foi expedido.
Com as duas decisões judiciais, as penas ultrapassam 30 anos de reclusão.
As duas condenações
A situação judicial apresentada na documentação é:
Primeira condenação
- Crime: estupro de vulnerável continuado
- Pena: 26 anos e 8 meses de reclusão
- Regime: fechado
- Processo: 0000811-76.2015.8.24.0167
Segunda condenação
- Crime: violação sexual mediante fraude
- Pena: 3 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão
- Regime: fechado
- Processo: 0000924-59.2017.8.24.0167
As duas condenações são definitivas, conforme a documentação apresentada à reportagem.
Uma busca que se prolonga há anos
Segundo o dossiê, Peratta está foragido desde o período posterior à primeira condenação, proferida em 2021.
A busca ganhou novo impulso em 2026, depois que a segunda condenação se tornou definitiva.
Familiares das vítimas e pessoas que acompanham o caso passaram a reunir informações que possam auxiliar as autoridades a localizar o condenado.
Entre os elementos levantados estão informações cadastrais, registros antigos e possíveis pistas sobre deslocamentos.
O material também menciona a possibilidade de Peratta utilizar documentação falsa.
A principal mobilização, entretanto, permanece concentrada na tentativa de identificar seu paradeiro no Brasil.
Segundo informações reunidas para a reportagem, há relatos recentes que indicariam que ele pode ter sido visto no país. Essas informações ainda precisam ser confirmadas pelas autoridades e, por isso, não permitem afirmar onde o condenado está atualmente.
O que se sabe sobre o paradeiro
A pergunta central permanece: onde está Rodrigo Gaston Peratta?
Há informações e relatos que apontam para a possibilidade de que ele esteja circulando pelo Brasil, mas nenhuma dessas pistas pode ser tratada como confirmação de localização.
Também existe a possibilidade mencionada no dossiê de que Peratta esteja utilizando documentos falsos. Essa informação, porém, igualmente depende de confirmação oficial.
A localização efetiva e a identificação de uma eventual pessoa encontrada com características semelhantes precisam ser verificadas pelas autoridades responsáveis pelo cumprimento dos mandados.
Por isso, a orientação é que qualquer pessoa que tenha uma informação concreta sobre o possível paradeiro do condenado não tente fazer a abordagem por conta própria.
A recomendação é comunicar imediatamente a Polícia Civil, a Polícia Militar ou outro órgão de segurança pública.

Vítimas tentam transformar o silêncio em informação
Depois de anos de acompanhamento psicológico, uma das vítimas decidiu ampliar a mobilização para tentar contribuir com a localização de Peratta.
Segundo o dossiê produzido pela psicóloga Krishna Cesario Alvim de Castro, a sobrevivente permanece em acompanhamento e apresenta consequências psicológicas relacionadas aos traumas vivenciados durante a infância.
A profissional relata que o processo terapêutico foi acompanhado por atividades artísticas e corporais e que, ao longo dos anos, a vítima desenvolveu recursos para reconstruir a autonomia e elaborar as experiências traumáticas.
A mobilização atual tem, portanto, dois objetivos: preservar a história das vítimas e contribuir para que uma pessoa já condenada definitivamente pela Justiça seja localizada e cumpra as penas determinadas judicialmente.
O movimento reúne familiares, vítimas e pessoas que acompanharam os desdobramentos dos processos ao longo dos anos.
A comunidade da Encantada e as relações de confiança
Os relatos reunidos no dossiê descrevem a Encantada dos anos 2000 como um ambiente marcado pela convivência comunitária, espiritualidade e relações próximas entre famílias.
Segundo a documentação, Peratta ocupava uma posição de influência nesse círculo.
A psicóloga responsável pelo dossiê afirma que essa estrutura teria dificultado a identificação e a denúncia das violências relatadas pelas vítimas.
Entre os mecanismos descritos no documento estão a desqualificação dos relatos das vítimas, pressão sobre familiares e tentativas de apresentar denúncias como conflitos pessoais.
Essas informações fazem parte do dossiê e não devem ser confundidas com fatos reconhecidos nas condenações judiciais.
Outro processo envolve a irmã de Peratta
As investigações relacionadas ao ambiente da comunidade também levaram a outros processos, segundo o dossiê.
Entre os casos citados está o de Noélia Beatriz Peratta, irmã de Rodrigo Gaston Peratta.
Segundo a documentação apresentada à reportagem, Noélia foi condenada por crime relacionado à prostituição da própria filha, em processo que também teve relação com os acontecimentos investigados na comunidade.
Ainda de acordo com as informações reunidas pela reportagem, Noélia chegou a ser presa e atualmente cumpre a pena em regime semiaberto.
O caso da irmã, entretanto, constitui um processo distinto das duas condenações impostas a Rodrigo Gaston Peratta e deve ser tratado separadamente.
Como ajudar a localizar o condenado
A mobilização busca transformar informações sobre o possível paradeiro de Peratta em pistas que possam ser verificadas oficialmente.
A orientação é que pessoas que tenham informações concretas sobre onde ele está procurem diretamente os órgãos de segurança.
Não tente abordar, confrontar ou seguir uma pessoa por conta própria.
Também não se deve acusar ou expor publicamente alguém apenas porque possui características semelhantes às descritas nesta reportagem.
A confirmação da identidade e o cumprimento dos mandados são atribuições das autoridades policiais.
Qualquer informação relevante sobre o possível paradeiro de Rodrigo Gaston Peratta deve ser encaminhada diretamente à Polícia Civil através do telefone 181 ou à Polícia Militar no 190.











