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Júlia Possenti na London Fashion Week

De Imbituba para o mundo: designer de moda recém-formada em universidade pública leva coleção à London Fashion Week, um dos eventos mais prestigiados do planeta

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Há sonhos que começam pequenos, quase silenciosos, ainda na infância. Alguns nascem entre desenhos, músicas, filmes e histórias inventadas. Outros ganham forma diante de um espelho, em uma roupa diferente ou na vontade de criar algo que ainda não existe, e também de deixar o mundo mais inclusivo.

Para a jovem imbitubense, Júlia Possenti, de 23 anos, foi assim que começou uma trajetória que agora já atravessa o oceano.

Em setembro, a coleção Éther, apresentada por Julia em 2025 como trabalho de conclusão do curso de Moda da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), estará na London Fashion Week, um dos mais reconhecidos eventos do calendário internacional da moda. Ainda durante sua formação profissional, a designer de moda que hoje reside em São Paulo (SP) teve seu talento reconhecido pela The Walt Disney Company.

Entretanto, a nova conquista da imbitubense representa muito mais do que a chegada de uma coleção catarinense, concebida em uma universidade pública, a Londres. É também a confirmação de uma trajetória construída entre criatividade, estudo, comunicação e, sobretudo, a disposição de transformar referências pessoais em uma linguagem própria.

“O que um dia parecia um sonho distante hoje se consolida como uma conquista marcante da minha trajetória. A coleção Éther chega à London Fashion Week, levando minha visão criativa a um dos palcos mais prestigiados da moda mundial”, afirma Júlia.

Influência das expressões artísticas e reconhecimento à graduação

Desde muito nova, Júlia encontrou na arte uma forma de compreender e expressar o mundo. Aos 17 anos, começou a produzir conteúdo para a internet sobre moda e, pouco a pouco, percebeu que aquele interesse poderia se transformar em profissão. A escolha pela UDESC, foi decisiva nesse caminho, oferecendo uma formação que uniu criação, pesquisa e uma compreensão mais ampla da indústria da moda, inclusive de seu papel social.

Foi durante a graduação que a designer começou a entender que queria ir além da criação de roupas bonitas. Seu interesse estava em construir conceitos, narrativas e experiências, utilizando a moda como uma linguagem capaz de comunicar identidade, comportamento e cultura.

“A graduação foi fundamental para que eu descobrisse a minha identidade como designer. Lá, compreendi que não queria criar apenas peças visualmente interessantes. A moda passou a ser, para mim, uma linguagem por meio da qual consigo traduzir ideias que nem sempre seriam expressas da mesma forma apenas com palavras”, lembra Júlia.

Éther: entre contrastes e transformações

Foi dessa busca que nasceu Éther, coleção inspirada no conceito de éter como elemento capaz de conectar forças aparentemente opostas. Na física antiga e filosofia, o grupo de compostos orgânicos éter era o “quinto elemento” que preenchia o espaço celeste, usado também como solvente e anestésico.

A ideia encontra sua principal representação na dualidade entre Sol e Lua durante um eclipse, explorando conceitos como contraste, equilíbrio e transformação. Apresentada no OCTA, desfile de formatura do curso de Moda da UDESC, a coleção chamou atenção e acabou abrindo portas que Júlia talvez ainda não imaginasse atravessar tão cedo.

A partir da visibilidade conquistada naquele desfile, surgiu o convite para integrar uma iniciativa de moda inclusiva da Bullock Inclusion e levar uma criação de Éther à London Fashion Week.

Moda e inclusão

Para a apresentação internacional, Júlia está adaptando uma das peças da coleção para uma modelo que utiliza uma prótese no braço. O processo acrescentou uma nova dimensão ao projeto e levou a designer a repensar a criação a partir das necessidades concretas de quem veste a roupa.

Mais do que adaptar uma peça, a experiência fez com que Júlia aprofundasse sua compreensão sobre inclusão na moda, uma construção que, segundo ela, precisa envolver escuta, diálogo e respeito aos diferentes corpos, sem abrir mão da estética, do conceito e da identidade criativa.

De Imbituba para o mundo

Por trás da designer que agora prepara sua chegada a Londres está uma jovem que cresceu em Imbituba, e posteriormente mudou-se para Florianópolis para estudar.

Para Júlia, essa origem também está presente em sua maneira de criar. Vir de uma cidade menor fez com que alguns caminhos parecessem mais distantes, mas também despertou curiosidade, persistência e o desejo de ampliar os horizontes de seu trabalho.

“Partir de uma realidade local sem abandonar minhas raízes e levar essa história para o mundo” resume, em essência, o significado que ela atribui ao momento.

Disney e outras experiências

E a trajetória já vinha dando sinais de que poderia alcançar lugares maiores. Ainda durante sua formação profissional, Júlia teve seu talento reconhecido pela The Walt Disney Company, onde atuou após ser selecionada a partir das oportunidades que surgiram com sua trajetória e seu trabalho. Tornando-se a primeira imbitubense a atuar como Cast Member. Na área de Merchandise, ela passou por mais de 20 lojas do Complexo Disney, nos Estados Unidos, experiência que contribuiu para sua visão sobre comunicação, experiência de marca e relacionamento com o público.

A experiência internacional nos Estados Unidos da América ampliou seu repertório sobre comunicação, storytelling, experiência de marca e construção de experiências capazes de permanecer na memória.

Ao mesmo tempo, sua caminhada também passou pela Empresa Júnior de Design e Moda da UDESC, onde atuou como Diretora de Mercado, pelo Núcleo Floripa, como Coordenadora de Negócios, e pela área de comunicação estratégica da Prefeitura de Florianópolis. Paralelamente, manteve sua atuação como criadora de conteúdo sobre moda, comportamento e tendências.

Uma nova passarela, novos caminhos

Influenciada por nomes como Vivienne Westwood e Elsa Schiaparelli, além da música, do cinema e da cultura pop, Júlia se interessa especialmente por criações que transformam o desfile em espetáculo e a roupa em narrativa.

É justamente essa visão que ela pretende levar para Londres.

A participação na London Fashion Week não é encarada pela jovem designer como um ponto final, mas como a abertura de uma nova etapa. A expectativa é utilizar a experiência para ampliar a visibilidade de seu trabalho, construir conexões internacionais e mostrar que uma profissional recém-formada, vinda do litoral catarinense e formada em uma universidade pública, pode, e muito, encontrar espaço em circuitos importantes da moda mundial.

A trajetória de Júlia também carrega forte influência familiar. O pai foi responsável por aproximá-la da música e da arte, experiência que a levou a ser vocalista de uma banda de rock e a realizar diversos shows, enquanto a mãe a apresentou ao universo da moda e da beleza, mostrando que as roupas também poderiam ser uma forma de comunicação e expressão.

Com a chegada da Éther à London Fashion Week, Júlia também passa a fortalecer conexões com possíveis parceiros e apoiadores que possam contribuir para a realização desse novo capítulo de sua trajetória. A designer destaca que o projeto se constrói de forma colaborativa, envolvendo diferentes apoios ao longo do processo. Para ela, a oportunidade representa não apenas uma conquista pessoal, mas também a possibilidade de levar a Londres uma história construída em Imbituba, com referências familiares, formação em uma universidade pública e experiências que ajudaram a transformar seu interesse pela arte em profissão.

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