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Érika dos Reis

Vereador de Imbituba manifesta preocupação com projeto que reduz área de proteção na APA da Baleia Franca e alerta para impactos ambientais

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O vereador Bruno Pacheco (PSB) manifestou-se contrário ao Projeto de Lei nº 849/2025 durante as Explicações Pessoais da sessão da Câmara de Vereadores de Imbituba, realizada na última quinta-feira (9).

Em seu pronunciamento, o parlamentar demonstrou preocupação com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do requerimento de urgência para a tramitação da proposta, que prevê a exclusão de toda a porção terrestre da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca.

Bruno destacou que a medida pode representar um grave retrocesso para a preservação ambiental do litoral catarinense.

“Pesquisadores e ambientalistas alertam que essa proposta abre caminho para a especulação imobiliária e ameaça não apenas a biodiversidade costeira, mas também o modo de vida das comunidades tradicionais que vivem na nossa região”, afirmou o vereador.

O requerimento de urgência foi aprovado no último dia 1º de julho por 279 votos favoráveis, 162 contrários e uma abstenção. Com isso, o projeto poderá ser votado diretamente pelo plenário da Câmara dos Deputados, sem passar pela análise das comissões temáticas da Casa.

Vereador Bruno Pacheco

De autoria da deputada federal Geovania de Sá (PSDB-SC), o PL 849/2025 propõe retirar aproximadamente 34 mil hectares da APA da Baleia Franca, excluindo da unidade de conservação toda a faixa terrestre a partir da linha de preamar, que delimita o alcance das marés mais altas.

Na avaliação de Bruno Pacheco, a mudança coloca em risco importantes ecossistemas protegidos, como dunas, restingas, manguezais e remanescentes de Mata Atlântica, fundamentais para a conservação da biodiversidade e para a qualidade dos recursos hídricos.

Importância da APA

Criada em 2000, a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca possui cerca de 156 mil hectares, dos quais quase 80% correspondem à área marinha.

A unidade de conservação protege as principais enseadas utilizadas pela baleia-franca-austral (Eubalaena australis) durante o período reprodutivo, além de preservar costões rochosos, lagoas, banhados, manguezais, restingas e dunas ao longo de aproximadamente 130 quilômetros do litoral catarinense, entre Florianópolis e Balneário Rincão.

Além da relevância ambiental, Bruno ressaltou que a APA também possui grande importância econômica para a região. O turismo de observação de baleias transformou a unidade na mais visitada entre as áreas de conservação federais do país, recebendo mais de 9 milhões de visitantes em 2025.

Apa da Baleia Franca

Mobilização da sociedade

Durante o pronunciamento, o vereador também mencionou a mobilização de entidades ambientais e da sociedade civil contra o projeto. Um abaixo-assinado organizado pela Rede de Apoiadores da APA da Baleia Franca (APABF) já contabilizava mais de 8 mil assinaturas até a realização da sessão legislativa de Imbituba.

Para Bruno Pacheco, a retirada da proteção da área terrestre da APA representa uma ameaça ao patrimônio ambiental catarinense e exige ampla discussão antes de qualquer deliberação no Congresso Nacional.

“Precisamos preservar um patrimônio natural que pertence não apenas às atuais gerações, mas também às futuras. A proteção da APA da Baleia Franca é fundamental para garantir o equilíbrio ambiental, fortalecer o turismo sustentável e assegurar qualidade de vida às comunidades que vivem desse território”, concluiu o vereador.

Fotos: Assessoria CMI / ICMBio

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