Neste domingo (21), Imbituba celebra os 68 anos de sua emancipação político-administrativa. A data marca a retomada de sua autonomia como município e é lembrada como um dos principais marcos da história local, simbolizando décadas de transformações políticas, econômicas e sociais.
A celebração, no entanto, vai além da oficialização administrativa e se conecta a uma trajetória histórica construída ao longo de uma longa ocupação, colonização e desenvolvimento no litoral sul catarinense.
Emancipações e mudanças administrativas
Imbituba foi oficialmente criada como município em 1923, tendo Álvaro Monteiro de Barros Catão como seu primeiro administrador. No entanto, em 1930, perdeu sua autonomia administrativa.
A segunda e definitiva emancipação ocorreu em 21 de junho de 1958, quando o município, então denominado Henrique Lage, voltou a conquistar sua autonomia político-administrativa. A instalação oficial ocorreu em 5 de agosto do mesmo ano, com Walter Amadei Silva como prefeito provisório.
Anos depois, em 1959, o município voltou a se chamar Imbituba, consolidando sua identidade histórica.
Primeiros registros e Capitania de Santana
A ocupação da região está ligada à antiga Capitania de Santana, criada em 1534, quando o território brasileiro foi dividido em capitanias hereditárias. A região onde hoje está Imbituba já era conhecida e explorada ao longo dos séculos seguintes, com registros de presença indígena e expedições religiosas.
Em 1622, os padres missionários Antônio Araújo e Pedro da Mota chegaram à região com o objetivo de catequizar os indígenas Carijós, fixando-se em Vila Nova, onde hoje está o Santuário de Santa Ana. A missão, no entanto, enfrentou dificuldades e foi encerrada em 1624, quando os religiosos seguiram para a região de Laguna.
Os povos Carijós habitavam o litoral em aldeias simples, baseadas na cultura indígena da época, e vestígios de sua presença podem ser observados nos sambaquis encontrados em regiões como Roça Grande e Barbacena.
Primeiros povoamentos e colonização
O início efetivo do povoamento da região ocorreu por volta de 1675, com a chegada de famílias vindas de Laguna, acompanhadas de pequenos grupos de escravizados. Já em 1715, a chegada do Capitão Manoel Gonçalves de Aguiar, em missão de inspeção pelo sul do país, identificou o potencial da região para a pesca e recomendou a implantação de uma armação baleeira, concretizada décadas depois.
Em 1720, chegou à região uma expedição de imigrantes portugueses, em sua maioria casais açorianos e madeirenses. Esses colonizadores deram início ao desenvolvimento agrícola e pesqueiro, com forte presença em Vila Nova, Mirim e áreas próximas.
Em 1747, foi construída a capela de Vila Nova, dedicada a Santa Ana, marco importante da organização comunitária local. Dois anos depois, novas famílias foram autorizadas a migrar para o sul do Brasil, reforçando o processo de ocupação e expansão da região.
Pesca, baleia e economia colonial
A pesca e a exploração da baleia passaram a ter papel central na economia local a partir do século XVIII. Em 1796, por determinação da Coroa Portuguesa, foi instalada a armação baleeira de Imbituba, considerada a quarta do Brasil.
A atividade produzia azeite utilizado para iluminação e construção civil, sendo fundamental para o desenvolvimento urbano da época. A exploração entrou em declínio no século XIX, com a substituição do óleo de baleia por derivados do petróleo e o avanço do cimento industrial.
Formação do porto e industrialização
A vocação portuária de Imbituba ganhou força no final do século XIX, com projetos voltados ao embarque de carvão. Em 1871, foi construído o primeiro trapiche, marcando o início da infraestrutura portuária.
No início do século XX, a chegada de Henrique Lage impulsionou a modernização da região. Em 1922, foi criada a Companhia Docas de Imbituba, consolidando o porto como eixo econômico do município.
Ao longo das décadas seguintes, o porto passou por ampliações, mecanização e modernização, tornando-se uma das principais estruturas portuárias do estado.
Indústria, crescimento e transformação social
Outro marco importante foi a Indústria Cerâmica Imbituba, fundada em 1919, que chegou a empregar mais de mil trabalhadores e se tornou uma das principais referências industriais do município até seu fechamento em 2009.
Também se destaca a construção do Hospital São Camilo, inaugurado em 1963, fruto da mobilização comunitária e da necessidade de atendimento hospitalar local.
Imbituba hoje
Atualmente, Imbituba é reconhecida por sua forte ligação com o mar, pela atividade portuária, pelo turismo e pela preservação ambiental. A cidade integra a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, que abriga a visita anual das baleias-francas entre junho e novembro, fortalecendo o turismo de observação.
Com praias conhecidas nacionalmente, como a Praia do Rosa, e uma rica diversidade cultural, Imbituba segue crescendo sem perder suas raízes históricas.
68 anos de história
Ao completar 68 anos de emancipação político-administrativa, Imbituba celebra não apenas sua data oficial, mas uma trajetória marcada por povos indígenas, colonização açoriana, desenvolvimento portuário, industrialização e transformação social, uma história construída ao longo de séculos e ainda em constante movimento.
Fonte: Prefeitura de Imbituba











