O governo federal decidiu rever a suspensão da pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina e autorizou a liberação de uma cota adicional para os pescadores artesanais da modalidade. A medida ocorre três dias após o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciar o encerramento da atividade, devido à aproximação do limite autorizado para a temporada de 2026.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (09) pelo deputado estadual Fabiano da Luz (PT), após uma reunião com representantes do MPA. Segundo o parlamentar, o volume extra destinado ao estado ainda estava em fase final de definição e deveria ser divulgado oficialmente pela pasta.
De acordo com Fabiano da Luz, a ampliação da cota tem como objetivo permitir que comunidades pesqueiras que ainda não haviam sido contempladas pela safra possam retomar a atividade. O deputado citou como exemplo municípios como Bombinhas e destacou a importância cultural e econômica da pesca artesanal no litoral catarinense.
“Não podemos deixar municípios sem essa atividade, que é símbolo da cultura de Santa Catarina”, afirmou.
Decisão ocorre após a safra da tainha apresentar um ritmo de captura acima do esperado
O volume pescado fez com que a cota destinada aos pescadores artesanais fosse atingida mais rapidamente do que em anos anteriores. Mesmo com o aumento de 20% nas cotas das diferentes modalidades de pesca da espécie em 2026, o limite coletivo do arrasto de praia já havia ultrapassado 90% de utilização, conforme informado pelo MPA.
A definição da nova cota depende de um remanejamento dos volumes autorizados para captura da tainha. As tratativas envolveram o Ministério da Pesca e Aquicultura e tiveram acompanhamento do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A pesca da tainha é uma das principais tradições do litoral de Santa Catarina e movimenta dezenas de comunidades entre maio e julho. Além de representar uma importante fonte de renda para pescadores e comerciantes, a atividade também possui forte valor cultural.
Com a liberação adicional, a expectativa é de que embarcações e ranchos de pesca possam voltar ao mar e dar continuidade à temporada em regiões que ainda aguardavam a chegada dos cardumes.
Entenda o motivo do encerramento antecipado da safra
A temporada de pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina havia sido encerrada no domingo (07), após apenas 38 dias de atividade. A safra começou em 1º de maio e teve a paralisação determinada pelo governo federal devido ao alcance próximo do limite previsto para a modalidade.
O encerramento não ocorre por uma data fixa no calendário, mas pelo sistema de cotas estabelecido pelo governo federal. Quando a quantidade capturada se aproxima do teto autorizado, a atividade pode ser interrompida para evitar que o limite seja ultrapassado.
Na ocasião, o MPA informou que o limite coletivo da modalidade havia alcançado 90% da cota prevista pela Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de fevereiro de 2026. Segundo a pasta, a suspensão foi adotada de forma preventiva para garantir o cumprimento da regulamentação da temporada.










